ATIVIDADES DE AMIGOS

    Putz
    • Um debate oportuno?

      A cada crime bárbaro cometido por alguém abaixo de 18 anos ressurge a campanha pelo rebaixamento da idade penal, como a que inunda agora o Facebook e torna indigesto o café na padaria, a mais tradicional instituição paulista.

      Se dependesse do paulistano, a maioridade penal no Brasil seria reduzida para 16 anos. É o que mostra pesquisa Datafolha. Segundo o levantamento, 93% dos moradores da capital paulista aprovam a ideia. Outros 6% são contra, e 1% não soube responder.

      A pesquisa escancara uma revolta compreensível, em circustância de grande comoção diante de um assassinato brutal. Também abre caminho para o oportunismo com o qual se lançou o governador Geraldo Alckmin ao despachar para o Congresso Nacional projeto que propõe alterações no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

      Às vésperas de ano eleitoral, Alckmin busca um atalho para atenuar a sensação de insegurança em São Paulo, onde o crime recrudesce e a violência policial corre solta, sobretudo nos últimos três anos. Dos

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    • Um papa pra chamar de seu

      É um alívio o papa não ser brasileiro. Essa proximidade com o despachante número um da divindade nos faria entrar num modo “arquivo confidencial” por tempo indefinido. Parentes, amigos de infância, colegas... Todo mundo no Faustão a lembrar o garotinho travesso de bom coração. Fora isso, alguém imagina o que seria aturar a família de um papa? Talvez algo tipo Ronaldinho Gaúcho e Assis. Que inferno.

      Ainda assim, foi divertido imaginar o dia seguinte. Principalmente, pensar no que seria a capa do Zero Hora, já que o gaúcho dom Odilo Scherer dividia a liderança dos papáveis. Um arrebatamento de megalomania gaudéria seria o mínimo. Mas aí veio um argentino, e com ele a melhor manchete, no Olé: “A mão de Deus. Maradona, Messi... e agora Jorge Mario Bergoglio, eleito novo papa.” Os vizinhos superam qualquer expectativa em megalomania.

      Mas como a capital do Brasil é Buenos Aires, dá quase no mesmo, e o Vaticano sapecou o papa Francisco com o recado do que parece ser a fase dois de uma

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    • Quem paga a conta?

      Nada poderia ser mais útil ao projeto que traz a militante cubana Yoani Sánchez ao Brasil do que as demonstrações de intolerância que a recepcionaram em Feira de Santana (BA). Serviu-se ali um prato cheio a quem difunde o discurso de crescente ameaça à liberdade de expressão no país.

      Mas força a barra quem vê como uma atitude antidemocrática o protesto de grupos esquerdistas contra a militante cubana, por mais toscos que sejam. Antidemocrático seria impedir a manifestação – exagerada, é verdade – desse povo, capaz de tirar do sério até mesmo Eduardo Suplicy (PT-SP). A blogueira inclusive chegou a considerar o protesto como sinal de liberdade.

      O que chama mesmo a atenção é a cobertura do tour nos principais veículos da mídia brasileira. É pouco se disser que há exagero. Sabemos de todos os passos de Yoani, mas nem uma linha sobre quem financia o rolê. Não é uma pergunta trivial para quem foi convertida em porta-estandarte da liberdade de expressão no continente.

      Yoani não é uma

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    • Foi mal…

      Não há preconceito racial no Brasil. Tudo não passa de mal-entendido... Esta é a resposta padrão de quem é pego em uma das incontáveis cenas cotidiadas de discriminação, evidência de legado brasileiríssimo: o racismo velado.

      Em São Paulo, a maternidade Santa Joana publica em seu site informações aos futuros pais. Em um dos textos, há dicas para mães que querem alisar os cabelos crespos da filhas: “Muitas crianças nascem com os cabelos crespos ou rebeldes demais. Com a adesão cada vez maior às técnicas de alisamento, algumas mães recorrem a essas alternativas para deixarem as crianças mais bonitas.” Isso, você leu “mais bonitas”. E o que são cabelos “rebeldes demais”? Com a repercussão da história, o hospital retirou o post do ar.

      Em Campinas (SP), policiais da PM que atuam em bairro nobre cumprem a determinação de abordar “indivíduos em atitude suspeita, em especial os de cor parda e negra”. A orientação consta de ordem de serviço assinada pelo comandante do batalhão, e se tornou

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    • Acuados

      Danilo Gentili é um precursor de uma nova legião de humoristas, do tipo que ilumina mesmo o caminho, com uma tocha na mão, rumo à Idade Média. Tem um humor incendiário, sim, mas não o do pega geral, um coquetel molotov iconoclasta para queimar tudo que está aí. Sua fogueira é contra bruxas.

      No twitter, sapecou esta: “E esse dado da Ong Gay aí que '1 gay é morto a cada 26 hs'? 140 heteros são mortos a cada 24 hs. Alguém aí come meu cú [sic] hj? Só por segurança.” Que sacada. Afinal, quantos héteros estão por aí acuados, indefesos, só porque são héteros? Bem politicamente incorreto, nénão? Não, é só preconceito mesmo.

      Talvez as críticas à “piada” estejam levando a coisa a sério demais. Até porque não é um preconceito qualquer. É o preconceito moleque, o preconceito arte, com ginga de mimimi maroto. Tão inocente que, se o drible falha, cai para cavar um penaltizinho. “Vocês não sabem brincar”, grita na área do "politicamente incorreto", esse refúgio do pobre branco hétero indefeso.

