MALÉ - O ex-presidente da República das Maldivas, Mohamed Nasheed, que renunciou ao cargo nesta terça-feira, disse ter sido forçado a deixar o poder por um complô da oposição liderada por seu maior inimigo político, Maumoon Abdul Gayoom. Em coletiva nesta quarta-feira, Nasheed afirmou que foi forçado a renunciar ao cargo sob ameaça de armas.
- Sim, eu fui forçado a renunciar sob a mira de um revólver. Havia armas ao meu redor e eles disseram que não hesitariam em usá-las caso eu não renunciasse - afirma.
As declarações de Nasheed não deixaram claro quem estava apontando as armas. O ex-presidente aproveitou para reforçar que tomou a decisão para evitar que as forças de segurança entrassem em confronto com a população e fez um apelo para que seu vice renuncie também.
- Definitivamente, isso foi um complô. Em qualquer definição, em qualquer lugar, isso foi um complô. Eu não queria que eles atirassem nas pessoas. Eles me ameaçaram, e estavam ameaçando as pessoas. Eu não queria isso - disse Nasheed - Eu apelo ao presidente do Supremo Tribunal para investigar a questão dos que estão por trás do golpe. Nós vamos tentar ao máximo trazer um governo legítimo de volta.
Em protesto à renúncia de Nasheed, centenas de pessoas foram às ruas do arquipélago nesta quarta-feira. Segundo dados da emissora Al Jazeera, mais de 3 mil pessoas participam da manifestação de apoio ao ex-presidente.
Ainda nesta quarta-feira, o novo presidente, Mohamed Waheed Hassan Manik, ex-vice de Nasheed, disse que não participou de nenhum complô para que o ex-presidente renunciasse. Manik afirmou ter apenas respeitado os preceitos constitucionais do país, que preveem que o vice se aposse caso o presidente renuncie. Ele acrescentou que irá iniciar um diálogo político com todos os partidos das Maldivas e espera ter formado um novo gabinete de governo em poucos dias, que contará com a presença de membros do Partido Progressista, de Gayroom.
- Eu pareço uma pessoa que daria um golpe de Estado? Não houve nenhum plano. Eu nem sequer estava preparado para assumir esta posição - afirmou Manik - Juntos (todos os patidos das ilhas), nós seremos capazes de construir um estável e seguro Estado democrático.
Nasheed foi o primeiro presidente eleito democraticamente no arquipélago do Oceano Índico. A renúncia intensificou sua rivalidade com Gayoom, que mandou prendê-lo 27 vezes durante seu governo, sob a acusação de agitação popular.


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