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    Não se fazem mais Thatchers como antigamente

    O nome do filme é "A Dama de Ferro", mas pode chamá-lo de "The Meryl Streep Show". O programa, de muito prestígio, está no ar desde 1977.

    Nas 34 temporadas anteriores, você viu Streep como uma alemã casada com um judeu (na minissérie "Holocausto"), uma polonesa que sobreviveu aos campos de concentração ("A Escolha de Sofia"), uma baronesa dinamarquesa no Quênia ("Entre Dois Amores"), uma neozelandesa acusada pela morte de um filho ("Um Grito no Escuro"), uma dona de casa de Iowa ("As Pontes de Madison"), autora de livros sobre orquídeas ("Adaptação") e de culinária ("Julie & Julia"), entre dezenas de outros papeis.

    Na temporada 2011, ela exercitou sua técnica multisotaque para interpretar a ex-primeira-ministra inglesa Margaret Thatcher, que governou o Reino Unido de 1979 a 1990. Streep, 62 anos, assume o papel quando Thatcher tem cerca de 50 anos, na década de 1970, e o leva até os dias atuais, envelhecendo quase 40 anos com a personagem.

    Sim, uma das duas indicações de "A Dama de Ferro" para o Oscar é na categoria de melhor maquiagem. A outra? Evidentemente, Streep disputa o prêmio de melhor atriz, sua 14a. indicação nessa categoria, em que venceu por "A Escolha de Sofia" (1982). Como atriz coadjuvante, ela recebeu outras três indicações e um Oscar, por "Kramer vs. Kramer" (1979).

    Lançado nos EUA em circuito restrito de quatro salas no final de 2011, apenas para concorrer ao Oscar, "A Dama de Ferro" já está agora em grande circuito por lá (mais de 1 mil salas, bilheteria superior a US$ 20 milhões) e entrará em cartaz no Brasil na próxima sexta-feira, dia 17.

    Ninguém duvida que a atuação de Streep funciona como a principal isca para o público, sobretudo no Brasil, onde Thatcher mal é lembrada por quem a viu no poder e ignorada pelas novas gerações, já que não andou trabalhando em nenhum "reality show".

    Nos EUA, na Inglaterra e na Europa continental, essa cinebiografia simpática à figura de Thatcher tem um apelo extracinematográfico. Por mais que a diretora Phyllida Lloyd ("Mamma Mia") e a roteirista Abi Morgan (do ainda inédito "Shame") tenham dado ênfase ao aspecto "humano" da ex-primeira-ministra, não há como desvincular essa visão positiva do que representou a sua polêmica década conservadora à frente do Reino Unido, paralelamente à escalada também conservadora de Ronald Reagan (1981-1989) nos EUA.

    Um livro recém-lançado para entender aquele período: "Reagan-Thatcher -- Uma Relação Difícil", de Richard Aldous (Ed. Record). E um filme para ilustrar algumas das medidas do governo Thatcher e seu impacto sobre a classe trabalhadora: "Billy Elliot" (2000), ambientado durante uma greve, em 1984, contra o fechamento de minas.

    "A Dama de Ferro" se integra a uma espécie de nostalgia conservadora nos EUA, onde o Partido Republicano não consegue encontrar um candidato viável e convincente para enfrentar o democrata Barack Obama nas eleições de novembro, e também na Europa, onde figuras opacas como David Cameron (no Reino Unido), Nicolas Sarkozy (na França) e Angela Merkel (na Alemanha) demonstram que já não se fazem líderes de direita como antigamente.

    Outra coincidência com o lançamento de "Margaret Ternura", desculpe, "A Dama de Ferro": o acirramento da disputa entre Argentina e Reino Unido pelas ilhas Malvinas (que os ingleses, no comando do território, chamam de Falklands). A Argentina alega que o Reino Unido está "militarizando" o Atlântico Sul, ao enviar para as ilhas um navio de guerra e o príncipe William, em treinamento.

    Houve uma guerra entre os dois países pelo controle das Falklands/Malvinas. A derrota custou a queda do governo militar argentino, que tentou retomá-las à força. Estavámos em 1982. Thatcher morava na Downing Street, número 10, a residência oficial do primeiro-ministro britânico.

    Como você se sente ao ler este artigo?

     

