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    Relato sobre violência policial em Campinas

    Caros leitores, começo o ano com um relato que recebi de um amigo meu. Quis abrir uma exceção e publicar o este texto pois entendo que uma sociedade democrática é uma sociedade que, sobretudo, cobra seus direitos e fiscaliza as autoridades. Se estas ações são vistas como ameaças, é porque estamos longe da democracia e da civilidade.

    Relato sobre violência policial em Campinas

    Por Henrique Pereira Monteiro

    03 de janeiro de 2012

    "Ao longo do ano passado, o bairro em que moro no distrito de Barão Geraldo, em Campinas, esteve sob presença constante da Polícia Militar. Não demorou para eu e minha companheira Georgia Sarris começarmos a presenciar formas de abuso de autoridade, como abordagens humilhantes de adolescentes. Moramos perto de uma praça que é um dos pontos centrais de tais ações, cujo viés racial e de classe é conhecido. A repetição dos casos começou a nos preocupar. Com o intuito de mostrar a presença de moradores que não se conformariam com abusos, fui até os policiais durante uma batida no final de agosto.

    Apresentei-me educadamente, perguntei do que se tratava e disse que ia permanecer no local para verificar se tudo iria transcorrer tranquilamente. Tal atitude, a de um simples cidadão comum observando os procedimentos de um agente público, algo que deveria ser banal em qualquer regime democrático, gerou imediatamente um turbilhão inacreditável de agressividade. Foi o bastante para que eu fosse intimidado de várias formas ao longo de mais de duas horas, com ameaças de prisão (ilegal) por não portar documento de identidade, por desacato, entre outros exemplos. Deixei claro que estava disposto a denunciar abusos e fiz críticas à estrutura autoritária da PM, mas sempre tratei os policiais da forma mais respeitosa possível. Entretanto, a questão não era de mais ou menos polidez. O problema, na verdade, é que, ao questionar diretamente a PM, atravessei uma fronteira social muito precisa: assim como os jovens pobres que frequentam (ou tentam frequentar) as praças de Barão Geraldo, eu já havia deixado de ser "cidadão" e me tornado um inimigo.

    Depois disso, começou um processo de intimidação pessoal discreta, mas clara. Viaturas passando muito vagarosamente na minha porta, em frente à minha mesa no restaurante, faroletes na minha janela à noite, policiais me encarando em vários lugares do bairro etc. Houve outra batida, em frente à minha casa, que era nitidamente uma provocação, com um policial de braços cruzados, peito estufado, pernas abertas bem diante do meu portão. É claro que não fui lá.

    No dia 29 de dezembro passado, nova batida na praça, desta vez envolvendo um vizinho. Não pude deixar de ir até o local, inclusive para apoiar minha vizinha, companheira de um dos rapazes detidos, que observava à distância. Quando os policiais disseram que iriam levá-los, nós nos aproximamos. Comecei a fazer as perguntas básicas: "Para onde serão levados? Sob qual acusação?" De novo, fui cercado por vários policiais e intimidado de forma truculenta. Provocações variadas se seguiram até que um dos policiais forçou a minha prisão, completamente arbitrária, por "desacato à autoridade". Mesmo depois, provocações e ameaças não pararam.

    O interesse pessoal que tenho em divulgar esta história - preservar a minha segurança e a de minha companheira — já aponta também o seu evidente interesse público. A violência que sofri - até agora - é ínfima para os padrões de ação da Polícia Militar do Estado de São Paulo, como sabem os jovens das periferias, os militantes de movimentos sociais, os ativistas de direitos humanos. No entanto, ela é da mesma natureza e também serve como documento, ainda que em escala reduzida, de processos sociais que nos afetam a todos e devem ser combatidos. Quando se trata da higienização social das cidades, da criminalização do protesto, da expansão do autoritarismo e da policialização generalizada das relações sociais, nenhuma "escala" é pequena o bastante para ser desprezada."

    HENRIQUE PEREIRA MONTEIRO

    Professor, Doutorando em Filosofia pela FFLCH-USP.

