ATIVIDADES DE AMIGOS

    Ultrapop
    • Que alegria. Que alegria. Que alegria.

      Jeitinho brasileiroMinha resistência ontem havia diminuído em comparação com a de anteontem. Caminhei “apenas” quatro horas ininterruptas: praça da Sé, largo de São Francisco, praça da Sé, largo de São Francisco, praça da Sé, largo de São Francisco, Prefeitura de São Paulo, viaduto do Chá, praça da República, avenida São Luís, viaduto Maria Paula, quase a praça da Sé outra vez, avenida Brigadeiro Luís Antônio, avenida Paulista, avenida Angélica.

      Que alegria.

      Embora eu não tenha presenciado absolutamente nenhum, conta-se que também houve tumultos e “vandalismos”, diferentemente do que havia acontecido anteontem. Quando cheguei em casa, tive tempo de sobra para ver a vetusta televisão dar ênfase grotesca ao lado sombrio das manifestações do 18 de junho do (quase) Inverno Brasileiro de 2013.

      Quão sórdida é a televisão, ao apostar altas fichas no caos, na inflação e no que pode acontecer de pior para o Brasil? Quão antibrasileira pode ser a televisão “brasileira”,

      Saiba mais »de São Paulo, 18 de junho de 2013: pororoca
    • A Juventude do PSDB na capital paulista (JPSDB Paulistana) retirou-se da "festa" de ontem, pouco antes do seu começo. Uma pena. Mas há que se reconhecer que a decisão teve lá o seu sentido interno. Pois em face dos últimos acontecimentos (11, 12 e 13 de junho, sobretudo), os clamores urbanísticos pelo "passe livre" se estavam juntando a clamores políticos por uma cidade livre e desmilitarizada. Com essa fusão no horizonte, os tucanos "vazaram". Coerência admirável num momento em que o trança-trança de opiniões é a tônica.

      Entretanto, a JPSDB Paulistana estava errada nos seus temores de que tudo não passaria de uma manifestação diretamente contrária ao governador do estado. Michelet adoraria que o sentido fosse outro, mas não foi. Nas tantas bifurcações do passeio, só um pequeno grupo foi até o Morumbi chacoalhar os portões do Palácio.

      Neo-zazaueira
      A enorme passeata que venceu 11 kms entre o Largo da Batata e a Ponte Estaiada, voltando depois até a Paulista, trazia consigo engomados e

      Saiba mais »de Freeway, caminho livre
    • São 21h49, acabo de chegar em casa, completamente suado, para começar a escrever este texto. Não sei quantos quilômetros caminhei, mas foram muitos – quase cinco horas andando, praticamente sem parar. Eu não estava sozinho. Éramos (somos) milhares, acredito que muitas dezenas de milhares. São Paulo desceu à rua em peso neste 17 de junho de 2013.

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      É um momento histórico ainda indecifrável, mas certamente preciosíssimo. Em menos de 15 dias, a partir da maior capital do país, uma farsa se ergueu e em seguida desmoronou diante dos olhos de todos os brasileiros. A televisão documentou tudo.

      Hoje, a outrora furiosa Polícia Militar do governador Geraldo Alckmin (PSDB) se fez praticamente imperceptível aos nossos olhos, ouvidos, gargantas, narizes, bocas, ânimos e músculos. A palavra de ordem que

      Saiba mais »de São Paulo, 17 de junho de 2013: a farsa e o pacto
    • Hoje é dia de São Paulo ir às ruas de novo - e desta vez, pelo que leva a crer o burburinho nas redes sociais, gregos & troianos terão de se aturar reciprocamente, desde o largo da Batata até não se sabe onde.

      Os humores se movem rapidamente desde que começaram as manifestações do Movimento Passe Livre (MPL), de lá para cá engrossado a cada dia por baianos & paranaenses. Quem era contra já está a favor, a esta altura há aderência até a partir da mídia tradicional que, na quarta-feira, pedia violência em editoriais raivosos.