      Capaz

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    • Catiripapo

      Ted Boy Marino, morto na última quinta-feira (27), era o Brasil lúdico no talo, sem vergonha de rir de si mesmo numa encenação debochada da luta do cavalheirismo contra a vilania nos ringues de "telecatch". Uma encenação à vera, coletiva, doida. A plateia atingia loucura tão simulada quanto o embate sem nuances entre o bem e o mal. Marmelada? Jamais,  a não ser que os malvados triunfassem — uma vitória breve, pois o bem sempre ganha no roteiro.

      Perdemos muito desse humor ingênuo, quase infantil, sempre dosado com alguma sacanagem. Sexo, no fim das contas, é lúdico. A mistura de "telecatch", com Trapalhões e pornochanchada foi o auge disso na cultura ultrapop brasileira. O italiano Ted Boy esteve no meio dessa zona, o que faz da sua morte algo ainda mais triste. Longe de ser saudosista, mas encaretamos. Estamos nos levamos muito a sério.

      O "telecatch" está em extinção, enquanto o MMA se torna o espetáculo de maior crescimento no país. A galera quer a coisa real, pancada pra valer. Sai o

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    • Tocando em frente

      Circulam na internet imagens do senador Aécio Neves cambaleante, de fala enrolada e dando gorjeta de R$ 100 aos garçons do Cervantes, tradicional fim de noite de Copacabana. A primeira reação é de total incredulidade. Como assim um mineiro distribuindo dinheiro desse jeito? Mas Aécio é um menino do Rio...

      A fama de pegador e baladeiro é endossada por entusiastas e detratores do senador tucano. E é a vida privada de Aécio que se sobressai sempre que seu nome é apresentado como eventual candidato do PSDB ao Planalto. Aécio é quase um príncipe Harry amanhã.

      Se depois dos chopinhos a mais, ele entrou num táxi ou foi de carona para casa, não fez nada de mal. Não repete o mau exemplo do ano passado, quando teve a carteira de habilitação apreendida numa blitz da Operação Lei Seca, também na noite carioca, e se recusou a passar pelo teste do bafômetro.

      A autenticidade do vídeo ainda não foi confirmada. Mas já foi retirado e postado inúmeras vezes no YouTube, o repositório global da vergonha

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    • Calças quadradas

      Sempre ingênuo, Bob Esponja continua alheio aos boatos sobre sua orientação sexual, mesmo dez anos depois de as especulações se tornarem assunto na mídia dos EUA, onde volta e meia é acusado por grupos conservadores de fazer propaganda homossexual. Agora, uma comissão nacional da Ucrânia sobre assuntos para a defesa da moral concluiu que, de tão gay, ele chega a ser "uma ameaça real para as crianças".

      "Tirar do armário" um personagem de desenho animado não é uma tarefa qualquer. Exige dedicação e vocação enorme para fiscal de fiofó. É gente que não brinca em serviço. Aliás, não sabe brincar. A obsessão pelo roxinho fez de Tinky Winky (Teletubbies) e Barney os primeiros alvos da falta de foco de quem "só pensa naquilo".

      Para os críticos, o "problema" do Bob Esponja é ser muito alegrinho. Talvez o incômodo seja o fato de o desenho representar os gêneros fora do que se convencionou como padrão na TV. Bob Esponja é um sujeito sensível e meigo, enquanto a esquilo Sandy, a figura feminina da

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    • #EtaGod

      A entrevista "reveladora" de Rosane Collor ao "Fantástico" não desvenda em nada o passado. É um retrato do presente. Mostra o quanto, apesar de tudo, evoluímos politicamente, inclusive nas aparências. Mas, ao repisar fatos amplamente conhecidos, como os rituais de "magia negra" na Casa da Dinda, também serviu para reforçar preconceitos contra religiões afro-brasileiras.

      É compreensível que Rosane, hoje pastora e adepta da máxima evangélica da "jesuscidência", qualifique o candomblé como "magia negra". Mas o que explica o "Fantástico" embarcar nessa onda de demonização contra religiões de matriz africana? Há dez anos, a Globo exibia "Tenda dos Milagres", em que o protagonista era chegado num terreiro...

      Possivelmente, o "Fantástico" não quer perder o trem. É evidente o declínio do pai de santo, e mais nítida ainda é a ascensão do pastor. O Brasil passa por uma enorme transformação na dinâmica das filiações religiosas. De acordo com o IBGE, entre 1960 e 2010, a parcela da população que

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    • Boi de piranha

      A repórter Mirella Cunha, do "Brasil Urgente Bahia", da Band, está agora do outro lado do garfo e experimenta um pouco de humilhação pública e pré-julgamento, suas ferramentas de trabalho na TV. A moça vem sendo linchada desde que uma de suas reportagens viralizou no YouTube há duas semanas. No vídeo, a repórter esculhamba um jovem detido sob suspeita de estupro, algemado e servido a execração na delegacia.

      A repercussão do caso ganhou novo fôlego depois da carta aberta assinada por jornalistas baianos em repúdio a abusos praticados por programas policialescos, em especial o empregador de Mirella. O documento vai direito ao ponto: a reportagem "motiva questionamentos sobre a conivência do Estado com repórteres antiéticos, que têm livre acesso a delegacias para violentar os direitos individuais dos presos".

      Exato. A reportagem não só joga na vala qualquer noção de ética como afronta princípios constitucionais. Também não é caso isolado. Abusos contra presos desassistidos são a essência

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