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    333 comentários

    • Carioca  •  3 meses atrás
      Querida equipe do Yahoo! é possível alguém usar o mesmo pseudônimo que o meu? Vcs estão ou não atentos para esse detalhe? Agradeço a prestimos resposta. Ass.: Carioca!
    • Razzza  •  4 meses atrás
      Em geral sempre desconfio da ação da polícia, mas se tem algo que confio menos ainda são os testemunhos do pessoal da FFLCH-USP e do IFCH-UNICAMP. Já testemunhei como os estudantes desses institutos provocam a polícia até o ponto de causar sua própria prisão para então posar de perseguido político e ganhar alguns pontos dentro dos partidos em que militam. Entre um PM e um Grilo, meu viés inicial sempre será a favor do policial, embora nenhum dos dois grupos seja realmente confiável.
    • Deborah  •  4 meses atrás
      Graças a Deus que nem todos os PMs se corromperam e que ainda existem homens e mulheres na corporação (MUITO POUCOS, EU SEI, MAS EXISTEM) que ainda honram o juramento de "servir e proteger". Moro no Rio de Janeiro e sei muito bem como alguns desses "defensores da lei" se comportam.Entendo e sei bem que a maioria se corrompe por causa de salários ruins e condições de trabalho frustrantes, insalubres, etc. Mas nada disso desculpa ou torna mais leve a CORRUPÇÃO que a maioria pratica. Pois pra mim é isso que policial que, ao invés de proteger, está ameaçando, faz.Nosso país tem uma justiça falha, leis ultrapassadas para os dias de hoje, e muitas pessoas perigosas que se aproveitam desse cenário.Só me resta dizer que tenho esperança de que um dia nosso POVO perceba que o PODER DE MUDAR é ACREDITAR que NÓS podemos mudar a situação. Somos NÓS que temos que fiscalizar a polícia, como esse cidadão fez!Parabéns ao professor que teve coragem de enfrentar o que julgou errado na sociedade e ao jornalista que publicou o texto. Mas acho sinceramente que o próprio professor, que entende mais de política e sociedade do que eu, poderia ajudar muito mais a sociedade se ajudasse a PM a identi#$%$r seus corruptos, do que escrevendo textos.
    • Lazaro  •  4 meses atrás
      Esse site é muito tendencioso. Apaga muitos comentários!!!!!!!!!
      • Cesar 4 meses atrás
        pelo visto meu comentário não foi publicdo
    • Anderson  •  4 meses atrás
      Então , para mim , a violência policial é mais uma das manifestações de todas estas violências que nos são diariamente inflingidas. A violência policial é o resultado da desintegração da familia , que delega a outros a educação dos seus , e depois quer chorar sobre cadaveres . É o viciado que compra droga , e faz tudo por ela ( inclusive agindo com violência ) e depois quer reclamar da violência . Que alimenta o ciclo de armas , mortes e propinas , e depois quer por na conta da Policia . É o empresário que desconfiado de furto do empregado, "contrata" a policia para pressioná-lo a confessar . Isto tudo também é violência .
      Deixemos de ser hipócritas e vejamos o polical como ele o é : Mais um integrante da nossa sociedade . Ou vcs acham que os policiais são importados ? Nasceram em manicomios ?
      Resumindo : A policia , no Brasil , na estrutura e forma como a sociedade exige, faz um brilhante trabalho : ENXUGAR GELO e atender os caprichos da elite . São os capitães do mato da atualidade .
      • Ivonaldo 3 meses atrás
        Anderson, achei sua análise e observações muito equilibradas e lógicas.
    • Um usuário do Yahoo!  •  4 meses atrás
      Quantas crianças teremos que perder para o tráfico só pro playboy poder enrolar um baseado.
      Esse cara sá está preocupado com a polícia no local interferindo na sua compra de um baseadinho.
      A polícia é mal educada???????? Cada povo tem a polícia que merece, e o governo que merece.
      E esse Walter Hupsel é defensor ferrenho dos maconheiros, ou já esqueceram a defesa que ele fez dos maconheiros invasores da USP????????
    • Lazaro  •  4 meses atrás
      Se ainda temos um pouco de seguranca é gracas a polícia!!! Pq se dependessemos dos nossos governantes, estariamos perdidos!!!
    • Janete Bandida  •  4 meses atrás
      Basta um direito civil de alguém ser imaculado que todos os outros direitos de didadania também o são (Mather Lutter King)
      • Fabiano Wrublewski 4 meses atrás
        janete bandida !! só pode estar presa pra falar asneira
      • Gerimun macaxeira Silva 4 meses atrás
        E O PRECONCEITO DESTE CIDADÃO QUE QUER SER MELHOR APENAS POR SER "DOUTORANDO". É GRAÇAS A PESSOAS PRECONCEITUOSAS COMO ESTA QUE O BRASIL ESTA ASSIM.
      • Gerimun macaxeira Silva 4 meses atrás
        PELO SEU NOME VOCÊ DEVE SER UMA TRA#$%$NTE CARIOCA.DEFENSORA DE MARGINAIS
    • Eletron  •  4 meses atrás
      Aqui na Bahia, tambem não é diferente, existem policiiais, que barbarizam quando estão nas viaturas, é essa policia, que a sociedade quer? batendo nas pessoas honestas, que trabalham, e indiretamente é quem pagam seus salários?
    • Janete Bandida  •  4 meses atrás
      abordagem é uma coisa e outra é abuso de poder. Não vivemos em uma ditadura, acorde, estamos em 2012
      • Gerimun macaxeira Silva 4 meses atrás
        QUANDO ESTE MARGINAIS TE ASSALTAREM E TE ESTUPRAREM QUERO VER VOCE FALAR EM DEMOCRACIA, 2012 E OUTRAS BESTEIRAS
      • ezequiel 4 meses atrás
        PORACASO A BANDIDAGEM E OS ARRUACEIROS FILHINHOS DE PAPAIS IDIOTAS SABEM EM QUE ANO ESTAMOS? QUEM AINDA NÃO ACORDOU FOI VOCE
      • Janete Bandida 4 meses atrás
        Girimum, vá tomar no seu saquinho.
    • E.  •  4 meses atrás
      Quando precisar da polícia ligue 190, 24 horas por dia a sua disposição, faça chuva, sol, frio, está lá, para orientar, livrar o inocente da mão do marginal, para colocar em risco sua vida em prol da sociedade. A PMESP é uma instituição honrada, que pune aqueles que desviam-se de sua missão, é importante ressaltar que aqueles que tem desvio de conduta são poucos. Precisamos em um Estado Democrático de Direito, sempre apontar o que tem de bom, quando criticamos. Fale dos maus policiais, mais saibam que a maioria é gente trabalhadora, honesta e que tem dedicação, são voluntários, estão na policia porque querem, ou seja, porque gostam, caso contrário não estariam, não arriscariam suas vidas. Vamos respeitar os bons policiais que nos defendem.
    • CLAUDIO  •  4 meses atrás
      Sou Agente Público e atuo na área da Segurança, admiro sua coragem, ainda acredito que exercer o papel de cidadão é o caminho para uma sociedade justa.