      Para você ter uma ideia da virada, há três dias a Veja aplaudia a brutalidade da Polícia Militar na manifestação de quinta-feira; hoje, a mesma revista, com a mesma cara de pau, está aplaudindo os... manifestantes!

      A Folha de São Paulo, por sua vez, publicou ontem uma reportagem inacreditável dando conta de que o "serviço secreto" da PM "descobriu" que o partido político trans-esquerdista PSOL estaria "arregimentando" punks e anarcopunks para fazer violência nas

      Saiba mais »de Ninguém entende um punk?
    • Hoje fiz minha estreia, finalmente, nas manifestações do Movimento Passe Livre (MPL). Atemorizado, não fiquei na rua até o final (houve um final?). Chego em casa “são e salvo”, mas com o peito oprimido pelas cenas de violência a que assisti e por um monte de grandes dúvidas e perguntas por responder.

      Tentarei transformar este texto numa coletânea de algumas dessas perguntas.

      Como disse um texto atrás, sou freguês feliz de passeatas, marchas, paradas, viradas, protestos. Vou a quase todos, e em apenas um havia visto antes cenas de violência comparáveis (embora muito menores) às que vi hoje: há dois anos, na Marcha da Maconha, quando a tropa de choque dissolveu a manifestação à força, escoltada por uma liminar de última hora que tornava o protesto ilegal. Se ali já parecia que eu estava em 1968, hoje pareceu dez vezes mais. “Abaixo a repressão!”, o slogan ressurgiu do túnel do tempo. “Ooô, o povo acordou”, complementava outro grito.

      O que as passeatas do MPL têm de diferente de todas as

      Saiba mais »de Camundongos
    • Qualquer discussão sobre cultura é vã numa cidade cujo verdadeiro dono é uma polícia militar. Essa cidade é São Paulo. Aqui, a questão real que se põe há anos é só uma: o direito à cidade como espaço de fruição e convívio está suspenso e bloqueado por um regime policial de abusos. Olhe ao redor.

      Outro dia, a conversa de almoço com um velho amigo derivou para uma tese em forma de caricatura. Eis a hipótese: o "varão bandeirante" (isto é, o clássico paulistano reaça) não quer segurança, quer assassinato. Importante para esse "cidadão" é saber se a polícia que o serve "senta o dedo" na assim chamada "bandidagem". Isso explica que o mísero protesto de um punhado de estudantes se transforme em uma noite de horrores patrocinada pelo poder público, com a desfaçatez usual desse tipo de caipirice. Essa é a triste realidade de uma cidade assim: uma potência, um lugar que tem tudo para ser extraordinariamente belo mas prefere o extraordinariamente abjeto.

      A combinação degradante entre "estado

      Saiba mais »de A selva do governador
    • As ruas andam vertiginosas para quem vive na cidade de São Paulo. Num intervalo de pouquíssimos dias, tivemos um cardápio diversificado de manifestações coletivas, a maioria delas em escala de multidão: nesta sequência, Marcha das Vadias, Parada Gay, dois atos do Movimento Passe Livre, Marcha da Maconha.

      Sou um frequentador assíduo de marchas, passeatas, paradas etc. Estive nas citadas acima, exceto nas duas manifestrações pela redução do preço das passagens do transporte público em São Paulo. Tem sido instrutivo perceber como todas essas iniciativas se intercomunicam, mesmo que as reivindicações, a princípio, pareçam não ter nada a ver umas com as outras.

      "Olha que vergonha, o busão tá mais caro que a maconha", proclamava um grito de guerra do sábado, promovendo na Marcha da Maconha aquilo que a amiga jornalista Flávia Durante havia classificado via Twitter, um dia antes (durante a segunda caminhada pelo Passe Livre), como "mashup de passeatas".

