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ATIVIDADES DE AMIGOS

    Como entender a paixão pelas marcas

    Objeto de desejo, símbolo de status e condicionante de nossas compras, as marcas alcançaram um lugar privilegiado em nossa sociedade, mas, como empresas como Tiffany e Rolex forjaram sua lenda? Têm algo em comum seus fundadores? O historiador e consultor Fernando Garcés responde a estas perguntas em "Historia del Mundo con los Trozos más Codiciados" (“História do Mundo com as Peças mais Cobiçadas”, em tradução livre do espanhol).

    Animal simbólico, o ser humano adaptou, desde as civilizações mais antigas, a forma de vestir, os meios de transporte e inclusive a alimentação a suas ideias. Ao redor desta necessidade foram surgindo as marcas, capazes de gerar, segundo Garcés, uma magia, uma auréola que as tornam atrativas para o consumidor. "Não compramos produtos, compramos a história que está por trás deles", assegura à Agência Efe.

    Cada novo lançamento da Apple é precedido de longas filas formadas pelos fãs da marca (Foto: Efe)Do pulso de exploradores como Tenzing Nogay, o sherpa que acompanhou em 1953 sir Edmund Hillary ao topo do Everest, a luxuosa companhia Rolex forjou sua lenda. Enquanto isso, empresas como Apple e Harley Davidson conseguiram se posicionar no imaginário coletivo como "marcas dos rebeldes, dos que são diferentes", segundo Garcés.

    Se o que procuramos é uma fragrância que transmita luxo, então devemos falar necessariamente de Chanel nº5. Fruto de uma colaboração em 1921 entre a estilista Coco Chanel e o filho do último perfumista do czar, Ernest Beaux. Sua lenda se associa a atrizes como Marilyn Monroe, Catherine Deneuve e Nicole Kidman.

    Mas não só os objetos de luxo estão representados por grandes marcas. A Coca-Cola, a bebida inventada por John Pemberton em 1885 quando pesquisava um remédio para aliviar as dores de cabeça, é hoje o refrigerante mais consumido do mundo.

    O luxo dos pobres

     Uma coisa que surpreende é descobrir que muitas das marcas que hoje associamos às altas esferas foram criadas por pessoas pobres em situações difíceis.

    O historiador lembra, entre outras, as histórias de Walt Disney submetido às surras de seu pai na infância, ou as origens humildes de Henry Royce, cofundador da empresa de veículos exclusivos Rolls Royce, que viveu em um quartinho no jardim de um dos empregados da fábrica para a qual trabalhou.

    Longe de pensar que estes casos são meras coincidências, Garcés acredita que as "situações de necessidade" unidas a algo "fascinante" estimulam a criação. "Se você está acomodado não vai buscar nada", disse comparando estes empresários com os antigos conquistadores, que zarparam dos lugares mais miseráveis em procura de El Dorado.

    Imersa nessa luta pelo progresso, Coco Chanel, uma menina francesa criada em um orfanato onde aprendeu a costurar, fundou em 1910 com o apoio econômico de Arthur "Boy" Capel a primeira loja da Modas Chanel.

    Conta a lenda que, após alcançar o prestígio e a fama mundial que transformaram suas peças em objeto de desejo das classes mais poderosas, decidiu "se vingar" delas transformando em tendência algumas das características dos mais pobres, como o bronzeado, próprio das camponesas; o vestido negro "Robe Noire", inspirado no traje de seu antigo orfanato; ou a roupa listrada, reservada até então aos marinheiros.

    A religião das marcas
    O que atrai centenas de pessoas a passar várias noites ao relento para comprar o novo aparelho da Apple? Por que muitos consumidores defendem com fervor os objetos que compram? Na opinião de Garcés, isto acontece porque as marcas ocupam, cada vez mais, o espaço perdido pelas religiões em nossa sociedade.

    "Na realidade o catolicismo é uma marca e o islamismo outra", diz, após afirmar que nada tem de preocupante esta tendência, já que, se elas não o fizessem, outro produto acabaria ocupando esse lugar privilegiado. "Qualquer tendência social que repercuta na maioria se transforma, queira ou não, em uma religião", explicou.

    As origens
    Após chegar à Califórnia em plena febre do ouro, disposto a se beneficiar das necessidades dos mineradores, o jovem Levi Strauss em breve descobriu a enorme quantidade de calças que eram consumidas devido à pouca resistência dos tecidos da época.

    Usando materiais de lugares remotos como a sarga, fabricada na cidade francesa de Nîmes, e um corante procedente da Índia, o azul índigo, criou uma peça que perdurou praticamente sem variações por mais de um século.

    Igualmente surpreendente é o caso da Tiffany & Co. que, fundada em 1837, foi a princípio uma espécie de bazar. Aproveitando as revoluções e guerras que em 1848 assolaram a Europa, seu dono, Charles Tiffany, comprou diferentes joias da coroa francesa que revendeu a preços astronômicos, iniciando o caminho que o levaria a ser uma das joalherias mais emblemáticas do mundo.

