RIO - Nada de animadores com microfones, festas com decoração importada e convidados circulando por salões enormes. Para algumas crianças e pais, a festas dos sonhos cabe numa brinquedoteca, numa sala de artes ou mesmo num café-bistrô. De olho neste público, ateliês e lojas passaram a oferecer seus espaços e serviços para a criançada comemorar: são festas com oficinas de reciclagem, com aulas de teatro ou de acrobacia. Na Brinque Pink, no Itanhangá, Zona Oeste, por exemplo, os eventos acontecem numa sala 80 metros no Espaço Itanhangá, onde os ambientes, com bonecas Barbie e Polly, casinhas, brinquedos e livros, lembram mais uma festa caseira.
- Minha ideia, quando abri a casa, há cerca de um ano, era que fosse um espaço onde as meninas brincassem à vontade. É como se fosse uma grande brinquedoteca, ou melhor, um clima de festa do pijama - explica a psicopedagoga Ana Paula Porto, dona da Brinque Pink.
Ana conta que se inspirou em projetos de casas de bonecas e ambientes infantis que conheceu na França e na Argentina. Com móveis feitos sob encomenda (há mini-pias e casinhas), tapetes emborrachados e painéis pintados com a ajuda das crianças, a sala de recreação não tem paredes e tem como cor predominante o rosa. Durante as 3 horas de festas, as meninas (a casa é voltadas para elas) podem circular livremente pelo salão, onde há espaço para leitura e um cantinho onde Ana se senta com a garotada para uma oficina de artesanato com material reciclado. O pacote inclui lanchinhos saudáveis e sucos. O bolo e os docinhos fica por conta dos pais.
Para os pais, clima de comemoração em casa é o atrativo
A advogada Adriana Lazaroni, de 37 anos, diz que foi o clima de festa em casa que a levou a procurar os espaços alternativos para a festa de aniversário de 8 anos da filha Geovana, no ano passado. Ela conta que a escolha acabou levando-a à Brink Pink, no Itanhangá.
- Queria sair da mesmice. Foi ótimo, elas fizeram teatrinho, brincaram à vontade, foi como seu tivesse levado o grupo para casa - diz Adriana.
Quem também não abre mão de uma festa mais intimista, mas quer que a garotada gaste energia, pode encontrar a festa certa no sobrado do Lunático Café e Cultura - empreendimento que une restaurante, bistrô e espaço com aulas de acrobacia, teatro, balé e cinema infantil, no Jardim Botânico. Só no ano passado, o espaço abrigou 40 festinhas.
- Um aluna do curso de acrobacia nos disse que queria comemorar o aniversário aqui. Topamos, ela adorou e, espontaneamente, escreveu um depoimento num blog. A coisa foi crescendo e nos estruturamos para oferecer um esquema mais profissional - diz o ator Gustavo Falcão, que tem a mulher, a acrobata Juliana Feres, como sócia.
Durante a festa, a garotada se diverte nas oficinas, sempre sob supervisão de instrutores. Enquanto isso, adultos podem comer, bebericar e conversar no andar de baixo. Também é possível fazer festas só para as crianças, no esquema "deixe e venha buscar na hora do parabéns".
- Os pais podem subir para olhar e tirar fotos, mas nas salas de cima, normalmente ficam só os convidados e o aniversariante - explica Gustavo.
Em salão de Niterói, eletrônicos são banidos
Já no Méier, Zona Norte, as artistas plástica Anelisie Tainah e Adri mantém um casarão onde oferecem a "Festa de Artista", com oficinas de pintura e colagem com material reciclado.
- A ideia é que o aniversariante seja o artista. Uma semana antes, a criança pinta com a gente o painel que vai servir de decoração da mesa do bolo. E no dia da festa, ele e os convidados fazem os brinquedos com sucata - explica Anelisie.
Em Niterói, o dono da loja de brinquedos Mamulengo também entrou para o ramo por insistência dos clientes. Como a loja tem um quintal nos fundos, muitos pais passaram a pedir para alugar a área. Segundo o proprietário, Wagner Souto Maior, a criançada pode fazer ali uma festa no playgroud, com brinquedos de madeira (escorrega, gangorra e casinha), piscina de bola e cama elástica.
- Antes, usávamos a área atrás da loja como espaço cultural, para eventos e contação de histórias, mas decidimos ampliar a oferta - explica Wagner, ressaltando que as festas não têm eletrônicos - Preferimos brincadeiras cooperativas, como chicotinho queimado, e sem incluir adultos - diz.


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