A Bahia está vivendo dias de terror desde a quinta-feira (2) passada, quando a Policia Militar do Estado entrou em greve. Ela reivindica um aumento salarial e que as gratificações sejam incorporadas ao salário. Em cinco dias foram 92 homicídios, mais da metade dos 172 homicídios registrados no mês de fevereiro de 2011. Alguns saques e arrastões acontecem nas principais cidades baianas e muitos boatos estão levando a situação ao limite.
É uma questão bastante problemática se policias e outros serviços essenciais devem ter direito à greve. De um lado, a greve é, possivelmente, o mais eficaz instrumento que os trabalhadores têm para pressionar por melhores condições de trabalho, melhores salários etc... Sem este direito, os trabalhadores são impedidos de serem cidadãos, são condenados à mera existência e ao conformismo.
Por outro lado, serviços essenciais são... essenciais. Uma greve da polícia, dos médicos do SUS, na qual a adesão seja alta, impacta diretamente na vida das pessoas. E quando falo vida é vida mesmo. Já temos 92 vítimas. Longa e penosa discussão de como aliar o direito à greve sem transformar a população em refém.
Mas o caso na Bahia foi bem além de discussões sobre justiça, legitimidade e direito à greve. Todas as fontes dizem que o caos em Salvador foi provocado pelos policiais militares, que tomavam ônibus, fechavam avenidas importantes e, de arma em punho, tocavam o terror.
A boataria que fez lojas fecharem, escolas adiarem as aulas, também teria sido incentivada por PMs à paisana, tudo para instaurar um clima de imensa insegurança na população, de pânico, para pressionar o governo do estado a atender às reivindicações.
A situação se radicalizou com as ordens de prisão dos lideres dos grevistas, responsabilizados pelos caos e pavor que tomou conta do estado, pelas ações criminosas que policiais praticaram ao longo dos cinco dias. Os policiais agora ocupam o prédio da Assembléia Legislativa do Estado, e estão sitiados pela Força Nacional de Segurança, pela Tropa de Choque e também pelo Exército. A tensão sobe a cada instante. Há notícias de alguns feridos.
A negociação está emperrada. Os grevistas querem anistia, inclusive para os criminosos.
Aqui precisamos separar os grupos, independentemente do que achemos do direito à greve. Uma coisa é negociar essa anistia aos policiais que entraram em greve, que não foram trabalhar, que pediram melhores condições de trabalho, aumento salarial.
Anistiar aqueles que saíram às ruas com armas em punho, que praticaram verdadeiras ações de terror para assustar a população, que usando de prerrogativas das forças de segurança trabalharam para a insegurança, praticaram crimes contra a população, causaram pânico e até morte, é se colocar voluntariamente como refém deles.
Se acontecer isso, caso anistiem este comando que agiu de maneira criminosa, está dado o salvo conduto para a Polícia Militar. Legitimaremos e endossaremos, assim, aquilo que eles sempre acharam: que estão acima da lei.

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