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ATIVIDADES DE AMIGOS

    On The Rocks
    • Por um Estado ateu

      Ainda vivemos no século 19. Esta é a conclusão a que posso chegar quando, no primeiro respiro do novo governo, aparecem declarações de setores da Igreja Católica cobrando que a presidenta "explique melhor" o que pensa de assuntos caros à ordem eclesiástica, e o arcebispo primaz do Brasil dá um prazo de cem dias para Dilma "mostrar a que veio". A título de provocação, poderíamos perguntar "se não, o que?"

      Antes que alguém objete a minha colocação, dizendo que eles têm direto de falar em público, respondo que sim, eles têm direito. Entretanto, em se tratando de autoridades eclesiásticas, suas opiniões devem ser vistas como da instituição Igreja Católica, e não do fulano A ou B. Ou seja, nem bem começou o novo governo e a Igreja Católica já faz ameaças à presidenta, com a grande mídia dando repercussão ao caso.

      A luta política se desenvolve em vários campos, em especial no simbólico e no semântico. Sempre se fala em Estado laico, que é aquele que não tem uma doutrina religiosa como norte.

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    • Saia Justa

      A atriz, apresentadora e pretensamente feminista Maitê Proença (aquela que conclamou os "machos selvagens" para que salvassem o Brasil de Dilma Rouseff) tem uma pensão vitalícia de 13 mil reais por ser filha de funcionário público e solteira. Está na lei, e, friamente, ela tem direito ao nosso dinheiro de contribuinte.

      A SPPrev, autarquia vinculada à Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, tentou suspender o benefício em 2009, com base em um trecho de um livro de Maitê dizendo que tinha vivido em relação estável por 12 anos. A declaração deveria ser suficiente para excluí-la da categoria "solteira", no entendimento da SPPrev. Numa decisão em meados do ano passado, a Justiça brasileira suspendeu a decisão da autarquia e concedeu o direito à pensão para a Srta. Proença.

      A lei complementar de 1978 garante o direito à pensão paras as filhas solteiras de servidores públicos, desde que não se casem nunca; em se unindo em matrimônio, perdem a pensão. Não há outra palavra exceto

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    • Filho bastardo da ditadura

      Os nefastos anos da ditadura deixaram vários legados no Brasil. Podemos falar em atrofia da sociedade civil, que só agora começa a recuperar timidamente seu papel; em um certo autoritarismo do poder público (que se foi não cria do período militar, foi por ele estimulado) como bem mostra a atitude do prefeito de São Paulo de expulsar os artistas de rua e proibir doações a eles, com o argumento de proteger a ordem pública e evitar assaltos (está virando recorrente demais a velha expressão "é pro seu bem", como se nós não soubéssemos, infantis que somos, o que é pro nosso bem), e uma herança que passa quase despercebida e é tão deletéria quanto as demais: o PMDB

      A origem do PMDB remonta à ditadura militar e ao AI-2, ato institucional promulgado em 1965 que extinguiu os partidos políticos existentes e criou o bipartidarismo: de um lado os defensores do golpe, reunidos na Arena (Aliança Renovadora Nacional); de outro, políticos das mais diversas matizes (liberais, centristas e até mesmo

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    • E la nave vá

      O ano de 2010 está acabando e junto com ele os 8 anos de governo Lula, que segundo pesquisa da CNT/Sensus termina o mandato com o recorde histórico, e mundial, de 87% de aprovação. Lula tem aprovação maior que pessoas como Nelson Mandela (82%), líder histórico da luta contra o Apartheid na África do Sul que depois de passar 28 anos na prisão se tornou o primeiro presidente negro do país, e Franklin Roosevelt, presidente estadunidense que pegou um país destruído pela crise de 1929 e, depois de três eleições, morreu no exercício do cargo no fim da II Guerra Mundial, entregando os EUA como uma nova potência mundial.

      Que o governo teve méritos enormes, a imprensa mundial não cansa de falar: recorde de pessoas que saíram da pobreza e hoje são o motor do crescimento econômico brasileiro; diminuição da miséria; fim da dívida externa (o que é muito simbólico para um país que por décadas dependeu de empréstimos de instituições financeiras internacionais, que, quase sempre, era acompanhado por

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    • Entre a cruz, a espada e o dinheiro

      Na coluna da semana passada usei dois exemplos de liberdade de empresa pra mostrar que, muitas vezes, esta age contra a liberdade dos cidadãos. A ATEA tentou veicular suas mensagens em ônibus em Salvador e Porto Alegre e não conseguiu, pois as empresas responsáveis por esta forma de publicidade se negaram a fazê-las com base em um argumento pífio. O que se extrai daí é que mercadologicamente falando, a liberdade de empresa se configura como a liberdade da maioria e, assim, pode ser entendida como uma tirania da maioria.

      Desde o início das discussões sobre a democracia moderna, a regra da maioria sempre inspirou preocupações dos analistas justamente por sua tendência a se transformar em uma ditadura da maior parte sobre uma menor. Este temor se justifica: a pior forma de tirania é aquela cujo o tirano não é um, o soberano, o partido, mas quando ele é vários, quase todos.

      É isso que ocorre em algumas manifestações de racismo, de segregação, como nos Estados Unidos. A parte branca é a

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    • Livre expressão… de quem?

