"Saber que fui adotado pode ter feito eu me sentir mais independente, mas nunca me senti abandonado. Sempre me senti especial. Meus pais me fizeram sentir especial. Eles foram meus pais 1000%". Essa declaração foi feita por Steve Jobs, o manda-chuva da Apple, ao seu biógrafo Walter Isaacson.
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Jobs, morto em 2011, foi o grande inspirador dos revolucionários Macintosh, iPhone e iPad. Ele se considerava um perfeccionista e garante ter herdado essa característica de seu pai adotivo Paul Jobs, marceneiro nas horas vagas: "Meu pai adorava fazer as coisas direito. Preocupava-se até mesmo com as partes (dos móveis) que não ficavam à vista".
Já com os pais biológicos, Steve foi direto: "Eles foram meu banco de esperma e óvulo - isso não é grosseria, é apenas o modo como as coisas aconteceram, um banco de esperma, nada mais". O fato do dono da Apple ter sido um filho adotivo não tem relevância nenhuma para os milhões de usuários de suas maquininhas. Mas foi algo extremamente marcante na sua vida pessoal.
Assim pensa também a estudante de enfermagem Isabela Marta dos Santos, 21 anos: "Todo mundo tem que aceitar a sua realidade. Ser adotado é um fato que não vai mudar nunca. Você é! Se uma pessoa adotada tem problemas com isso, ela vai tornar a própria vida muito difícil. Vai sofrer de autodiscriminação".
Isabela tinha cinco dias quando foi adotada. Ela se sente completamente amada e aceita pela família de adoção, mas acredita que existe um certo preconceito da sociedade em relação aos filhos adotivos: "Não sei se é pela razão de morar em uma cidade pequena ou pela minha mãe adotiva ser uma pessoa conhecida, mas o fato é que percebo uns olhares fofoqueiros."
A irmã de Isabela, Melissa, também adotada, 17 anos, estudante, diz que apesar de ter ouvido um ou outro comentário maldoso, não se sente atingida: "Me considero filha legítima da minha mãe adotiva e ponto. Vivo isso com toda naturalidade. Vejo até uma vantagem em ter sido adotada, significa que minha mãe e minha família me escolheram".
O sentimento de ter sido escolhido parece ser comum a muitos filhos adotivos. Fernanda Andrade Pereira, 28 anos, dona de casa, mãe biológica de três crianças, foi adotada com quatro anos de idade. Ela não só tem certeza que foi escolhida pela mãe adotiva, como também que a escolheu: "Lembro da primeira semana morando com a minha mãe, a gente se olhava e sabíamos que uma queria ficar com a outra".
Para Fernanda, filhos adotados são pessoas com muita sorte: "Quando você é adotado ganha uma família, não por contingência de sangue, mas por opção. Aquela família quis você. Existem mulheres que engravidam, mas não desejam a criança. Já as mães e os pais que adotam querem muito uma filha ou filho".
Fernanda também conta que apesar de recordar de sua mãe biológica, não sente desejo nem necessidade de reencontrá-la: "Eu acho que ela não me amou e não cuidou de mim, em contrapartida a mulher que me adotou sempre me amou e me protegeu. Então ela é a minha mãe."
Querer ou não conhecer os pais biológicos varia de pessoa para pessoa, ou de história para história. Ricardo Fischer, 45 anos, fundador da Ong Filhos Adotivos do Brasil, não sossegou enquanto não reencontrou a mãe da barriga: "Eu precisava saber por que minha mãe havia me abandonado num orfanato. Saber por que eu havia sido adotado aos dois anos de idade."
Quando Ricardo reencontrou a mãe biológica, soube da história pela boca dela: "Eu engravidei solteira, aos dezesseis anos, e meu pai me expulsou de casa. Quando me vi desamparada, sozinha no mundo e com um bebê, não tive outra saída a não ser entregá-lo num orfanato". Esse drama aconteceu há mais de quarenta anos, mas certamente ainda deve se repetir em muitos campos e cidades do Brasil profundo.
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Por Por Fernanda Pompeu, especial para o Yahoo Brasil! | Yahoo! Notícias – qui, 23 de fev de 2012Como você se sente ao ler este artigo?
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