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    Pequena Miss Sunshine

    Todos os pais acreditam ser a sua prole o suprassumo da humanidade. São os filhos mais bonitos do mundo, inteligentes demais para idade, talentosos com a bola. É normal, chama-se corujice, e lá no começo da humanidade deve ter sido importante para proteger os filhos e garantir a existência da espécie.

    Até aí tudo bem. Até é fofo ver os pais babarem por seus filhos e nos bares enaltecerem as qualidades deles, como já declinam verbos de maneira correta, como a meleca é mais verdinha. Mas tenho a impressão que isso vem passando dos limites do razoável. Já tinha me chocado com um programa sobre concursos infantis que passa em um canal de TV a cabo. As meninas se vestem, desfilam, respondem a perguntas como se fossem verdadeiras mulheres, candidatas a miss universo em potencial. Tem até concurso de talentos.

    Desde o primeiro instante aquilo me chocou. Achei bizarro como mães e pais projetam nos seus filhos sonhos que povoaram as suas mentes quando eram jovens. A criança, parece, passa a ter o mesmo sonho dos pais, procura corresponder às expectativas nela depositada.

    A cada episódio, chororôs e acusações de manipulação de resultados. Frustrações, muitas frustrações. A esta altura já não se sabe mais quem é a pessoa mais triste, a mãe — ao tomar contato com a realidade de que algumas pessoas (tolas, claro) não acham a filha dela a mais bonita, talentosa, simpática e inteligente de todo o mundo — ou a criança, que de tanto elogio parental, passou a acreditar nas mesmas coisas que a mãe.

    Até aqui tudo bem, diria um filme. Mas, segundo a velha e pétrea Lei de Murphy, nada é tão ruim que não possa piorar.

    Ao depositarem seus sonhos e desejos nas costas dos filhos, os adultizam precocemente. Acham, por exemplo, normal seios postiços em crianças de quatro anos. Querem as transformar em verdadeiras mulheres de 4 anos de idade. Ou, ainda, pôr botox na belezura de 8 anos de idade e dar cirurgias plásticas de presente para adolescentes.

    Não se questionam padrões, se submetem a eles. Não se questionam padrões, submetem a eles suas lindas filhas. Temos, assim, toda uma geração de crianças hipersexualizadas (correspondendo aos desejos dos pais) e extremamente frustradas por não conseguirem correspndê-los.

    Jogadas desde cedo num mundo brutal e hipercompetitivo, o que será delas? O que, de fato, estamos criando?

    Como você se sente ao ler este artigo?

     

