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ATIVIDADES DE AMIGOS

    Habitat
    • Caiu o veto do Beto!

      V de veto, V de vitória. Não, ainda não é o veto da Dilma ao Código Florestal que comemoramos. É a vitória contra o veto do governador do Paraná, Beto Richa, ao projeto de Lei que incentiva a implantação de sistemas de produção agroecológica e orgânica pelos agricultores do Paraná. A lei vai garantir uma política de conservação ambiental e de segurança e soberania alimentar e nutricional.

      Beto Richa bem que tentou justificar o veto ao PL alegando a importância econômica do agronegócio, mas a sociedade civil organizada conhece a falácia desse argumento. Quem alimenta o Brasil é a agricultura familiar, que produz 70% dos alimentos consumidos aqui e no entanto está à margem de incentivos fiscais e créditos públicos e recebe assistência técnica feita para dependente químico. Para ser o maior produtor de grãos do Brasil, o Paraná é também o terceiro maior consumidor de agrotóxicos. Ou seja, destroi nossos recursos naturais e adoece agricultores e consumidores para cultivar grãos de

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    • Acabo de retornar de uma visita ao Chile, onde fui conhecer a política habitacional do país e os processos de reconstrução pós-terremoto de fevereiro de 2010. O Chile foi um dos primeiros países do então terceiro mundo a adotar, durante a ditadura de Pinochet, no final dos anos 1970, as fórmulas neoliberais propostas pela Escola de Chicago em vários domínios das políticas, reduzindo, em tese, a intervenção do Estado, promovendo a participação do mercado e focalizando subsídios públicos aos grupos de extrema pobreza. Setores como a educação e serviços públicos foram privatizados, e políticas públicas, como as de habitação, foram reformadas.

      Implementada sistematicamente durante mais de três décadas, inclusive durante os governos da Concertación (coalizão de centro-esquerda), o modelo de política habitacional adotado pelo Chile é quase igual à fórmula do programa "Minha Casa, Minha Vida": subsídios públicos individuais permitem às famílias de menor renda comprar no mercado produtos

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    • Veta, Dilma!

      Ávidos por ampliar as terras cultiváveis, a bancada ruralista e o lobby agropecuário pesado, maioria no Congresso, deram uma banana para o que pensa a sociedade brasileira e os ambientalistas e aprovaram o Código Florestal na quarta-feira passada, 25. Mais grave, a Câmara dos Deputados conseguiu piorar o texto que saiu do Senado, que, basicamente, anistia quem desmatou ilegalmente na última década, deixa grandes áreas que não serão reflorestadas e reduz o que os produtores devem proteger. Ou seja, aprovaram um texto que incentiva novos desmatamentos. Estudo da Universidade de Brasília estima que a nova Legislação poderá aumentar em 47% o desmatamento no país até 2020. O Brasil investe numa agricultura de fronteira, que avança derrubando tudo o que vem pela frente, deixa a terra careca, cria uma paisagem monótona e desumana e que, depois de explorada, está árida.

      Embora a Amazônia seja nossa última fronteira, ela não é a única área ameaçada. Todas as áreas naturais, florestas ou não,

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    • Lixão de “Avenida Brasil”: realidade ou ficção?

      Em "Avenida Brasil", novela do horário nobre da Globo, o público vem acompanhando o drama amoroso de Nina e Jorginho, cujo cenário é um lixão do Rio de Janeiro. Até cena de amor os personagens de Débora Falabella e Cauã Reymond já viveram no local. Seria o lixão de Nina e Jorginho (ou Rita e Batata) ficção ou realidade?

      Infelizmente, nem mesmo na Cidade Maravilhosa os lixões são ficção de novela. Recentemente foi anunciado o fechamento do lixão do Jardim Gramacho, o maior da América Latina, muito conhecido por conta do documentário "Lixo Extraordinário". Finalmente a montanha de lixo de 60m de altura que ocupa uma área de 1,3 milhão de metros quadrados sairá da paisagem do Rio de Janeiro, dando fim ao desastre ambiental que vem causando há varias décadas. Durante mais de 30 anos, todo o lixo produzido na capital fluminense e em mais quatro cidades foi jogado ali.

      Os mais de 1.200 catadores que trabalham no lixão do Jardim Gramacho estão preocupados com o futuro, já que é daquele lugar

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    • Brasil: líder mundial em alimentos envenenados

      Nunca tivemos tanta comida produzida no mundo, mesmo assim um milhão de pessoas passam fome e outro milhão comem menos do que necessitam. A fome é um problema de economia mundial. Em vinte anos, o Brasil tomará dos Estados Unidos a liderança mundial na produção de alimentos. No entanto, 49% dos brasileiros estão acima do peso, sendo 16% obesos, segundo o Ministério da Saúde. A obesidade é um problema de saúde pública, logo, de economia nacional. Por que esse disparate entre a grande quantidade de alimento e a fome e o sobrepeso? Apesar das commodities agrícolas bombarem as bolsas de valores, o sistema alimentar mundial tem falhas, e das grossas: o modo de produção usa recursos naturais de maneira abusiva, o sistema está baseado na industrialização, que artificializa o alimento, e a distribuição é concentrada e controlada por poucos gigantes do setor. Alimentação em quantidade e qualidade adequada e saudável é um direito humano, mas virou artigo de luxo.