      As causas são diferentes e diversas, mas

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    • Verniz

      Enquanto os jornais se entopem de consultores do nada, atende-se a demanda de uma nova classe média inculta que pretende maquiar seus défices com etiquetas de fachada. O problema não é a nova classe media, mas nossa insistência num modelo de aparências para o qual a educação profunda será sempre um bem supérfluo. Catastrófico? É apenas o inverno.

      Tempos atrás, encontrei no Facebook de uma amiga essa tira sensacional do cartunista e ilustrador Ricardo Coimbra ("Sociedade da Cagação de Regra"), que resume o espírito de época da nossa São Paulo global de Brasil bombando.

      Aqui, o modelo de sofisticação, para muitos, é ainda um estilo europeu "elevadinho", e apenas naquilo que possa servir ao propósito das ostentações baratas. Li recentemente uma declaração soberba de um especialista em comércio de luxo: "A cultura de luxo brasileira preocupa-se em mostrar as logomarcas de grife ao invés de saber a qualidade do material, sua origem e a mão de obra empregada" (Cláudio Diniz, aqui). Parece ter

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    • O domingo foi um dia de sonho realizado para quem vive em São Paulo e é apaixonado pelas inúmeras sonoridades musicais do Brasil. Já são 17 edições de parada da diversidade sexual na cidade - é até maluco de pensar, mas existe uma geração inteira que só conhece o mundo com parada gay.

      Nesses 17 anos, já aconteceu um pouco de tudo nesse manifesto coletivo em progresso e movimento. Mas uma das tônicas tem sido sempre o predomínio da música eletrônica tocada por DJs, frequentemente extraída do repertório pop mais raso e aguado da indústria fonográfica norte-americana. No mundo gay se fala em música "bate-cabelo", e lá se vão quase duas décadas em que a parada se deixou, em grande medida, escravizar por aquele formato modular e cada vez mais anacrônico.

      O ano de 2013 ficará marcado como um ponto fora da curva, na menor das hipóteses, ou como instante de uma mudança importante de paradigma, para quem quiser sonhar mais alto. Andando pela parada, eu via carros de "bate-cabelo" meio atirados às

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    • Neymar e o Brasil

      Neymar é um cometa alinhado com o Brasil de hoje. Nosso ufanismo desmedido pode até fazer bem à nossa auto-estima combalida mas não vai eliminar – por decreto ou fantasia – os problemas que não enfrentamos devidamente.

      O Brasil não é um país desenvolvido, sob nenhum desses pontos-de-vista: social, educacional, econômico, industrial, esportivo. É um país que melhorou sensivelmente, nos últimos anos. Mas que segue governado por uma classe política mentalmente miserável e crispado de ponta-a-ponta por desigualdades ímpias. Embora sustentada atualmente por segmentos sociais de mais baixa renda, a ideologia do "chegamos lá" continua servindo muito mais ao andar de cima. Afinal, "em time que está ganhando não se mexe", de jeito nenhum, mesmo que a vitória seja apenas parcial e quase sempre exagerada pela propaganda triunfalista.

      Aliás, diga-se de passagem, não mexemos no Brasil em time algum, haja vista a relutância dos nossos técnicos em trocar seus jogadores nas partidas, mesmo com placares

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    (253 artigos)

    Sobre Pedro Alexandre Sanches

    Pedro Alexandre Sanches é jornalista cultural desde 1995. É editor do site de música brasileira Farofafá. Trabalhou na "Folha de São Paulo" (1995-2004) e na "CartaCapital" (2005-2009), e publicou os livros "Tropicalismo - Decadência Bonita do Samba" (Boitempo, 2000) e "Como Dois e Dois São Cinco - Roberto Carlos (& Erasmo & Wanderléa)" (Boitempo, 2004).

    Sobre José Guilherme

    José Guilherme Pereira Leite é economista e cientista social de formação, apaixonado pelas artes desde os tempos de menino. É mestre em arquitetura e urbanismo pela USP. Entre 2006 e 2010, trabalhou para o Ministério da Cultura, em diversos projetos. Para o Yahoo! Brasil escreve há cerca de dois anos.

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