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Para começar, primeiro

ATIVIDADES DE AMIGOS

    Ultrapop
    • Tem um pessoal aí que diz que o mundo vai acabar em 2012 e que um dos sinais foi a estreia, nessa última segunda na TV Bandeirantes, do programa Mulheres Ricas. Inspirada em um reality show americano (The Real Housewives) e outro inglês (Made in Chelsea), a atração tem 10 episódios e entrou na grade para cobrir as férias do CQC. Se você não assistiu a estreia saiba que as câmeras acompanham o cotidiano de cinco mulheres mais ou menos ricas (não dá para saber se são mesmo, o quanto são e o que pode ser apenas fachada): Lydia Leão Sayeg, Brunete Fraccaroli, Narciza Tamborindeguy, Val Marchiori e Débora Rodrigues. Quatro delas moram em São Paulo e apenas Narcisa está no Rio.

      Bem, se você não é uma perua ou um playboy, a primeira impressão que você pode ter sobre essas mulheres que gastam como se não houvesse amanhã é que elas são umas idiotas fúteis. E são mesmo, pode acreditar.

      A joalheira Lydia Sayeg gosta de armas, de seguranças, de comprar roupas feias (que ela acha bonitas), de fazer

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    • Inezita Barroso, ícone da música caipiraCom 86 anos de vida e 60 de carreira profissional, Inezita Barroso é rainha incontestável do folclore musical brasileiro, como demonstra o grande número de clássicos enfileirados na caixa recém-lançada "O Brasil de Inezita Barroso", que agrupa seis de seus primeiros discos, lançados originalmente entre 1955 e 1961.

      Da São Paulo de "Lampião de Gás" ao Pará de "Uirapuru", do Ceará de "Luar do Sertão" ao Rio Grande do Sul de "Prenda Minha", parece não haver estado do país que ela não tenha acariciado com sua voz de trovão. Cantora de todas as regiões, ela unificou os interiores todos do Brasil, sob o apelido de "cantora caipira" - mesmo sendo uma paulistana da Barra Funda, de família rica de fazendeiros.

      Vanguardista desde pelo menos 1954, quando terminava a "Moda da Pinga" trançando as pernas "de braço dado com dois sordado", Inezita nunca abriu mão da luta em favor da condição feminina na música brasileira. Do mesmo modo, misturou cantos indígenas, africanos e europeus sem preconceitos

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    • Pernambuco x Fora do Eixo: todo dia era dia de índio

      Sediado em São Paulo entre os dias 11 e 18 passados, o IV Congresso Fora do Eixo foi excelente para quem se interessa por cultura e por soluções novas para problemas antigos. Mas terminou beligerante, em grande medida devido às trapalhadas do líder mais boquirroto da turma Fora do Eixo, o matogrossense Pablo Capilé.

      Criticando legitimamente a cena musical pernambucana, ele enfiou os pés pelas mãos ao tomar uma parte pelo todo e se referir ao estado nordestino inteiro como "estagnado" em termos culturais. Bastou para o mundo cair. A animosidade latente contra os hippies-nerds fora-do-eixo que vivem e trabalham em comunidade em diversas casas espalhadas pelo Brasil explodiu com violência verbal diretamente proporcional à de Capilé, e além.

      O quiproquó fez lembrar as ofensas com que o ex-presidente Lula foi "brindado" ao descobrir que estava com câncer. Capilé foi ridicularizado não só pelo que disse, mas porque debatia descalço e acocorado numa cadeira, porque tem aspecto de "mendigo"

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    • O de cima sobe, o de baixo desce

      Muitas emoções em 2011, não? Então nessa coluna, que é a última do ano, resolvi fazer algo diferente. Decidi, assim da minha cabeça mesmo, fazer uma mini-retrospectiva com algumas pessoas ou acontecimentos que marcaram positiva ou negativamente esse ano que passou por cima da gente. O título veio naturalmente, afinal "Xibom bombom", hit de 1999 lançado pelo grupo As Meninas, é o único axé de denúncia (marxista?) que se tem notícia e seu refrão continua atual, infelizmente, como uma daquelas verdades incontornáveis em nosso mundo cheio de desigualdades (claro que alguns anos antes, em "A Cidade", Chico Science já disse isso, mas lembrei primeiro das meninas, vai entender). Mas comecemos pra cima.

      SOBEM

      Protestos: Ainda não inventaram um jeito melhor de lutar pelos direitos ou demonstrar insatisfação com os governantes do que ir pra rua e ocupá-la. E 2011 foi um ano especialmente pródigo em manifestações, algumas revolucionárias, em todo o mundo. A Primavera Árabe se espalhou pelo

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    • Para os mais novos, o nome do jogo que revolucionou suas vidas. Para os desinformados, um personagem de algum filme B dos anos 80? Para as groupies, sexo, drogas e rock 'n roll, não exatamente nesta ordem. Para as namoradas e esposas, um irresistível presente de grego herdado de muitos pecados cometidos em gerações passadas. Para nós músicos, uma filosofia de vida.

      O Guitar Hero brasileiro é um sujeito simples, avesso às plumas e paetes, sereno, extremamente focado em seu instrumento. Talvez por isso, apresente leves toques de autismo e insanidade em sua genialidade indiscutível.

      Ser dionisíaco por definição, pensa em linhas sinuosas e esparsas, parece ter mais fluência nos dedos do que nas palavras. Nos palcos, brilha com muita elegância, sem fazer força. Tem a nobreza em sua alma e, inconscientemente, sabe disso.

