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ATIVIDADES DE AMIGOS

    Ultrapop
    • Lembro como se fosse ontem: 17 de março de 2008. Já passava das 22h quando nossos olhos se cruzaram pela primeira vez. Foi amor à primeira vista, pode acreditar. Eu vinha de uma série de relações breves, não conseguia me deixar levar por ninguém, e quando você apareceu... nossa, era o programa de humor, na televisão aberta, que estava esperando por toda minha vida (mentira, vivi um lance muito forte com a TV Pirata, mas sabe como são essas coisas do coração, né?).

      Um humor corrosivo e de cara limpa, sem o apoio de bordões, de olho na pompa ridícula de políticos e celebridades, além de um pé no jornalismo no quadro sobre os desperdícios e desmandos do poder público. Ah, CQC, como eu te amei! Tanto sua bancada de três cabeças-línguas quanto seus comediantes-repórteres, cada um a seu jeito.

      Foi um ano lindo, lua de mel e amendoim todas às segundas, e era gostoso a gente se encontrar, a risada rolava fácil, assunto não faltava. Então encontrei, exatamente nessa época, sua cabeça mais Saiba mais »
    • E aí saiu o disco novo de Marisa Monte, “O Que Você Quer Saber de Verdade”, que ando ouvindo por aqui. Em linhas gerais, concordo à beça com o que disse no site da revista “Época” meu colega Luís Antônio Giron, num artigo denominado “Somos todos bregas”. É, "brega", pode ser, sim...

      Em linhas mais particulares, ouço e me sinto em qualquer um dos discos que Marisa tem lançado com parcimônia desde 1989. Mas me sinto, também, num brasileiríssimo (embora algo sisudo) parque de diversões. Tem maçã do amor, algodão doce, pipoca e pop brasileiro a valer no circo da Marisa.

      “Nada Tudo”, por exemplo, soa aos meus ouvidos como música sertaneja, caipira, sertaneja universitária, caipira urbana.

      “O Que Se Quer”, composta e cantada com o (ex-)Los Hermanos Rodrigo Amarante, é nordestina de tudo, com sanfona e tudo. Nessa e em outras faixas, como a alegre e circense “Hoje Eu Não Saio, Não”, quem toca sanfona é o forrozeiro cearense Waldonys. Tem baião, xote e xaxado? Tem, sim, senhor. Tem goiabada e Saiba mais »
    • E então o rock’n’roll desceu das tamancas, no festival musical que faz da sustentabilidade seu mote principal. A turma do Peter Gabriel tretou com a turma do Roger Moreira, e a treta ocorrida num descampado no interior de São Paulo correu mundo, fazendo efeito em roqueiros de Chris Cornell a Lobão a Brian Eno. Até o tão viril rock’n’roll pode viver seus dias de revista de fuxico e fofoca, por que não?

      Não estou indo aos shows do SWU, nem acompanhando pela televisão. Mas o Twitter, em casos como esse, é quase suficiente para informar a espinha dorsal do que a gente precisa saber: a turma do Peter Gabriel, gênio por trás do grupo britânico setentista de rock progressivo Genesis, tentou dar um passa-fora na turma do Roger, gênio por trás do grupo brasileiro oitentista de rock new wave Ultraje a Rigor. Atenção para a próxima frase: tentou, mas não conseguiu.

      A maioria dos artistas e bandas daqui prefere historicamente abafar o hábito corrente em festivais multinacionais, de os brasileiros

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    • Dia de finados, quarta-feira, sol intenso. Última apresentação do espetáculo Macumba Antropofágica do Teatro Oficina. Um programa nada usual, mas perfeito para um dia desses.

      A longa fila mostra o talento brasileiro em fazer tudo no último dia, na última hora. Quantas temporadas não obtiveram a glória em seu derradeiro suspiro? Com Zé Celso não haveria de ser diferente. Exceto por um simples motivo: a casa esteve lotava durante toda a sua estada.

      Na tripulação, duas queridas amigas primas entre si, Tulipa Ruiz e Layla Ruiz. Contato local, Ciça Luchesi. Positivo e operante, marchamos em cirandas pelos arredores do teatro.

      Sim, senhoras e senhores! A peça tem seu início numa viagem para outras épocas, mas num mesmo espaço. Tempo de Cacilda Becker, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral. Cacilda, por que não passarmos em frente de sua casa?

      Macumba Antropofágica: Tarsila e Oswald


      Encontros casuais remontaram a sensações nostálgicas de uma boemia que por ali encheu seus copos de cerveja. Junio

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    • Pra cima, com raiva

      Pois é, acabou na segunda a ocupação dos estudantes na reitoria da USP com direito a algumas centenas de soldados da tropa de choque da PM fortemente armados (e sem identificação). Nesses novos tempos bicudos, no qual até um ex-presidente diagnosticado com câncer é alvo de desejos de morte e “campanhas” idiotas para vê-lo se tratar no SUS, esses estudantes foram xingados de tudo quanto é nome pelos comentaristas anônimos e raivosos de plantão.

      Filhinhos de papai, playboys, vagabundos, baderneiros, maconheiros e o diabo a quatro. E quando um deles foi fotografado com um casaco da GAP então? Até um pessoal mais esclarecidinho saiu jogando pedra. Ninguém pensou que um mero casaco não tem relação alguma com o que está sendo questionado? Em tempos assim, pensar realmente é exigir demais.

