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ATIVIDADES DE AMIGOS

    On The Rocks
    • Olhar e ver

      Todos aqueles que dizem que as ideologias estão mortas estão emitindo, eles mesmos, um julgamento ideológico. Por mais que tentem escondê-las numa espécie de "tecnicismo", as decisões últimas, sobre para onde puxar um cobertor pequeno, sempre serão políticas.

      Historicamente, desde a Revolução Francesa, a política foi dividida entre esquerda e direita de maneira a simplificar, para criar atalhos mentais. Claro que há outras dimensões e hoje a que particularmente me interessa é a divisão entre liberais e conservadores. Parece mais interessante porque põe um pouco de lado as discussões sobre economia (não que ela seja menos importante) e foca na questão da moral e dos costumes.

      Durante muito tempo fomos tentados a acreditar que havia uma sobreposição de conceitos, ou mesmo uma certa identidade: os moralmente liberais eram aqueles que  se posicionariam na esquerda (como é em outros países). Nossa jovem democracia veio a mostrar que a crença era um grande erro.

      Depois de cinco eleições

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    • Poder paralelo

      Quem mora em São Paulo tem vivas na memória as imagens dos ataques do PCC em 2006, como retaliação às transferências de seus líderes para presídios de segurança máxima. Também teriam concorrido para os ataques o achaque de policiais a membros do PCC.

      O resultado foram ônibus incendiados, atentados a delegacias e postos policiais, boatos, notícias desencontradas e o pavor nas ruas.  Lembro de ter ficado quatro horas no trânsito saindo do trabalho para ir para casa no meio da tarde, quando o comércio fechou as portas com medo. Um trajeto de meia hora se tornou oito vezes maior, e o silêncio nas ruas era uma coisa assustadora. Não se ouvia buzinas ou música dos carros. Todos concentrados, apavorados, com o pensamento firme de chegar em casa em segurança.

      Depois dos atentados do PCC parece que houve uma espécie de revanche da polícia, que saiu pelas ruas justiçando pessoas, "apagando" antigos desafetos, "limpando" as ruas das pessoas indesejadas.

      De qualquer maneira a "real" história do

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    • Com o berro na mão

      A Bahia está vivendo dias de terror desde a quinta-feira (2) passada, quando a Policia Militar do Estado entrou em greve. Ela reivindica um aumento salarial e que as gratificações sejam incorporadas ao salário. Em cinco dias foram 92 homicídios, mais da metade dos 172 homicídios registrados no  mês de fevereiro de 2011.  Alguns saques e arrastões acontecem nas principais cidades baianas e muitos boatos estão levando a situação ao limite.

      É uma questão bastante problemática se policias e outros serviços essenciais devem ter direito à greve. De um lado, a greve é, possivelmente, o mais eficaz instrumento que os trabalhadores têm para pressionar por melhores condições de trabalho, melhores salários etc... Sem este direito, os trabalhadores são impedidos de serem cidadãos, são condenados à mera existência e ao conformismo.

      Por outro lado, serviços essenciais são... essenciais. Uma greve da polícia, dos médicos do SUS, na qual a adesão seja alta, impacta diretamente na vida das pessoas. E

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    • Com chapéu alheio

      Sabem a cracolândia, né? Aquela região no centro de São Paulo que foi o palco da ação "Dor e Sofrimento" dos governos do Estado e do município cuja a principal meta era, conforme divulgado,  provocar graves crises de abstinências nos viciados em crack para que eles fossem internados, compulsoriamente ou não.

      Leia também:
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      O resultado dela, como muitos anteviam, foi apenas espalhar os viciados pelos bairros do entorno, segundo a própria Polícia Militar . Era claro, desde o começo, que a preocupação não era o viciado, muito menos a saúde pública, e sim expulsar os usuários de uma área que é chave para o governo, chamada de Nova Luz.

      O programa de "revitalização" da Nova Luz é, em suma, mudar a cara da região mudando seus moradores. "Revitalização" é torná-la habitável e habitada por pessoas que possam pagar a alta dos preços. Em suma, "revitalização" é um eufemismo para gentrificação, e para que ela fosse bem sucedida era

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    • Apenas uma plástica

      Entrou em vigor na semana passada o acordo entre o Governo do estado de São Paulo e a a Apas (Associação Paulista de Supermercados) para banir as sacolas plásticas. Com este acordo, os supermercados de São Paulo não precisarão mais fornecê-las gratuitamente aos clientes que deverão levar as suas sacolinhas ecológicas, as ecobags, requisitar caixas de papelão para o transporte ou comprar as mesmas que antes recebia "de graça" por cerca de vinte centavos.

      A preocupação do poder público é louvável.  Sacolas plásticas são mesmo um problema ambiental,  tanto pela sua produção quanto pelo tempo que levam para se decompor, mais de um século, e o impacto destas na natureza é brutal, sendo inclusive responsável pela morte dos animais que as comem.

      Louvada a atitude, a preocupação ambiental do governo, há alguns problemas. Uma boa parte das sacolinhas era reutilizada, servia como lixo de banheiro, de cozinha, servia para que os donos de cachorros (ou alguns deles) recolhessem os cocôs de seu

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    • Pinheiros e Pinheirinho

      Há um prédio na Marginal Pinheiros, São Paulo, que é simbólico do que ocorre no Brasil. A começar pela sua fachada, um neoclássico pastiche que junta Miami com Copacabana num pesadelo que faria Jackson do Pandeiro mudar a letra de sua mais famosa música.

