O governo federal mantém conversações com a CBF e representantes de clubes brasileiros para formular uma proposta sobre o abatimento da dívida deles, que não para de crescer.
A ideia original é simples: o governo abateria a dívida dessas instituições caso elas passassem a abraçar modalidades olímpicas, as quais poderiam escolher. A prática dessas modalidades deveria focar em jovens, sobretudo de regiões menos favorecidas.
A ideia do governo federal seria matar dois coelhos com a medida.
Primeiro, usar a estrutura dos clubes para fazer algo que ele próprio nunca conseguiu fazer: tornar a prática esportiva acessível a todos. O Brasil sonha em ser uma potência olímpica algum dia, e tal fato depende diretamente disso.
Segundo, formar um embrião de controle aos clubes devedores, atrelando responsabilidades para a prática dessas modalidades olímpicas. O clube que estiver no projeto certamente assumiria compromissos de meta de redução da dívida.
Este seria o grande projeto do governo desde a criação da malsucedida Timemania, que, fracasso de público, não ajudou a nenhum clube a abater sua dívida nem os pressionou a tornarem-se economicamente responsáveis.
A proposta é polêmica, mas ao menos é uma proposta. Precisaríamos conhecer as minúcias do projeto para avaliar se ele tem chances de ser bem sucedido. A princípio, não vejo porque os clubes iriam fazer parte disso. Ninguém os cobra para pagarem suas dívidas. A Uefa resolveu esse problema na Europa ameaçando de rebaixamento quem não cumprir um cronograma de abatimento delas. Esse é o fator principal.
Veja o levantamento de clubes devedores feito pela consultoria BDO, divulgada agora em maio. Perceba como a dívida dos clubes multiplicou-se assustadoramente entre 2007 e 2011 (lembrando que a lista abaixo é da dívida total das agremiações, e não somente o que devem ao governo):
CLUBE DÍVIDA EM R$ EVOLUÇÃO DO ENDIVIDAMENTO 2007 A 2011 1º) Botafogo 563.915 164%
2º) Fluminense 404.899 47%
3º) Vasco 386.894 224%
4º) Atlético-MG 367.592 77%
5º) Flamengo 355.452 31%
6º) Palmeiras 245.298 315%
7º) Santos 207.670 80%
8º) Grêmio 198.882 89%
9º) Internacional 197.370 63%
10º) Corinthians 178.492 76%
11º) São Paulo 158.486 207%
12º) Portuguesa 138.325 17%
13º) Cruzeiro 120.300 40%
14º) Coritiba 110.986 121%
15º) Ponte Preta 105.025 144%
*Bahia e Atlético-PR não haviam divulgado seus balancetes de 2011 até a divulgação do levantamento da BDO.