      Em seu discurso de posse, no dia

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    • Recebi esta semana estas fotos de um leitor que, passando por uma estrada no Maranhão, deparou-se com este panorama. Trata-se de um conjunto habitacional do programa Minha Casa Minha Vida, construído ao lado de um lixão, na cidade de Santa Luzia, no interior do Estado, que, por sinal, é um dos que mais teve projetos construídos pelo programa. A lógica de produção de casas no terreno mais barato possível leva esses empreendimentos para as terras mais desvalorizadas e, em muitos casos, perto de áreas contaminadas como esta. Com certeza, esse não é o único caso.

      As imagens falam por si, mas não custa lembrar: o processo de produção de habitação que corre a todo vapor em nosso país está completamente desvinculado de um processo de qualificação da produção e gestão das cidades. Falta política urbana e falta gestão urbana. Lixões como este não deveriam mais existir, muito menos conjuntos habitacionais no meio do nada, junto a áreas contaminadas. De um lado, temos municípios precários, com

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    • Menos mobilidade, mais proximidade

      Senhor M é um típico cidadão moderno. Enfrenta 3 horas por dia, pelo menos, para ir e voltar do trabalho. Ele dirige 70 km toda manhã e mais 70 km no fim da tarde, cinco dias por semana. Comprou uma casa num bairro semi rural, na região metropolitana, pelos atrativos de ter um terreno mais amplo por um preço mais baixo. Nos finais de semana ele se recorda que vale a pena ter mais qualidade de vida.

      Mais de Tatiana Achcar
      Ponha-se no seu lugar, transeunte!

      Durante a semana, o Senhor M diz que gostaria de ter mais tempo para sua família, hobbies e vida social. Cada dez minutos a mais no trajeto casa/trabalho significam dez minutos a menos que ele dedica a sua família e à comunidade. Na verdade, mal existe um senso de comunidade, os vizinhos estão tão espalhados pela região que fica difícil fazer planos de se encontrarem.

      Tem também o fator saúde: cada 30 minutos no volante aumentam em 3% o risco do Senhor M ficar obeso. Como ele trafega longas distâncias diariamente, senta-se na cadeira

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    • Na semana passada, a Folha de S. Paulo divulgou, com base em pesquisa realizada na Escola Politécnica da USP, que 25% de toda a área construída da cidade de São Paulo é usada para garagens. Essa situação não é fruto do acaso: a legislação da cidade de São Paulo obriga que todos os imóveis construídos tenham vagas de estacionamento, gerando assim uma espécie de simbiose entre o processo de produção da cidade e a inevitabilidade do modelo de circulação baseado no uso do automóvel.

      Mais de Raquel Rolnik
      Bicicleta: forma de lazer ou modo de transporte?

      Hoje, cada unidade residencial, seja vertical ou horizontal, tem que ter ao menos uma vaga de estacionamento. De acordo com a legislação, nos imóveis com até 200m² de área construída deve haver uma vaga; entre 200m² e 500m², duas ; e, acima de 500m², três vagas. Para imóveis comerciais, a cada 35m² de área construída é necessário uma vaga; em museus, isso se dá a cada 15m² de área construída, e, em hospitais, a cada 50m².

      Mesmo em locais

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    • Cinemas de rua: realidade ou ficção?

      Se você detesta a ideia de precisar ir a um shopping center para ver um filme e morre de saudade dos cinemas de rua, saiba duas coisas: 1. Há milhares de pessoas como você, portanto, não se ache um louco solitário saudosista; 2. Há movimentos fortes em várias cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, que já têm conquistado a preservação e o retorno ao funcionamento de vários cinemas de rua que entraram em decadência a partir dos anos 1980, sucumbindo ao modelo do cinema de shopping.

      Em São Paulo, por exemplo, no próximo sábado (17) — data que marca um ano do fechamento do Cine Belas Artes, na esquina da Rua da Consolação com a Avenida Paulista — será realizado um ato pela reabertura do cinema, às 16h, seguido de uma bicicletada, às 18h. É importante lembrar que a luta pela preservação dos cinemas de rua em São Paulo não é de hoje: em 2004 a cidade aprovou uma lei que concedia uma série de incentivos fiscais à manutenção das salas de rua, mas esta lei foi revogada em 2007. Em 2009, o

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    • Ponha-se no seu lugar, transeunte!

      As mortes de ciclistas na semana passada, três delas na sexta-feira, chocaram. A reação veio logo, com manifestações espontâneas a auto organizadas de ciclistas em muitos cantos do país. As mensagens que circularam nas ruas, nas redes, na imprensa, deixam um recado: não importa se você dirige um ônibus, um carro, se pedala uma bicicleta, usa transporte público ou anda a pé, acima de tudo, você é uma vida e convive com outras vidas.

      As mortes e as manifestações deflagram a crise de um modelo de desenvolvimento urbano que prioriza o bem privado — o carro, a casa própria, a educação particular, o plano de saúde, o lazer de consumo - em detrimento ao bem estar de todas as pessoas, andem elas de bicicleta ou de carro, trabalhem em banco ou pintando muros. Esse modelo que acirra as diferenças com violência diz pra gente, "se vira aí, camarada, porque cada um tem que garantir o seu e dane-se o resto". O resto é tudo o que é diferente de você, é a pedra no sapato para você galgar um lugar ao

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