      "Em toda luta por um ideal criamos inimigos e tropeçamos em obstáculos, mas o ser firme continua sua luta irredutível e caminho do sol."

      Parabéns pela atitude, a polícia justa não deve se intimidar diante da presença de um cidadão, ao contrário, ela deve incentivá-lo no exercícios de seus direitos. Devemos abrir um fórum para esse tipo de debate, coloco-me a disposição para auxiliar naquilo que for preciso.
    • Marco  •  4 meses atrás
      POLICIA? EU ESPERO NÃO PRECISAR! AGORA SE PRECISAR, É DIREITO MEU. SER HONESTA E COMPETENTE É OBRIGAÇÃO . PAGO IMPOSTOS!
    • STRONGER01  •  4 meses atrás
      A SUÉCIA e os N. Americanos usam o meio de COMUNICAÇÃO para melhorar os país em todos os setores. O Brasil o usa para fazer FAMAS e RIQUESAS de ums poucos em detrimento de toda a NAÇÃO.
    • Janete Bandida  •  4 meses atrás
      abordagem é uma coisa e outra é abuso de poder. Não vivemos em uma ditadura, acorde, estamos em 2012
    • danilo  •  4 meses atrás
      A POPULAÇÃO ESTÁ, QUASE TODA, CONTRA ESSES MARGINAIS MALOQUEIROS QUE SE DIZEM ESTUDANTES E PROFESSORES... INVÉS DE MANIFESTAREM CONTRA A CORRUPÇÃO POLÍTICA E A DESIGUALDADE, PERDEM SEU TEMPO MANIFESTANDO A FAVOR DA LEGALIZAÇÃO DA MACONHA E CONTRA A PRESENÇA DA POLÍCIA... TEM QUE DESCER A PANCADA NELES MESMO E TAMBÉM NESSA RAÇA PROSTITUTA E CANIBAL QUE É A IMPRENSA!!!!
    • Isaid  •  4 meses atrás
      Viva a democracia, se fosse nos tempos da ditadura, o professor não estaria vivo, nem o caso divulgado na imprensa. Já é um bom começo.
    • Janete Bandida  •  4 meses atrás
      Por que defender uma instituição poluída como a polícia. Instituição esta que ser profissional é a exceção que confirma a regra. Estamos em um Estado hipócrita, onde ao mesmo tempo que diz e se cria leis contra as descriminações , é racista, violento, tenebroso, corrupto, mentiroso, assassino...
    • sandro  •  4 meses atrás
      É inacreditável a lógica dos comentários que o criticam, caro Henrique. São de um desconhecimento completo da realidade.
    • Stephane  •  4 meses atrás
      Um policial despreparado, é como um vidrinho de nitro-glicerina...
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