Antes da aprovação da Lei Geral da Copa, o governo vai ter que lidar com uma possível greve geral da Copa. O jornal Valor Econômico publicou nesta sexta-feira que os 25 mil trabalhadores das obras de construção dos estádios para o Mundial estão organizando uma grande paralisação para março. A greve está sendo articulada por todas as grandes organizações sindicais: CUT, CGT e Força Sindical. Ou seja: se vier, vai ser para valer.
As requisições para a greve, segundo o diário: nivelar o piso salarial para 1.1 mil reais para ajudante de obras (no Nordeste chegam a gahar 600 reais mensais) , 1580 reais para pedreiros e carpinteiros e ainda elevar o valor da cesta básica para 350 reais. Também estão em pauta melhorias no plano de saúde e folga de cinco dias úteis a cada 60 trabalhados, com visitas a familiares em outros lugares financiadas pelas empresas responsáveis pelas obras. Essas requisições vão para a presidência da República e para a Confederação Nacional das Indústrias, a CNI.
Os representantes dos operários têm um argumento interessante para a questão da padronização dos níveis salariais, mesmo sabendo que os salários são diferentes em cada lugar: o preço da licitação das obras é sempre semelhante nos valores.
Negociação de greve funciona assim: você pede um braço, o outro lado oferece um dedo. A conversa desenvolve para liberarem a mão, variando conforme o poder de persuasão dos envolvidos.
As obras para o Mundial estão na conta do chá: poucos atrasos preocupantes (Natal é a que mais preocupa), e poucos avanços acima da média (Fortaleza é a que está em melhor situação). A possibilidade de atraso já deve estar causando urticária na Fifa. O governo e os operários têm fevereiro inteiro para dialogar e chegar a um consenso para não dar contornos dramáticos a la Galvão Bueno à etapa final das obras, nesses próximos dois anos.

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