      Desponta nos discos de bandas, compositores e cantores de sua geração, podendo permanecer décadas imprimindo sua assinatura musical. Imortalizado em gravações clássicas, Saiba mais »
    • Antes de virar modinha em circuitos mais elitistas, o rapper paulistano Criolo já compunha (há décadas) letras de franca provocação contra gente que pertence a esses mesmos círculos. “Gosta de favelado mais que Nutella/ quanto mais ópio você vai querer?/ uns preferem morrer a ver o preto vencer”, ele provocava mauricinhos e patricinhas em "Sucrilhos", do álbum "Nó na Orelha", justamente aquele que faria o músico virar modinha, logo que saiu, no início deste ano.

      O tema aqui é a cruel ambiguidade da guerra racial nossa de cada dia. Planta uma pergunta direta no coração do mauricinho que despreza e/ou teme o menino da favela, mas precisa dele para obter sua cota mensal de maconha ou outro brinquedo químico.
       
      “Eu tenho orgulho da minha cor/ do meu cabelo e do meu nariz/ sou assim e sou feliz/ índio, caboclo, cafuzo, crioulo/ sou brasileiro”, dizia na mesma "Sucrilhos", raspando a pele de brasileiros que tendem a cultivar preconceitos contra nordestinos, negros, índios, mestiços, pardos e

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    • O nada incrível Huck

      Desde que me entendo como gente ouço críticas à TV Globo, mas com o passar do tempo fui peneirando o que era verdade e o que não passava de teoria conspiratória. Fui também fazendo as minhas. No entanto, é sempre engraçado ver o pessoal dos comentários, principalmente na última coluna que era sobre o CQC da TV Bandeirantes, dizer coisas como: “ah, mas da Globo ninguém fala mal, apostos que vocês do Yahoo! são pagos”. Então vamos lá, cambada, para agradar vocês a Globo será o alvo da vez. Façam suas rimas e apertem seus cintos!

      Como toda grande empresa de comunicação, a Globo é boa e má (para usar esses termos gastos) em iguais proporções. Nos tempos do pai-fundador Roberto Marinho foi tanto amiga dos militares quanto abrigo de muitos profissionais de esquerda, que acabaram assim escapando de prisões, tortura, exílio. Enquanto se calava no Jornal Nacional, dava liberdade a realizadores como Paulo Gil Soares, Eduardo Coutinho, Walter Lima Jr. e Maurice Capovilla para falar de coisas

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    • Quem tem dois olhos e, principalmente, dois ouvidos já sacou, mas não custa comentar: os sertanejos levaram todas na música comercial brasileira em 2011. Paula Fernandes, Luan Santana, Michel Teló, Gusttavo Lima etc. etc. etc. são os artistas mais bem-sucedidos (e ricos) do Brasil atual. Gente da velha guarda também seguiu abiscoitando nacos de fama e falatório, nem que fosse por intermédio de brigas e sofrimentos, como foi o caso recente de Zezé di Camargo & Luciano.

      Aí a filial brasileira da Sony Music acaba de lançar "Amor de Alma", novo disco da dupla Victor & Leo, da, digamos, geração do meio do pop sertanejo (a geração mais nova está abolindo as duplas, é isso mesmo?). Dá o que pensar desde a capa, que é bonita, impressionante, inclusive por remeter a uma cena de faroeste norte-americano, ou coisa parecida, Victor e Leo de caubóis, em movimento, montados em garbosos cavalos "de raça".

      Este sempre foi um grito de guerra da chamada MPB, desde pelo menos o início dos Saiba mais »
    • No palco, Cauby Peixoto, Inezita Barroso e Angela MariaInezita Barroso, dama majestosa da “Moda da Pinga”, do folclore (como ela gosta de dizer) e da música caipira brasileira e paulista, está na primeira fila, assistindo ao show.

      No palco está Flávio Renegado, rapper mineiro egresso da periferia de Belo Horizonte, que acaba de lançar seu segundo álbum, “Minha Tribo É o Mundo”. Ele canta “Suave”, um dos novos e suingados raps: “Os manos como é que estão?/ suave!/ e as minas como é que estão?/ suave/ geral dentro do salão?/ suave!/ suave na nave, suave!”.

      Inezita já fez algumas caretas nesta noite de 29 de novembro, no Tom Jazz de São Paulo, durante a entrega do maluquíssimo Troféu Sexo MPB, do jornalista, escritor e produtor musical carioca Rodrigo Faour.

      Mas agora, não. Assistindo a Renegado, sua fisionomia está leve, sorridente. Quando ele pede a adesão da plateia ao coro de “suave!”, Inezita deixa chegar a hora de “e as minas como é que estão?” para exclamar, junto com todo mundo: “Suaaaaave!”.

      Eu estou numa fila lá atrás (o Tom Jazz é bem

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    • Laetitia Sadier

      Laetitia Sadier conquista os mais improváveis desconhecidosSeu nome e seu histórico musical dispensam grandes apresentações. Herdeira nata de uma tradição em experimentalismos sonoros nos 19 anos de existência de sua banda Stereo Lab, Sadier nos mostrou suas músicas com muita elegância, a mesma competência, e uma fragilidade que a engrandece ainda mais.

      Ao ouvir suas canções podemos perceber que a intrigante e inovadora lógica harmônica das canções do Stereo Lab seguem presente em suas veias. Modulações tonais que sempre renderam a unicidade do mundo 'Stereo Lab' de se fazer música, encontram lugar em seu disco com arranjos mais simplicicados, e letras mais pessoais.

      Laetitia Sadier - Ceci Est Le Coeur


      Mais intimista? O disco nem tanto. O show voz e guitarra, muito. Sua proficiência vocal fica muito clara no espaço que se estabelece entre palco e plateia, um silêncio rico de detalhes e nuances, que talvez não fossem percebidos num concerto em banda.

      Chega, pega sua guitarra e canta. Ocupa todo o teatro com suas inebriantes melodias e a

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