Um dos filmes mais premiados da última temporada entra em cartaz nesta sexta-feira: a comédia romântica "O Artista", que recebeu 10 indicações para o Oscar, atrás somente de "A Invenção de Hugo Cabret", com 11. (A cerimônia de entrega será realizada no próximo dia 26.)
Sem essa pompa, "O Artista" talvez só fosse lançado no Brasil em DVD. Não é filme para público muito amplo; nos EUA, a bilheteria já aumentou com as indicações, mas demorou dois meses para chegar aos US$ 20 milhões. "Hugo", também em cartaz desde o final de novembro, bateu nos US$ 60 milhões.
A grande diferença é que "O Artista" custou US$ 15 milhões e "Hugo", US$ 170 milhões. Ou seja: o primeiro já se tornou um êxito indiscutível, sobretudo de prestígio, enquanto o segundo, apesar da boa recepção crítica, ainda precisa correr atrás de bons números de bilheteria no exterior (inclusive no Brasil, com estreia programada para o próximo dia 17).
Em "O Artista", o diretor francês Michel Hazanavicius, 44 anos, cria uma divertida fábula ambientada em Hollywood, na virada dos anos 1920 para os 1930. O som chegava ao cinema e alterava o modo de produção de filmes, arruinando algumas carreiras e erguendo outras.
George Valentin (interpretado por Jean Dujardin, candidato ao Oscar de melhor ator) é um astro popular que não se adapta às mudanças e passa a viver no ostracismo; Peppy Miller (Bérénice Bejo, indicada ao Oscar de atriz coadjuvante) é uma fã de Valentin que arruma pontas em filmes e rapidamente se torna uma estrela.
Filmado em preto-e-branco, esse tributo romântico ao cinema silencioso é, também ele, quase silencioso. Palavras só entram em momentos-chave, mas a maior parte da ação tem acompanhamento musical, retirado inclusive de trilhas sonoras célebres, como a de Bernard Herrmann para "Um Corpo que Cai" (1958).
Atores como John Goodman, Penelope Ann Miller, James Cromwell e Malcolm McDowell fornecem um ótimo elenco de apoio para um divertimento leve, bem humorado e extremamente simpático. Será difícil tirar dele o Oscar de melhor filme.
Em DVD...
...duas sugestões para complementar em casa a sessão de "O Artista": "Cantando na Chuva" (1952), o musical clássico de Gene Kelly e Stanley Donen, que também aborda a passagem do cinema silencioso para o sonoro; e "A Última Loucura de Mel Brooks" (1976), em que o comediante de "Primavera para Hitler" e "Banzé no Oeste" faz também um longa à moda antiga, sem palavras, ao contar as peripécias de um diretor que tenta produzir um filme mudo.
Na TV...
...a dica, escondida na programação da TV paga, não tem a ver com o cinema silencioso, mas com a ênfase nas imagens: "Palermo Shooting" (2008), do alemão Wim Wenders (de "Paris, Texas", "Asas do Desejo" e "Pina", que disputa o Oscar de documentário).
O cantor e compositor alemão Campino faz o papel de um fotógrafo que não tem mais certeza do que vê (alguém representando a Morte, por exemplo) em uma viagem à Sicília (Itália). No próximo domingo, às 19h55, no Telecine Cult.

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