BRASÍLIA - O deputado Gladson Cameli (PP-AC), flagrado dirigindo alcoolizado em blitz realizada em Brasília, divulgou nesta quarta-feira nota em que admite o erro e afirma que votou a favor da Lei Seca e que apoiará as mudanças à lei que estão tramitando na Câmara. Na nota, o deputado não cita quais mudanças terão seu voto a favor, mas entre as que tramitam está a que torna mais rigorosa a lei, estabelecendo a chamada tolerância zero de álcool para os que dirigem.
Cameli ressalta na nota ter cumprido todas as formalidades exigidas pela lei, inclusive utilizando o bafômetro e que, em nenhum momento, utilizou-se da prerrogativa do mandato como deputado, como a imprensa destacou. E que estará à disposição da Justiça para outros esclarecimentos.
O deputado terá que responder tanto a processo administrativo no Detran, mas também poderá ser submetido a processo criminal no Supremo Tribunal Federal (STF). O bafômetro, que atestou 1,14 miligramas por litro de ar expelido pelos pulmões, cerca de três vezes acima dos 0,33 previstos pela lei, o que caracteriza conduta criminal. Ele teve a carteira de motorista apreendida, terá que pagar multa de R$ 957,70 .
- Ele colaborou bastante com a lei que ajudou a aprovar - comentou o delegado Silvério Moita, chefe da 2º Delegacia de Polícia do Distrito Federal.
Por ser deputado, ao contrário do que aconteceria com um cidadão comum, Cameli não pode ser preso em flagrante delito, por gozar de imunidade parlamentar. Segundo Silvério, ele só pode ser preso se for flagrado cometendo crime inafiançável. Um cidadão comum seria preso e teria que pagar uma fiança, entre 1 e 100 salários-mínimos, para ser liberado.
Cameli, sobrinho do ex-governador Orleir Cameli - que ficou notório por ter pelo menos seis CPFs e responder a crimes de exploração de mão de obra escrava, contrabando, entre outras acusações - tem 33 anos e está em seu segundo mandato como deputado federal. Também é sobrinho do atual vice-governador do Estado, César Messias. Preside a Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional da Câmara. Nesta terça-feira pela manhã, sua secretária anotou os telefones de jornalistas, mas de tarde, a porta do gabinete estava fechada e os telefones não respondiam.
Além do processo administrativa e do criminal, Cameli poderá ter que responder junto à Corregedoria da Câmara ou mesmo ao Conselho de Ética, quando é necessária representação da Mesa Diretora ou de partido político. No caso da Corregedoria, basta que qualquer cidadão ou mesmo um deputado faça uma representação junto á Mesa Diretora, que analisará se é cabível e enviará ou não o pedido ao corregedor. O deputado foi flagrado transgredindo lei aprovada pelo Congresso. Colegas e mesmo assessores técnicos da Casa não acreditam que uma representação como esta possa ter andamento na Casa, mesmo porque outros parlamentares já foram flagrados cometendo o mesmo erro e nada foi feito.
Segue a íntegra da nota:
"Venho a público esclarecer fato noticiado pela imprensa no último dia 31 de janeiro envolvendo o meu nome. Em respeito à Lei e aos seus agentes, cumpri todas as formalidades exigidas durante operação de trânsito efetuada pela Policia Militar do Distrito Federal, tendo realizado, inclusive, o teste do bafômetro. Como foi, também, amplamente noticiado, em nenhum momento usei da prerrogativa de meu mandato de Deputado Federal para obter qualquer facilidade ou benefício.
Reconheço que, mesmo me sentindo bem, não deveria ter dirigido. Por isso, estou à disposição da Justiça para demais esclarecimentos sobre o fato, não me
abstendo das responsabilidades como cidadão. Por fim, ressalto que votei a favor da Lei Seca, bem como votarei a favor das alterações que tramitam na Câmara Federal.
Gladson Cameli
Deputado Federal
Brasília, 1º. fevereiro de 2012"


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