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    59 comentários

    • Pietro  •  7 meses atrás
      Tanto o iPhone como o "ching-ling" genérico, as peças internas vem todas da China. A diferença é o hardware, software e o glamour.
    • José Maria  •  7 meses atrás
      ÓTIMA REPORTAGEM, PORÉM YAHOO, CORRIJA O BUG DE "CARREGANDO EMAIL" QUE ESTÁ OCORRENDO QUANDO SE TENTA ACESSAR A CAIXA DE ENTRADA!
      • NINO 7 meses atrás
        isso tabem acontece comigo ,eese BUG ta di lasca
      • Elvis 7 meses atrás
        parabéns josé maria, eu pensava que esse bug só estava acontecendo comigo, que alívio valeu
      • la-Alfenas 7 meses atrás
        Putz, não é só comigo? O de vcs tbm dá erro 999?
        Essa meleca empatou minha manhã inteira, tô c medo de perder meu email e tdo q tenho nele =S
    • Rogério  •  7 meses atrás
      Tenho algumas marcas famosas, blackberry, ipod, intel, etc,simplesmente funciona por anos a fio, você usa, usa, e ele está sempre ali firme! Qualidade é tudo! Essas filas são reflexo de que o produto é muito bom!
    • Pedro  •  7 meses atrás
      Gostaria de lembrar também a Fender e a Gibson, ícones da indústria de instrumentos musicais e que estão aí até hoje atiçando os desejos da garotada e de muitos marmanjos também!!!!
      • Mr. Luke 7 meses atrás
        Muito bem lembrado Pedro! Meu maior sonho de consumo é uma Fender Stratocaster made in USA.
    • fabio  •  7 meses atrás
      gostei de saber que algumas das markas mais famosas, foram feitas por pessoas simples, pobres, interessante!
      • Denise 7 meses atrás
        Silvio Santos era camelô
    • .  •  7 meses atrás
      Eu realmente tenho preferência por algumas marcas, especialmente quando eu já usei e sei que realmente são boas, que vale a pena gastar um pouquinho a mais, especialmente equipamentos de informática.
    • Giselle  •  7 meses atrás
      Interessante olharmos o assunto por um outro ângulo: se as tandências sociais viram como que uma religião para as pessoas, conforme cita a reportangem, elas trazem em si um poder de manipulação incrível, o qual pode ser usado a bel-prazer do que estão por detrás desses domínios. Muito cuidado na hora de escolher para o que se está vivendo, porque os que idelizam a cara dessas tendências são seres humanos como quaisquer outros, e não deuses!
      • Fabiano_ACI 7 meses atrás
        Gisele, os próprios deuses são uma criação da psique humana. São uma forma de explicar o fantástico.
    • Historiador  •  7 meses atrás
      Ignorância, manipulação, falta de educação, de cabeças pensantes realmente. A propaganda sempre foi a alma do negócio....MANIPULAÇÃO.....#ACORDABRASIL
    • Leonardo Mattos  •  7 meses atrás
      Ótima matéria, esse é o poder de manipulação das mídias pagas...
    • Das Candongas  •  7 meses atrás
      A marca nada mais é do que a identidade do produto, como ele é percebido pelos consumidores, não sendo, em algumas vezes, necesssariamente o que realmente é. Tal e qual são as pessoas, por exemplo celebridades e políticos, que têm uma máscara exposta a sociedade e outra por baixo dela. E claro, o contrário também acontece. A marca "morador de periferia" signi#$%$ para muitos como pessoa de pouca educação e vulgar e a marca "alta sociedade" a pessoas "exemplares". Até saber que não é bem assim, o julgamento, muitas vezes, já foi feito.
    • Zeitgeist o filme  •  7 meses atrás
      Falou o pastor da igreja capitalista da sua estupida cegueira consumista, ouro de tolo puro!
    • Priscila Monteiro  •  7 meses atrás
      Muito bom! Realmente é válido para pessoas que possam desfrutar das "coisas boas da vida", mas nunca podemos nos esquecer dos nossos verdadeiros valores, aqueles que o dinheiro não compra! E que venham mais exemplos, assim como tantos citados no texto, para poderem inspirar mais e mais pessoas!
    • Éder Dartanhã  •  7 meses atrás
      Muito legal conhecer a origem das marcas aqui citadas, saber que por uma (ou várias) necessidades as pessoas deram um jeito de passar por cima de seus problemas de uma forma criativa, enchergando oportunidades na crise ao invés de derrotas e fracassos.
      Uma palavra define bem o sucesso dessas marcas hoje: Posicionamento, que segundo Al Ries, é o lugar que o produto ocupa na mente do consumidor. Se uma empresa (como a Levi's que direcionou seu produto para os mineradores a princípio) tem um bom planejamento e conseguir direcionar seu produto estrategicamente a um mercado ela terá sucesso (a Coca hoje está derecionando seus produtos aos jovens e à família - bem inteligente).
    • FERNANDO  •  7 meses atrás
      Conheçam a verdadeira história da Coca-Cola assistindo o documentário "The Coca-Cola Case" e o site "KillerCoke.org"
    • DIRHU  •  7 meses atrás
      Excelente matéria!
    • Realista  •  7 meses atrás
      Cada marca distigue as classes sociais, e tambem as identi#$%$m consumo de classe A baseia-se exclusivo como Rolex ja classe B global de masssa , classe C marca local agora tem marcas transcede as classe sociais como guarana antartica ou coca cola
    • Gabriel  •  7 meses atrás
      Tal idolatria está além do consciente humano. Psicólogos podem explicar melhor. Mas é de fato que o apego as marcas estão diretamente ligados ao status, principalmente no Brasil, onde o ter signi#$%$ mais que o ser para a maioria das pessoas.Mas deve-se evidenciar o fantástico jogo que tais marcas criam para se tornarem fantasias, sonhos, na mente dos clientes.
    • jose  •  7 meses atrás
      fantastico..adorei......
    • Clovis Murer  •  7 meses atrás
      Um bom texto.
      Uma leitura de qualidade.

      V ale a pena ler de novo.
    • Denise  •  7 meses atrás
      Amei o Tópico "A Religião das Marcas". Incrível associação.
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