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ATIVIDADES DE AMIGOS

    On The Rocks
    • A volta da política

      A julgar pelos últimos números das pesquisas eleitorais, o pleito está praticamente decidido. Claro que ainda há água a passar por baixo da ponte (como demonstra o recente episódio de quebras de sigilo envolvendo a Receita Federal) e eleição só se decide mesmo na contagem dos votos. Mas, em que se pese tudo isso, para o meu argumento, não faz diferença.

      Parto da ideia de que a coligação PT-PMDB vai levar esta eleição presidencial, e isso possivelmente acontecerá no primeiro turno. Quero, aqui, analisar as consequências disto. Se não ocorrer a vitória no primeiro turno, ou mesmo se a coligação for derrotada, o cenário será outro, e este texto fica como aquele gol perdido no meio de uma partida: "se nós empatássemos naquele momento, o jogo seria diferente, não tomaríamos 4 gols".

      O primeiro ponto a levantar é que esta será a primeira eleição presidencial após a redemocratização na qual Lula não é candidato. Desde 1989 o PT é Lula, agora não mais. Se esta eleição pode ser encarada como

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    • Poder e dinheiro

      Escolher um tema pras minhas colunas é sempre difícil, tentar juntar interesse, relevância e em áreas que acho que posso acrescentar algo, a divulgar problemas, levantar discussões. Hesito, ponho em dúvida a relevância, ou penso ser uma coisa batida, que não acrescenta ou divulga nada. Como estamos em plena corrida presidencial, nada mais natural e inercial que tratar de eleições, política em geral.

      Sim, tem temas que se impõem na agenda. Mas falar ainda mais… sobre o que? Eis que eu estava escutando Punk Rock Song, do Bad Religion, cuja estrofe diz  "10 milhões de dólares em uma campanha derrotada/20 milhões famélicos se contorcendo de dor".

      Perfeito. Eleições e Bad Religion deram o vetor: gastos e financiamento das campanhas políticas.

      Segundo pesquisas, o gasto legal nas campanhas eleitorais no Brasil, somadas as de 2008 e 2010, gira em torno de R$ 5 bilhões.  Sim, caro leitor, BILHÕES de reais, numa estimativa conservadora (há bastante controvérsia entre os estudiosos do tema, mas

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    • A morte da política?

      Na semana passada falei sobre a falta de debate que, por enquanto, parece ser a regra desta eleição. Os temas, as conversas, foram mais enfadonhas que eleição de síndico de prédio. As discussões eram sobre perfumarias, sobre acessórios, e nenhum assunto estrutural foi debatido. Era um tal de egolatria pra lá, egolatria pra cá: "eu vou fazer", "eu vou resolver", "eu vou incentivar"… Era, de fato, a escolha de um administrador, de um gerente, e não de um estadista.

      Agora tratarei do mesmo tema, visto de uma outra perspectiva: os candidatos aos cargos proporcionais, os deputados estaduais e federais. Assisti estupefato a estes dois dias de programa eleitoral "gratuito". Foi um festival de "eu vou cuidar disso", "eu vou cuidar daquilo". O leitor pode, ao seu bel prazer, substituir o isso e o aquilo por qualquer tema. É um desfile de figuras dantescas prometendo salvar o mundo, usando de chavões e assuntos genéricos na tentativa de seduzir o eleitor.

      "Vou cuidar das crianças, contra a

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    • Temas espinhosos

      Tinha a impressão que este processo eleitoral seria um dos mais baixos desde 1989, quando da descarada adesão da imprensa a Fernando Collor de Mello, o jovem e desportista "caçador de marajás", que trouxe momentos antológicos da TV brasileira, como a edição de debate entre os presidenciáveis.

      O debate da Bandeirantes, na semana passada, passou longe dessa expectativa. Na verdade foi o oposto: frio, técnico, quase moribundo, exceto pelas intervenções autênticas de Plínio de Arruda Sampaio. Os outros debatedores, principalmente os dois que ocupam a liderança do pleito, não se arriscaram uma linha a frente dos scripts feitos pelos malfadados "estrategistas" e publicitários.

      Por isso mesmo as conversas entre eles parecia fora de tom e de propósito, e com temas pouco relevantes. E acho que isso foi o pior do debate, os temas, e não as performances. Pouco, ou nada, se discutiu  das questões estruturais, dos juros, das necessárias reformas, do papel do Estado na economia ou das questões

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    • Minoria e maioria

      Alguns temas são de tamanha importância que merecem dedicação perene e atenção redobrada. Normalmente perpassam ciências e objetos, podendo ser enxergados nas mais diversas manifestações sociais. O tema das minorias é um deles. Em uma síntese extrema, e apenas para efeito de análise, existem dois meios de se observar uma sociedade: como um todo, um ser orgânico em si mesmo; ou a partir das clivagens, das diferenças, dos atores que se movem em sentidos contraditórios, como fragmentos.