    352 comentários

    • Yujin  •  5 meses atrás
      Contrariando o texto, a Silvana ali embaixo disse que são as crianças que querem ser adultas. Em certa parte ela também tem razão. Mas não se deve esquecer que esse desejo delas vem justamente do modo como os pais as tratam. Alguns pais as tratam de igual pra igual. Um pai por exemplo incentiva seu filho a ser namorador e dizer que tem 2 namoradas na escolinha. A mãe briga com a filha como se fossem duas coleguinhas. É esse tipo de conduta dos pais que polui a mente das crianças levando a um comportamento duvidoso e bizarro para a idade.
    • dada maravilha  •  5 meses atrás
      ISSO COMEÇOU NOS ESTADOS UNIDOS(SÓPODIA SER DE LÁ) OS PAIS QUE ACEITAM ISSO, QUEREM GANHAR DINHEIRO MOLE USANDO SEUS FILHOS. QUE VALORES TERÃO ESSAS CRIANÇAS. E QUANDO A BELEZA SE FOR? É MUITO, MUITO PREOCUPANTE...
    • Blueman  •  5 meses atrás
      Pois é... Certos pais perdem tanto tempo (próprio e dos filhos) projetando e idealizando seus sonhos através de seus filhos ao invés de usar desse tempo precioso para ensinar coisas realmente importantes, tais como: boa educação moral e ética (humildade, sinceridade, honestidade, vestimentas e linguajar adequados, caridade, conhecimentos secular - úteis - e espiritual) que seguirão para o bem de seu filho para sempre!
    • Eduardo  •  5 meses atrás
      Questões filosóficas:
      1-Que mundo vamos deixar para nossos filhos?
      2-Que filhos vamos deixar para nosso mundo?
      3-É mais fácil fazer um nenê ou um adulto?
      4-Qual o melhor caminho pra a vida familiar e social: o da competição (concursos, provas, etc.) ou o da colaboração (mutirões, ajudas, etc.)?
      5-É importante a regulamentação da mídia?
      6-Quem ou o que define os "limites" da educação?
    • Um usuário do Yahoo!  •  5 meses atrás
      as crianças submetidas a essa prococidade, perden a liberdade de se auto desenvolverem, tornando-se a medio e longo prazo, criaturas reclusas e até indignadas. pablito.
    • Matheus  •  5 meses atrás
      Na verdade o que o artigo inspirado do Hupsel quer dizer, é que hoje em dia as crianças, jovens estão muito mais confusos em relação ao profissional que vão se tornar, quero dizer, sempre tiverem esse dilema, isso não é novidade, mas a partir do momento em que os pais passam a opinar o jovem se sente submetido a fazer aquilo, praticamente intimidado, e isso é um fato que não tem como discutir. Olha, não sou pai, mas entendo que o amor paterno é algo que supera tudo, e sei que o mercado está com certeza mais limitado, e a vontade de ver seu filho tendo sucesso profissional é muito grande, mas essa vontade as vezes é tão abusiva que acaba deixando de ser saudável para doentio, e isso pode prejudica o futuro de um adolescente que não teve opções na vida, tendo em mente que, como dizia o magnífico Raul Seixas - "O respeito pelos pais só resiste enquanto os pais respeitem o interesse dos filhos..."
    • patricia  •  5 meses atrás
      Eu lembrei agora de um programa de tv q passou a 10 anos atrás q exibia domingo à tarde fotos de mulheres nuas c/ as tais "estrelinhas" nas partes.Ficava pensando qtas milhões de crianças não estavam vendo aquilo por causa do dia e horário, e ninguem tomava nenhuma providência pra tirar aquilo do ar, afinal a tv aberta é concessão do Ministério das Telecomunicações, então deveria seguir normas.A propósito:era no sbt e apresentado pelo Gugu, q hje tem 3 filhos e certamente não deixa seus filhos verem tais baixarias.
    • Osmar  •  5 meses atrás
      Coberto de razão, fazer o quê? coisas do ser humano.
    • FALA SÉRIO  •  5 meses atrás
      A grande maioria dos pais de filhos pequenos , que conheço, já perderam o senso de ridículo há muito tempo; os filhos são materialistas ao extremo, são chatos , mal educados, mas para os pais, êles são o máximo. Educar ninguém mais tem paciência, quanto mais passar valôres éticos e morais....
    • Superbad!  •  5 meses atrás
      MONSTROS! ESTAMOS CRIANDO MONSTROS! ESTAMOS PERDIDOS!
    • Juliana  •  5 meses atrás
      Realmente é lamentável... Lamentável perceber que as únicas esperanças de um futuro um pouco melhor (as crianças) estão sendo projetadas para dar valor ao que menos importa para a formação do seu caráter: o externo. Ao invés de serem libertadas para brincar, criar, sonhar, estão pulando essa fase e fazendo parte cada vez mais cedo desse mundo adulto tão baixo e mesquinho. Realmente assusta tentar imaginar como serão e oque serão quando se tornarem verdadeiramente adultos...
    • Um usuário do Yahoo!  •  5 meses atrás
      Concordo Eduardo, e ao tentar responder me apavoro!
      Hoje as coisas vão muito além disso... o mundo está bizarro!
    • MOG  •  5 meses atrás
      Tem´pais vagabundos que querem viver as custas das filhas. Empurram as futuras infelizes pros lobos e acabam virando putas frustradas , são descartadas, vulgarizadas e isso nunca acaba, porque sempre haverá mães e pais frustrados e lançando nos filhos suas expectativas sexuais e financeiras. Tudo neste país é permitido.. ah vá pra pqp
    • fernando amaral  •  5 meses atrás
      Feliz quem teve a infância dos anos 80... Nos anos anteriores as coisas eram mais difíceis, e depois de 1990 os valores da infância só teve a mudar para pior, começando por programas de televisão...
      Tenho a sensação, que o melhor ano que existiu para as crianças foi de 80 a 90.
    • clovis  •  5 meses atrás
      O Hupsel está coberto de razão! Nada pior que criança tornada adulta antes da hora, em se tratando de coisas que a vida não impõe! É diferente da criança que passa a ter algumas responsabilidades, devido a problemas familiares, como as que tem que tomar conta de irmãos menores. E o pior de tudo é, de fato, a hiper-sexualização da criança. Daí vem a gravidez de meninas que deveriam ainda estar brincando. E o resto já sabemos!
    • Raquel B  •  5 meses atrás
      É a primeira vez que leio um artigo de verdade aqui no yahoo, digno de tese de doutorado! Meus parabens ao autor!! De fato, crianças sexualizadas são mais consumistas, o que é uma grande negócio para o mundo cão mercantil! Pais, prestem atenção a que seus filhos assistem..rei leão não é filme pra criança, repleto de msg subliminares de cunho sexual!!!
    • hélio  •  5 meses atrás
      Walter Hupsel, mais uma vez, SOMOS AUTORITÁRIOS? cadê os comentários?
    • Zinho de Moraes  •  5 meses atrás
      Saiu de casa apressada, deixou o bebê dormindo...
      Na farmácia da esquina tomou uma injeção para secar o leite...
      Ao voltar preparou uma mamadeira cheinha de leite de vaca.
    • Cida  •  5 meses atrás
      Somos reféns dessa cultura medíocre da tv, do consumo, da propaganda, desse mundo capitalista. Ou seja toda esse hipersexualismo está ligado ao ter e ao poder para alimentar o Ego do ser humano que tem que provar o tempo todo que é mais poderoso que o outro, que é mais bonito, mais sensual etc O problema é que os mais atingidos e vulneráveis são as crianças que hoje não vive mais como criança, não come, não brinca não se diverte como crianças. São robozinhos sexualizados! Hoje as menininha não vestem mais vestidos, ou seja andam de tamanquinho da Barbie, usam leg de oncinha, batom e esmalte!!! Essas são nossas pobres criancinhas!!!
    • Diego  •  5 meses atrás
      Capitalismo esquizofrênico!!
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