      A fachada não basta para metáfora. Ele tem também "penthouse" (pois é fino "penthouse"),  gigantesca, faustuosa, imponente, avistada de quase qualquer ponto da Marginal, como quem diz: "estou aqui em cima, longe de vocês, acima de vocês".

      Mas ainda há mais: o prédio está embargado, sem moradores, porque a construtora ignorou solenemente as leis de construção da área e fez um prédio bem maior que o permitido (talvez até pela "penthouse"), e ele fica na rota de alguns aviões para o aeroporto de Congonhas, e põe vidas em risco.

      Mesmo assim, sabendo disso, a construtora aumentou sua altura além do permitido, na base do "agora que já ta aí, deixa".

      Pois bem. Se não me falha a memória, isso tem mais de década. Há mais de dez anos o prédio

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    • Tragédia em cinco atos

      Cena um: Os correios entregam uma carta de um traficante para outro, em que combinam estratégias para dominar a boca de um terceiro. Na carta está descrito todo o plano, a logística, quantidade de armamento etc.. Por questão de privacidade (que ainda existe), o carteiro não abriu a carta, simplesmente a entregou ao destinatário como manda o seu ofício.

      Cena dois: Combinada epistolarmente, a ação é seguida à risca, e com êxito. Com um saldo de nove mortos, a boca de tráfico muda de mão.

      Cena três: Momentos depois que a carta foi entregue, aberta e lida, a policia federal dá uma batida na casa do destinatário da carta, sem saber da existência desta. Prende o sujeito,  e dá a tradicional "batida" na casa, a procura de provas. Junta algumas, inclusive a tal carta.

      Cena quatro: de posse de um mandado judicial, a polícia vai e prende o carteiro! Sim, claro, o carteiro por associação ao tráfico. A justiça julga o carteiro e o condena por formação de quadrilha, associação ao tráfico e como

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    • Indústria do desejo

      As mulheres "plastificadas", que puseram silicone nos seios, passaram o réveillon em alerta. A francesa Poly Implant Prothèse (PIP), com clientes espalhados inclusive no Brasil, há anos vinha usando em suas próteses mamárias silicone industrial, mais barato (e lucrativo, portanto) que o produto adequado e cuja probabilidade de vazamento é elevada, com sérios riscos à saúde da mulher.

      Após o pânico inicial, a corrida ao telefone e aos consultórios médicos, àquelas mulheres que tem o implante da PIP restou a dúvida: Quem vai pagar pela troca da prótese?

      Na França o governo decidiu que os custos serão do sistema de saúde. Todas as mulheres com aquela prótese poderia trocá-la sem custo financeiro algum. Aqui no Brasil houve um pequeno debate. Alguns sugeriram que o SUS arcasse com as despesas desde que a cirurgia tivesse sido reparadora e não "meramente" estética. O texto de Maira Kubik é preciso na defesa de que o Estado brasileiro pague as trocas, independente do motivo da cirurgia.

      Que

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    • Responsabilidade seletiva

      Os comentários que recebi ao meu texto sobre a barbárie empreendida pelos governos de São Paulo na "cracolândia", que foi perfeitamente batizada de "dor e sofrimento" (e isso é bem revelador do caráter da operação) variavam do puro obscurantismo fascista até respostas que tentavam, ao menos, serem racionais.

      Sobre o primeiro grupo não me manifesto, pois não há nenhum argumento que possa convencer os bárbaros da sua barbárie. Não rezo para infiéis.

      Se o primeiro é autoritário e fascista, o segundo vai numa linha ultra-liberal, flertando o libertarianismo tão em voga ultimamente (basta ver o Tea Party e alguns candidatos do Partido Republicano). É um argumento ético-financeiro que se baseia na questão da responsabilidade e dos custos.

      Funciona mais ou menos assim: Eu não quero arcar com os custos das escolhas individuais. Se as pessoas escolherem isso, elas que arquem com os custos, sejam financeiros, sejam de saúde, sejam legais-policiais ou mesmo, em sua última instância, carcerário

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    • Cidade e cidadãos invisíveis

      Eu ia escrever sobre como os políticos brasileiros já foram mais espertos em esconder seus reais interesses por trás de algumas atitudes, operações e decretos. Quase sempre eram travestidos em nome do "interesse público", de "bem comum".

      Ia escrever sobre a tortura (sim, TORTURA) que o governo e a prefeitura de São Paulo estão aplicando na população da Cracolândia que visa infligir "dor e sofrimento" nos viciados. Induzir a uma brutal síndrome de abstinência para que estes "busquem" ajuda, larguem do vício.

      É uma idéia tão idiota que nem saberia por onde começar. É bastante óbvio que a preocupação dos poderes públicos não é com a saúde pública, com os viciados que se tornaram praticamente zumbis.

      A operação feita durante esta semana, com bombas de gás lacrimogênio, tem apenas a intenção de limpar a área da cracolândia e "revitalizar" o entorno. Por "revitalizar" entendam o processo de gentrificação, uma bonita palavra para expulsar os pobres e indesejados de um local pra valorizar o

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