      Na primeira corre-se o sério risco de cair na idéia totalizante que pode levar a um autoritarismo em nome da uma abstração social. É o que ocorre, por exemplo, quando lemos frases como "os interesses da nação brasileira" ou qualquer coisa do gênero. A outra opção é entender que não existe a tal "nação brasileira", que esta não é nada além de uma soma infinita de vetores em eterna luta, que formam nação e valores sempre transitórios e efêmeros. Se é assim que procedemos, vemos que em cada assunto, cada

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    • ‘Telma, eu não sou gay’

      Acho que certas coisas não devem sequer serem ditas e a nenhum leitor do Yahoo! deve, ou deveria, interessar a minha vida. Não sou celebridade, nem aspirante, e também acho meio estranho a cultura midiática de se consumir notícias frugais sobre pessoa X ou Y. Não consigo entender, mesmo, a curiosidade das pessoas em saber se um ator foi a uma praia num domingo de sol ou se tirou meleca do nariz enquanto dirigia.

      Assim sendo, mesmo sob forte bombardeio carola sobre meus textos e minhas opções políticas, resisti a falar qualquer coisa sobre mim. O relevante vocês sabem pela minha biografia: cientista político, professor universitário, adoro música boa e sou doente pelo decadente (valeu, meus cartolas!) Esporte Clube Bahia! Um dia hei de ver esta situação resolvida.

      De resto, não sei porque teria valor a informação. Mas achei oportuno usar este espaço aqui para fazer uma pequena, mas importante, reflexão: como as pessoas agem e raciocinam por uma concepção tacanha de "autointeresse".

      Numa

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    • Lição argentina

      Escrevo esta coluna de Buenos Aires. Em meio a muita carne, vinho e mais vinho, sem esquecer dos sorvetes e doces, me ponho a escrever sobre o casamento gay que aprovaram aqui, na semana passada, e sobre as diferenças entre o Brasil e a Argentina.

      Se antes já tinha inveja dos hermanos pela sua capital, acrescida com a decisão de punir seus torturadores, a despeito da anistia, agora os invejo ainda mais pela aprovação do matrimônio homossexual.

      A Argentina é o primeiro país da América Latina a aprovar o casamento gay.  Com isso, casais com pessoas do mesmo sexo terão aqui direitos iguais àqueles formados, como diz a nossa Constituição, por homem e mulher.

      Além de garantir os mesmos direitos nas uniões, a idéia de que os gays podem casar traz em seu bojo a necessária isonomia entre cidadãos que, até agora, eram tratados de maneiras desiguais. É um símbolo que eles deixarão de ser considerados cidadãos de segunda classe. Na Argentina.

      É uma grande conquista, pena que ao sul do Chuí. No

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    • Heteronomia cultural

      Terça-feira desta semana o parlamento francês aprovou a proibição da burca em locais públicos. Bélgica e Espanha caminham no mesmo sentido. Em pauta, a velha discussão sobre o que devemos aceitar como normal e o que devemos abominar. Tema delicadíssimo e cheio de nuances no qual qualquer resposta corre risco de ser oca e preconceituosa. Ao mesmo tempo, é encantador, justamente por isso; mexe com nossos valores e nos coloca contra a parede, a refletir. Toda resposta, nesta situação, é necessariamente falha, transitória, cheia de porosidades.

      Mas isso não pode nos afugentar, ao contrário,  deve nos impelir a reflexões cada vez mais, cada vez maiores, e talvez, cada vez mais porosas. O caso da burca é, no limite, uma discussão conceitual de liberdade e dos limites do poder do Estado e, ao mesmo tempo, um teste sobre o absolutismo e  relativismo cultural.

      Nós, criados na tradição liberal ocidental, achamos, por princípio, um absurdo o uso de um véu, principalmente aqueles que cobrem todo o

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    • Pela erotização do futebol

      A partir de hoje, minha coluna muda de dia e de peridiocidade. Ela será publicada às quintas-feiras, semanalmente, em vez das terças quinzenais. Escrevo ainda na ressaca do fim da Copa da África do Sul para a seleção brasileira. Então, como coluna inaugural, escolhi fazer a minha parte e falar um pouco sobre o escrete canarinho.

      Alguns fatos marcam de maneira inequívoca o fim de uma era e o começo de outra. Na história, chamamos os intervalos entre estes fatos de Idade. Assim, a queda de Constantinopla teria marcado o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna, e a Revolução Francesa decretou o fim desta e o início da nossa época, a Idade Contemporânea. Esses fatos são simbólicos e servem como portadores de novos valores que começam a se espalhar, a dominar as consciências.

      Quero aqui propor duas datas que para mim são simbólicas também: 1982 e 2010. Alguma publicação inglesa, se não me engano, fez uma lista dos dez maiores perdedores do esporte, o que, para ela, significa aqueles

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    • O Estado Executor brasileiro

      Somos um povo cordial, mas bastante violento, e duas são as maiores causas de morte no Brasil: o trânsito e a violência urbana. Sobre o primeiro pouco ou nada tenho a falar e para a diminuição dos números a receita parece ser meio óbvia: aumento da fiscalização.

      O segundo já é um tema espinhoso, muito mais complexo e que mexe com muitas paixões. Durante muito tempo o pensamento progressista evitou encará-lo, atrelando mecanicamente a violência com a absurda concentração de renda que temos. Assim, com resposta fácil e automática, o tema não teve a atenção devida, era quase que uma mera consequência de uma estrutura social espúria.

      Enquanto o pensamento da esquerda brasileira repetia mantras vinculando a violência à desigualdade social, a direita em geral pedia mais e mais punição aos crimes, vociferavam acusando nossas leis de serem frouxas, pediam mais rigor e mais anos de reclusão para os crimes, até mesmo pena de morte.

      A pena de morte já existe no Brasil, nosso Estado mata, e mata

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