ATIVIDADES DE AMIGOS

    Cartas da Amazônia
    • Em pouco mais de um semestre de 1972 o Exército brasileiro mobilizou 2,5 mil militares para combater menos de 60 guerrilheiros em uma área com menos de 10 mil quilômetros quadrados em torno da mitológica Serra das Andorinhas, no Araguaia paraense, na divisa com Goiás (hoje Tocantins).

      Os militantes do Partido Comunista do Brasil começaram a migrar para a região três anos antes. Sua intenção era instalar um foco de resistência no local, como os seguidores de Fidel Castro haviam feito em Cuba. Protegido pela floresta densa e um terreno acidentado, o foco guerrilheiro devia crescer até fomentar uma guerra revolucionária contra a ditadura militar, até derrubá-la do poder, que exercia plenamente.

      Três grupamentos foram estabelecidos, com 31, 23 e 15 integrantes. Quando o Exército os descobriu e começou a enfrentá-los, não havia dúvida alguma sobre a desproporção de meios. O principal comandante da operação, o general Antonio Bandeira, reconheceu que os guerrilheiros “utilizavam armas

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    • Nenhum Estado brasileiro, afora o Rio de Janeiro e São Paulo, foi tão promovido pela TV Globo quanto o Pará nos últimos anos. Entende-se a intensa atenção em torno das duas maiores cidades do país, que concentram quase 10% da população brasileira e parcela ainda maior da sua riqueza. Rio e São Paulo são os cenários preferenciais das novelas da Globo, que tem sua sede na capital fluminense. Belém possui menos de 1% da população nacional e o Pará é o 17º da federação pelo índice de desenvolvimento humano, o IDH.

      Mas qual é o outro Estado no qual a emissora afiliada da família Marinho tem sua programação anunciada por algumas das principais estrelas da Venus Platinada? Quais os outros Estados que já serviram de tema para novelas, episódios de séries, documentários e intensa promoção, como a concedida à cantora Gaby Amarantos (“a Beyoncé paraense”), o conjunto Calypso, gêneros ditos musicais, como o tecnobrega, e outros elementos da cultura musical paraense, alçados à condição de hits na

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    • A obra da linha de transmissão de energia da hidrelétrica de Tucuruí para Macapá e Manaus, com 1,8 mil quilômetros de extensão, a maior em construção no Brasil, foi licitada em 2008. Devia custar 1,8 bilhão de reais. Calcula-se que sairá por R$ 3 bilhões – ou mais. A elevação seria em função da imponderabilidade do “fator amazônico”.

      Por ser ainda mal conhecida, ou mesmo desconhecida, a região reserva surpresas – geralmente desagradáveis – aos que penetram em suas áreas ainda isoladas. O elemento de risco seria muito maior do que nas outras regiões do país, já de maior domínio. Além disso, o reajuste é ocasionado pelo atraso na liberação das licenças ambientais por parte do governo federal, que é o dono da concessão do serviço.

      O “reequilíbrio econômico de contrato” foi solicitado pela multinacional espanhola Isolux Corsán, que venceu dois dos três lotes do mais recente “linhão” de Tucuruí, através do qual o Amapá e o Amazonas se ligarão ao sistema integrado nacional de energia. O

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    • No auge da sua valorização, as empresas do grupo X, de Eike Batista, valiam 101 bilhões de reais. Hoje, valem R$ 14,7 bilhões. Que conglomerado empresarial no mundo resiste a uma perda de valor de quase 85% em três anos?

      Nesse período, quase R$ 90 bilhões viraram pó, fumaça, cinza, pó, vento. Ainda assim, continua inflacionado artificialmente o valor real da corporação daquele que, no ápice desse crescimento, era o homem mais rico do Brasil e oitavo bilionário do mundo, com pretensões a ser o primeiro em mais dois anos.

      É espantoso como esse “caso” não atrai o interesse em profundidade que merece, permanecendo na superficialidade do dito show-biz. É um retrato do Brasil dos nossos dias. Eike é o maior– mas não o único – dos aventureiros de mercado. Cheios de inteligência e argúcia, impetuosidade e falta de escrúpulos, voracidade sem qualquer freio ético ou moral, informações privilegiadas e elos secretos com quem pode produzi-las.

      Por seus próprios meios, esses barões não teriam ido

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    • O índio potiguar Tiuré desistiu da greve de fome que iniciaria no dia 19, dia dedicado ao índio pelo calendário festivo nacional, no Rio de Janeiro.

      A suspensão do ato de protesto se deveu à “inesperada ação do Presidente da Comissão da Anistia, que se pronunciou em agilizar meu processo e da Secretaria de Direitos Humanos em agir em prol da aldeia maracanã, além da imensa solidariedade de parentes e amigos, que me comoveram profundamente”, explicou.

      A suspensão, porém, será temporária. “Além de ser um retorno tático, é um gesto de confiança no Governo, que  poderá ser temporário, dependendo do desenrolar nos próximos dias. Estaremos atentos, mobilizado, poderei retomar meu ato”, garantiu Tiuré, em comunicação pessoal a este colunista.

