A uma semana do Carnaval, milhares de pessoas participaram aliviadas, nesta quinta-feira, da maior festa religiosa da Bahia, a 'Lavagem do Bonfim', protegidos por 1.600 policiais militares em meio à paralisação da polícia civil que desencadeou uma onda de violência no estado.
A celebração foi realizada depois que 200 manifestantes em greve desocuparam pacificamente a Assembleia Legislativa, onde estavam amotinados há nove dias e da detenção do líder do movimento, Marco Prisco.
Estima-se que um terço dos 31.000 policiais militares da Bahia tenham participado da greve.
Desde o começo do protesto, o número de crimes disparou no Estado, deixando mais de 120 mortos, o que corresponde ao dobro da média observada no mesmo período, principalmente na capital, Salvador, pelo que o medo de novas ações violentas fez com que muitos evitassem a avenida Oceânica, junto à praia.
"As pessoas tiveram medo de participar da 'lavagem'", disse à AFP Aurea Rios, de 60 anos, uma assídua assistente da celebração, realizada dias antes do Carnaval baiano.
"Espero que Salvador retorne logo à normalidade para poder viver em paz. Não podia acreditar que fossem cancelar o Carnaval, uma época de muita alegria para nós", declarou Luis Carlos Turuca, de 58 anos, que estava num carro enfeitado com folhas de coqueiro.
Atrás, centenas de mulheres com a tradicional vestimenta e vasos com flores brancas avançavam em procissão para a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, na zona norte da cidade, a terceira do Brasil, dançando e cantando ritmos de forte influência africana.
Todos os participantes se vestem de branco, a cor do orixá, no sincretismo religioso. O ponto alto da festa ocorre quando as escadarias da igreja são lavadas por cerca de 200 baianas vestidas a caráter que, de suas quartinhas - vasos que trazem aos ombros - despejam água nas escadarias e no átrio da igreja, ao som de palmas, toque de atabaque e cânticos de origem africana.
A festa tem a participação de seguidores do catolicismo, umbanda e candomblé, já que o Senhor do Bonfim de acordo com o sincretismo religioso na Bahia corresponde a Oxalá.
O percurso foi protegido por 1.600 policiais militares.
"A população pode ter confiança de que terá segurança total", disse à AFP o coronel da polícia militar Silvino Berlinx.
A festa religiosa foi um pequeno teste anterior ao Carnaval, que vai exigir a participação de mais 20.000 agentes, segundo o plano de segurança elaborado pelo governo da Bahia antes do início do conflito.
O Carnaval traz para a cidade mais de 570 milhões de dólares de renda.
Os nove dias de greve geraram fortes perdas econômicas à cidade, com a venda de pacotes especiais para o Carnaval caindo 30%, segundo os organizadores da festa.


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