Boris Johnson, o prefeito de Londres, lançou uma campanha para os Jogos Olímpicos deste ano que iria gerar caretas mil caso fosse sugerida para o Rio 2016 ou para a Copa 2014, no Brasil: Johnson pediu encarecidamente para que os convidados VIPs da olimpíada londrina deixem de lado as limousines para chegar aos locais da competição de metrô, como faz o restante dos mortais.
- Peço a vocês do Comitê Olímpico Internacional que tomem a atitude sensata que é pegar a linha Jubilee do metrô. Vocês vão adorar - disse o prefeito.
O apelo de Johnson ocorre porque existe a previsão de grandes problemas de tráfego urbano durante os jogos. A pedido do COI, desde os Jogos de Sidney que as cidades olímpicas são obrigadas a ter uma faixa olímpica nas ruas, destinadas aos atletas que vão competir. Em Atlanta 1996, houve vários casos de competidores que chegaram atrasados às provas por conta de engarrafamentos. Um vexame. E a faixa olímpica de Londres tem gerado desconforto entre os moradores, que estão azedos por causa do aperto nas ruas.
Londres é uma cidade que sofre com engarrafamentos, porém tem um histórico de atitudes louváveis para combatê-lo: em várias regiões do centro já existe o pedágio para carros. Faz sentido: há muitas possibilidades de se chegar lá de metrô ou ônibus, então taxa-se quem vai de carro, que é o maior problema causador do excesso de trânsito. É justo.
Há alguns anos, um prédio de alto padrão foi construído na região central de Londres. Só que a associação de moradores do bairro - lá existem essas instituições e elas são ouvidas - aprovou a construção do prédio somente com a exclusão de garagem dele. O argumento: a região tinha amplo acesso ao transporte público. Quem quer morar lá e ter um carro, que arque com os custos disso, portanto. Radical, porém eficiente.
Por tudo isso, Londres é uma cidade que cada vez mais pensa verde. É, portanto, válido o apelo de Boris Johnson. E lembremos que uma das alegrias do espírito olímpico é justamente conhecer pessoas diferentes, de culturas e lugares distintos dos nossos. Se os manda-chuvas do COI trocarem as limousines pelo suor e aperto do metrô, só têm a ganhar.
Imagine se o prefeito do Rio de Janeiro corta as limousines dos VIPs para tentar amainar o desesperador trânsito carioca. O que vai haver de caretas encrustadas em rostos botocados não vai ser brincadeira.

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