RIO - O uso de herbicidas no Sergipe pode estar contaminando a água que abastece Aracaju. Pesquisadores da Universidade Federal do Sergipe (UFS), da USP e da Embrapa, em estudo publicado na revista "Ciência Agronômica" revelam que o Rio Poxim, que contribui com 27% da captação da capital, pode carrear defensivos agrícolas.
O cultivo de cana-de-açúcar está se expandido na região. No trabalho, chamado "Herbicidas no alto rio Poxim, Sergipe e os riscos de contaminação dos recursos hídricos", há o alerta de que tanto as águas superficiais como subterrâneas podem estar contaminadas.
Fábio Brandão Britto, do Programa de Pós-Graduação da UFS, e equipe fizeram monitoramento bimensal de julho de 2009 a julho de 2010 em dois pontos de amostragem. As amostras de água foram analisadas em laboratório, onde se, constatou a presença de Diuron e Ametrina.
O trabalho afirma que "ocorreu um aumento nas concentrações dos herbicidas na água superficial, durante o período chuvoso, provocado possivelmente pelo escoamento superficial". E alerta: "a presença de qualquer componente químico em concentrações acima dos especificados nas normas padrão, pode provocar efeitos tóxicos, seja na saúde humana ou no ambiente".
Os valores encontrados para Diuron nos meses de julho de 2009, maio e julho de 2010 (0,2; 0,9 e 0,2 µg L{+-}{+1}, respectivamente) foram considerados preocupantes. Os valores estão acima do admitido pela Comunidade Europeia (concentração máxima de 0,1 µg L{+-}{+1}, de acordo com os pesquisadores) para qualquer pesticida em águas destinadas ao consumo humano.
Para Silvio Múcio, Diretor de Operações do Departamento Estadual de Saneamento e Obras, não há motivo de preocupação da população:
- A água é usada é há mais de 40 anos. Este rio foi um dos primeiros que atenderam a população de Aracaju, mas, hoje, o abastecimento de água da Região Metropolitana é atendida sobretudo pela água do Rio São Francisco.
Múcio disse, ainda, que ainda não tinha sido informado da pesquisa. E que as análises feitas pelo estado não detectaram qualquer problema na água.
- Não tomamos conhecimento deste estudo. Vou pedir que a UFS envie estes dados. Cerca de 25% de nossa água vem do Rio Poxim, mas nossas análises não detectaram problemas - disse Múcio.
A pesquisa está disponível na internet.


Ainda não existem comentários