      Os motivos da greve de fome foram apresentados num manifesto único na literatura indígena. Merece ser lido com atenção, tanto pelos que concordam com o texto como pelos que dele discordam. E que, por isso, merece ser reproduzido na íntegra:

      “Eu, Tiuré,

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    • A grande onda de refluxo do rio Amazonas no choque com o Oceano Atlântico, conhecida por pororoca, foi fraca, na semana passada, para decepção dos surfistas. Eles esperavam subir na onda gigante que reverte do mar quando, na sua luta titânica com o maior rio do mundo, não permite ao Amazonas avançar tanto, como faz na maioria das vezes, penetrando em até 100 quilômetros sobre água salgada, tornando-a salobra.

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      Mas a pororoca mereceu mais atenção da imprensa do que o acontecimento quase à meia noite do dia 28 do mês passado. Foi quando desmoronou parte do terreno onde funcionava o píer flutuante da multinacional Anglo American, utilizado na atracação de navios que embarcam minério de ferro em Santana, no Amapá, na mesma faixa de influência, no estuário do Amazonas, onde ocorre a pororoca. Muita terra, minério, algumas embarcações e seis pessoas foram para o

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    • Com seus 1.800 quilômetros de extensão, a linha de transmissão de energia de Tucuruí a Macapá e Manaus não é a mais extensa do Brasil. Mas é a de maior complexidade. Ela possibilitará que a capital do Estado do Amazonas, a cidade de maior população da Amazônia (com dois milhões de habitantes), saia do seu atual isolamento e passe a fazer parte do Sistema Interligado Nacional.

      O SIN une o Brasil quase por inteiro, sob um controle centralizado (do Operador Nacional do Sistema). O ONS compatibiliza cada uma das bacias hidrográficas, despachando energias de uma área com excesso de geração para outra, com escassez. É sistema único no mundo, em tais dimensões.

      Mas para que chegue ao Amazonas, ao Amapá e à margem norte do Pará, a linha terá que atravessar o rio Amazonas, que pode atingir 40 quilômetros de largura em alguns trechos. Uma alternativa era o lançamento de cabos subaquáticos. A hipótese foi descartada. A solução foi fazer a travessia aérea.

      Duas torres possibilitarão a passagem por

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    • O trecho da BR-277 entre as cidades de Paranaguá e Curitiba, no Paraná, é um dos mais importantes do sul do Brasil. Ele passará a se chamar Rodovia Cecílio do Rego Almeida, caso seja aprovado em instância final um projeto apresentado em 2009 pelo deputado federal André Vargas, do PT paranaense, que é vice-presidente da Câmara dos Deputados.

      A iniciativa se transformará em lei graças ao voto dado na Comissão de Constituição e Justiça por outro petista paranaense, o deputado José Mentor, se nenhum parlamentar impedir a sanção do projeto. Mentor se tornou famoso pelo seu confuso relatório sobre o escândalo das lavagens de dinheiro através do Banestado, banco igualmente paranaense. O deputado petista disse ter proposto a “justa homenagem”, em reconhecimento ao “trabalho” do empresário, que “foi perseverante em seu objetivo”

      A Construtora C. R. Almeida, uma das maiores empreiteiras do país, doou 2,3 milhões para candidatos petistas na eleição de 2010. A empresa foi uma das envolvidas nos

      Saiba mais »de Grande grileiro no Pará é herói no Paraná
    • A pá de cal na maior grilagem de terras do mundo foi dada pelo próprio grileiro – ou melhor, pelos seus sucessores. Os herdeiros de Cecílio do Rego Almeida perderam o prazo para apelar da decisão do juiz Arthur Pinheiro Chaves, da 9ª vara da justiça federal em Belém.

      O juiz mandara cancelar o registro imobiliário da Fazenda Curuá. A matrícula foi feita no cartório de Altamira, em nome da Incenxil, empresa nativa da região, que passou ao controle do dono da Construtora C. R. Almeida, do Paraná, em 1995.

      No dia 4 de janeiro, o juiz deixou de receber a apelação, “vez que manifestamente intempestiva”. Anteriormente ele também não tomara conhecimento dos embargos opostos contra a sentença. Ela determinou a anulação e o cancelamento da matrícula, transações e averbações no registro de imóveis de Altamira, a pedido do Ministério Público Federal. O MPF tomou como base para sua ação um pedido inicial feito pelo Iterpa (Instituto de Terras do Pará). Assim, a sentença transitou em julgado.

      Ainda

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    • Em quatro anos, de 2006 a 2010, o empresário Eike Batista arrecadou 13,6 bilhões de reais de investidores brasileiros. O BNDES entrou com R$ 10 bilhões. De 2009 para cá o maná oficial desceu mais generosamente dos cofres celestes do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, alimentado pelo FAT (o Fundo de Amparo ao Trabalhador, formado por recursos do FGTS dos assalariados nacionais) e do caixa do tesouro nacional – dinheiro da viúva, como se diz.

      Nesse período, a imprensa e as elites não pararam de jogar confetes sobre a cabeça coroada de Eike. Afinal, ele é branco, bonito, atlético, foi por uns tempos marido da beldade Luma de Oliveira e é de um ramo familiar estrangeiro, contribuição de sua mãe, que lhe deu o nome nórdico, suposto traço de nobiliarquia.

      A lenda, por ele mesmo manobrada, lhe atribuiu a condição de verdadeiro Indiana Jones brasileiro. Eike começou a ganhar dinheiro comprando ouro diretamente na fonte, nos garimpos poluidores dos rincões amazônicos, e

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    Sobre Lúcio Flávio

    Lúcio Flávio Pinto, 62, é jornalista desde 1966. Editor do "Jornal Pessoal", publicação quinzenal que circula em Belém do Pará desde 1987.

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