      Quase toda minha vida escolar passou pelos corredores de escolas públicas e foi assim que entrei na USP, em 1994, no curso de Ciências Sociais. Lembro que boa parte de meus contemporâneos era parecida

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    • “É a nossa floresta, somos todos um só povo, o povo da Amazônia”, expõe do alto do palco o carismático reggaeman paraense Juca Culatra. Estamos, desta vez, em Manaus, no estado do Amazonas, que é ao mesmo tempo muito longe e muito perto da Belém de Juca Culatra.
       
      O festival Até o Tucupi acontece no bairro periférico de Jorge Teixeira, a 18 quilômetros do histórico e central Teatro Amazonas. As distâncias são reais, e também simbólicas. Os sentimentos que separam o centro e a periferia de Manaus são equivalentes à floresta que separa Manaus de Belém e ao Brasil interior que separa o Brasil do norte do Brasil.
       
      As distâncias são colossais, mas estão diminuindo perceptivelmente.
       
      Estou na periferia de Manaus, desta vez a convite do Coletivo Difusão, coligado ao sistema Fora do Eixo, que circunda o Brasil empenhado em desparafusar as engrenagens do atualmente enferrujado eixo cultural Rio-São Paulo. O Brasil não é só São Paulo e Rio, berram o Difusão e outros muitos coletivos espalhados país

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    • São muitas as razões a colocar o Pará na vanguarda da produção musical brasileira neste início de século 21, mas uma delas é especial. Em Belém, torna-se nítido: desmoronaram de vez as barreiras artificiais que por décadas tiranizaram artistas, espectadores e intermediários (como nós, jornalistas), separando tudo em dois grupos imaginários supostamente incompatíveis, o dos "cafonas" e o dos "não-cafonas".

      Gaby Amarantos e o tecnobrega são, como de praxe, a ponta do iceberg. Mas é muito mais vasto o bloco de gelo (ou melhor, de fogo) que está levando o Titanic do preconceito à deriva.

      Os quatro dias de programação do festival Conexão Vivo Belém, entre 27 e 30 de outubro, deixaram evidente que na música do Pará são plenamente difusos os limites que separam (ou melhor, não separam) MPB, rock, música erudita, lambada, pop, tecnobrega, jazz, carimbó, blues, rap, calipso, reggae, samba, soul, choro, música caipira e sertaneja, transe indígena, marabaixo etc. etc. etc.

      Acima de tudo, não existe

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    • Gaby Amarantos é uma espécie de embaixadora do Pará Brasil afora (Foto: Mowapress/Flickr)“O Brasil não conhece o Brasil/ o Brasil nunca foi ao Brasil”, dizia a velha canção interpretada pela gaúcha Elis Regina. Os versos ecoam no seu crânio quando você está em Belém do Pará, assistindo a um festival de música integrado predominantemente por artistas paraenses.

      Aconteceu comigo neste último fim de semana, na etapa belenense do festival Conexão Vivo, criado e patrocinado pela operadora de telefonia celular. Fui, como se costuma dizer no jornalismo, a convite da Vivo, recebendo da "patrocinadora" da viagem transporte, hospedagem e alimentação. Tinha estado em Belém algumas vezes nos últimos anos, e a esta altura já posso dizer sem medo que é o lugar mais criativo e inspirador do Brasil atual, em termos musicais. Foram quase 40 atrações, e mais da metade dos artistas escalados nasceram e/ou moram no Pará. Dentre todos, não vi nem ouvi nenhum que fosse desinteressante, no mínimo, ou não fosse sensacional, no máximo.

      Nenhum deles é conhecido nacionalmente, com as possíveis e

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    • Vou pedir licença para fazer uma coluna um pouco diferente das outras, um tanto mais pessoal. Tentarei não aborrecer ninguém. Será uma coisa assim sobre viagens, sobre fugir do universo umbigo e depois voltar.

      Acho que uma das melhores coisas de viajar é colocar sua vida (e sua cidade, seu país, tudo que o cerca cotidianamente) em perspectiva. Não lembro quando tive a primeira consciência de que existia um mundo grande além da minha cidade natal (Fortaleza), mas sei que foram os mapas – muito mais que a TV e o cinema e sua ilusória proximidade – que me fizeram ver que existiam outras cidades, várias muito distantes, com outras pessoas vivendo mais ou menos como eu mesmo.

      Em cada um daqueles pontinhos se reuniam pessoas andando de carros, fazendo sexo, chorando, morando juntas, embalando bebês, pedindo água sem gás e sem gelo, por favor. Tive a certeza disso quando me mudei, aos 9 anos, para o Rio de Janeiro (e depois Ribeirão Preto e então, finalmente, São Paulo). Mas porque diabos

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    • “Adocica, meu amor, adocica/ adocica, meu amor, a minha vida.” Esses versos prosaicos, que tomaram conta do Brasil 23 anos atrás, voltaram à tona neste 2011, por conta de um comercial de cerveja. Não se sabe se a Skol queria homenagear o autor do som que embalou as paradas de 1988. Se queria, o fez mais ridicularizando que afagando o paraense Beto Barbosa, 57 anos, autor de outros hits arrasa-quarteirão, como “Mar de Emoções” (1988), “Preta” e “Beijinho na Boca” (1990). O “rei da lambada” dos anos 1980 nem é o único a virar alvo da atual coqueluche da publicidade, de zoar gente que está, digamos, fora de moda, como bem o sabem o cantor Byafra e o ator Ricardo Macchi.

      O tal comercial com Beto, atualmente no terceiro episódio, lista atitudes como usar pochete e ouvir “Adocica” como de mau gosto, “cafonas” – rótulo usado, de resto, para toda música que cai no gosto das grandes multidões. Beto diz que assinou contrato consciente da faca de dois gumes que significava topar a parada. Afirma Saiba mais »

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