    25 comentários

    • Marcelo  •  3 meses atrás
      Por que muitos ainda acham que só existem esquerda e direita? Será que só existem os extremos: comunistas assassínos e direitistas assassínos?? Quando alguem crítica uma faceta de determinado sistema, signi#$%$ria isto uma condenação total do mesmo? Tipo... se for a favor de políticas sociais... é um stalinista assassíno... se for a favor de políticas liberais... é um seguidor inescrupuloso de Wall Street??? Poxa, quem que disse que devemos pensar de forma tão estreita assim?????
      • João Lucas 3 meses atrás
        Marcelo, como esquerdista realista, lhe agradeço do fundo do coração!
    • Gabriel  •  3 meses atrás
      fora Thatcher, fora Reagan, fora FHC, fora Hitler
      • lllll 3 meses atrás
        fora Lula, fora Dilma, fora Collor, fora Serra, fora Hadad, fora Marx, fora Fidel, fora Mano Menezes, ....
    • Geraldo  •  3 meses atrás
      Ótima atriz, mas representou uma figura deprimente.
    • rss  •  3 meses atrás
      a europa está convulsiva. cadê a porca?
    • Airton  •  3 meses atrás
      Uma atriz de mda representando uma outra mda !
      • MADRE SUPERIORA 3 meses atrás
        VÊ-SE QUE VOCÊ NÃO ENTENDE NADA DE POLÍTICA OU CINEMA....
      • El loco 3 meses atrás
        O comentário dele também é de mda.
      • Luis 3 meses atrás
        Na melhor das hipóteses vc nem sabe qum é Meryl streep, e por isso não deveria falar de quem vc nem conhece. Ela é uma das melhores atrizes da atualizade, procure se informar e assistir a alguma de sua inúmeros filmes, antes de dizer uma estupidez dessas.
    • Charles  •  3 meses atrás
      O Brasil realmente tá ferrado, só tem comunista, ou pró-comunista comentando aqui...kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
      • Antonino 3 meses atrás
        Meu conterrâneo!!! É verdade!!!! O Brasil está infestado deles! O pessoal lê uma ou duas páginas do Manifesto Comunista e já se acha revolucionário.
      • João Lucas 3 meses atrás
        Charles, Antonino, vocês são dois idiotas se acham que a questão é comunismo vs. capitalismo. A questão é democracia vs. ditadura, onde a ditadura aí é representada por Augusto Pinochet, amigão da Thatcher.
      • Jef 3 meses atrás
        A questão é a ditadura cubana, o enfraquecimento das instituições democráticas e as reeleições ilimitadas na Venezuela. Pinochet já foi faz tempo e o Chile é atualmente o país que oferece a melhor qualidade de vida aos seus habitantes na América Latina.
    • Brown  •  3 meses atrás
      Eles tinham "A dama de ferro", nós temos a "Dama de fezes"!!!
      • MADRE SUPERIORA 3 meses atrás
        KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
      • Isabela 3 meses atrás
        E voce tá abaixo dela
    • jorge  •  3 meses atrás
      Graças s Deus! Tomara que não nasça outra, representa somente a burguesia aristocrática inglesa, se fosse visionária ou o CARA seu país não estaria afundando nesta crise econômica européia.
    • Jef  •  3 meses atrás
      Meryl Streep é uma conhecida militante de esquerda. O que me faz pensar que o filme é altamente tendencioso. Margareth Tatcher assumiu o governo britânico depois de um longo período de predomínio do partido trabalhista. Foi ela quem recuperou a combalida economia e salvou o país da decadência.
    • Washington Guimarães  •  3 meses atrás
      Engraçado que os filhos de Margaret Thatcher (e conservadores iguais a mãe) viram o filme como "some left-wing fantasy" (uma fantasia de esquerda) e o Primeiro Ministro conservador James Cameron não ficou nada feliz com o filme.
      Acredito que Margaret Thatcher acertou e errou muita coisa. Não acredito em receitas ortodoxas para economia, como se você tivesse que ser liberal, keynesiano ou outra coisa. De qualquer forma, a senhora Thatcher foi uma pioneira ao tornar-se a primeira mulher no mundo ocidental chefe de governo. Com certeza ela abriu espaço para outras mulheres como Michelle Bachelet, Dilma Rousseff e Angela Merkel. Como disse a própria Meryl Streep no lançamento do filme: “Precisa-se contar a história das mulheres”. A tempo: Meryl Streep doou todo o seu cachê na produção do filme para a construção do National Women's History Museum.
    • mvadias  •  3 meses atrás
      MERYL STREEP É UMA DAMA DE FERRO QUE VALE OURO...TALENTOSA.
    • João Lucas  •  3 meses atrás
      A Thatcher, amiga de Pinochet, representa tudo aquilo que há de mais ultrapassado, horrível e podre na humanidade.
    • Felix  •  3 meses atrás
      Pobre Meryl Streep, ter que interpretar a amiguinha do Pinochet. O que os artistas não fazem pela profissão.
    • Sergio  •  3 meses atrás
      Será que o Brasil está em festa, Espanha e Irlanda também estiveram e, esse é o problema!
    • Carol  •  3 meses atrás
      Meryl Streep é ótima, mas acho estranho pintarem a Margaret Thatcher como heroína inglesa quando, na verdade, o país entrou numa situação extremamente caótica durante a gestão dela enfrentando grandes manifestações de trabalhadores...
      Não sou esquerdista, mas não apoio a política linha-dura da Thatcher
    • Lívia  •  3 meses atrás
      Uma grande atriz!!
    • Neto  •  3 meses atrás
      NÃO SE FAZEM Thatchers PQ A HISTÓRIA JA DEMONSTROU QUE O LIBERALISMO ECONOMICO OU O NEO LIBERALISMO É UM SISTEMA FALHO BRUTAL SELVAGEM QUE NÃO CONSEGUE ATENDER AS DEMANDAS DA HUMANIDADE. É O SISTEMA DA FOME DA MISÉRIA E DE ALGUNS POUCOS MILIONÁRIOS,
    • MADRE SUPERIORA  •  3 meses atrás
      MERYL STREEP MERECE TODOS OS ORCAR A QUE CONCORRER....
    • gabriel  •  3 meses atrás
      òtima atriz...nojo de filme
    • Ana Maria  •  3 meses atrás
      Muitos dos problemas enfrentados pela Inglaterra hoje são frutos da época da Thatcher. Foi um amargo para a história britânica.
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