      As ciências, todas elas mas em especial as humanas, partem de uma concepção apriorística de uma série de axiomas que possibilitam analisar um fato. Em geral, a economia acredita na existência de um mercado natural  tão longevo quanto o homo sapiens, até por ser consequência deste. Assim, existe homem, existe troca, existe mercado.

      O mercado natural, com o passar do tempo, vai assumindo uma existência quase divina, metafísica. É uma entidade que se regula sozinha, que aloca perfeitamente os recursos disponíveis e, deixada totalmente livre, carregaria os homens ao nirvana.

      Dessa maneira está criada a identidade entre mercado e liberdade. Não interessa o quanto os fatos insistam em demonstrar o contrário, com crises e mais crises da economia liberal, a concepção apriorística sempre volta, acusando a economia de não ser liberal o suficiente para a redenção de todos os males.

      Nesta semana tivemos dois exemplos de o quão podemos identificar mercado e liberdade. A revista "Time" fez em seu

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    • O povo contra Julian A.

      Não conheço quase nada de Julian Assange e um pouco sobre o WikiLeaks, uma organização sem fins lucrativos que está abalando o mundo. (Ah, o site não entra? Então, tente este). Em síntese, Julian A. é o fundador do site, existente há quatro anos, que divulga informações sigilosas de suposto interesse público.

      Depois de divulgar, sem muita repercussão, alguns documentos da guerra no Iraque, o WikiLeaks vazou cerca de 250.000 documentos de comunicação entre embaixadas dos Estados Unidos. Foi o bastante para que uma implacável caçada ao site e ao seu fundador fosse empreendida globalmente.

      Por isso o primeiro link não funciona mais. O site era hospedado em um servidor da Amazon, que, com a repercussão do caso, resolveu tirá-lo do ar. Depois disso, o PayPal, site de transações financeiras, também passou a boicotar o WikiLeaks, impedindo assim que doássemos dinheiro para este por meio dos seus sistemas.

      Mais implacável ainda, as bandeiras Mastercard e Visa, que tinham contrato com a

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    • Direitos humanos, dever do Estado

      Valores pessoais e crenças são testados, definitivamente, em situações limites ou extraordinárias. Na normalidade, no cotidiano, é fácil (e confortável) se manter em premissas já estabelecidas, na segurança inconteste. Quando a situação muda, radicaliza, e somos confrontados com o diferente, aí vemos o quão resistentes são os nossos valores ou o quanto mudam de acordo com novos elementos.

      Nesse possível trajeto de mudança, a tendência é a adaptação das crenças. Ficamos com uma parte que nos interessa e jogamos fora outra parte, adaptando e mutilando, convenientemente. Além disso, esses valores também estão sujeitos aos nossos preconceitos e interesses, a quem nós discriminamos e a quem nós apoiamos.

      É nesta lógica que aparecem vozes, aqui, acolá e em todos os lugares, contrárias aos (chamados) direitos humanos.

      Quase sempre com chavões automáticos, desprovidos de qualquer filtro intelectual, as vozes em uníssono clamam por sangue, pela vendetta. Essa turba é facilmente reconhecida e

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    • Isto não é uma guerra!

      O Rio de Janeiro vive dias pertubadores desde o último domingo. Nos últimos cinco, a sopa de letrinhas  (ADA e CV, respectivamente Amigos dos Amigos e Comando Vermelho) que domina o tráfico resolveu aterrorizar os munícipes e o poder público da cidade e do estado e implantar o terror. Por enquanto são mais de 25 mortos e cerca de 40 veículos incendiados. Milhares de alunos prejudicados, pessoas voltando para casa mais cedo e com muito medo, mais do que o normal.

      Ao que tudo indica, esta foi a reação de um tráfico acuado, imprensado pelos neo-traficantes milicianos e pelas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadoras). Perderam boa parte do seu faturamento e, por isso, se uniram contra o inimigo comum, para reaver áreas que estavam antes sob seus controles.

      Se por um lado isso significa que as UPPs estão dando realmente certo, por outro indica a falta de uma política de segurança pública, estruturante, global, que enfrente os problemas de não maneira pontual, mas nos múltiplos sentidos e

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    • Ação e reação

      Esta foi uma semana assustadora. Três fatos não-tão-isolados-assim irromperam nos noticiários e nas redes sociais. A Universidade Mackenzie, por meio de seu chanceler, lançou um "Manifesto Presbiteriano sobre a lei da homofobia", no qual defende o rigor e a atemporalidade de alguns trechos (cuidadosamente escolhidos) da bíblia, ao afirmar, textualmente, que os direitos civis dos homossexuais não observam o "interesse público", além de confundir propositadamente liberdade de expressão e homofobia.

      Um pouco antes disso, não muito longe dali, um grupo de jovens agrediu um casal de namorados do mesmo sexo na avenida Paulista. O motivo da agressão, segundo o pronunciamento do advogado de defesa do grupo de garotos, foi uma paquera dirigida a um deles. Em que pese que a versão da defesa soa estranha, mentirosa talvez, uma pessoa foi parar no hospital por UMA PAQUERA.

      Por fim, e mais grave, pois veio de agentes do Estado, dois militares atiraram contra uma pessoa que saía da parada gay do Rio

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