TEERÃ - A duas semanas das eleições parlamentares de março, os iranianos sofreram ontem a segunda e mais extensa interrupção do serviço de internet registrado nos últimos meses - uma semana depois de verem suspensos sites de emails e redes sociais. Um blecaute de comunicações que elevou os temores de censura estatal durante o pleito.
O bloqueio mais recente da internet afetou a forma mais comum de conexões seguras, incluindo todos os sites criptografados internacionais fora do Irã que dependem do protocolo Secure Sockets Layer, responsáveis por exibir endereços que começam com "https".
- Emails, proxies e todos os canais seguros que começam com https estão indisponíveis. A situação de acesso a esses sites é ainda pior que na semana passada, porque as VPNs não são funcionando - disse um especialista em tecnologia de informação em Teerã, pedindo para não ser identificado.
Muitos iranianos usam a rede privada virtual (VPN), um programa capaz de contornar os filtros impostos pelo governo à internet para impedir o acesso a uma vasta gama de sites, incluindo muitos portais de notícias estrangeiros e redes sociais, como o Facebook.
Na semana passada, milhões de iranianos sofreram graves perturbações no acesso a sites de redes sociais e email em meio a preocupações que o governo esteja estendendo sua vigilância eletrônica sobre os cidadãos comuns.
Na república islâmica, os obstáculos ao uso da internet vêm crescendo rapidamente desde que a oposição ao presidente Mahmoud Ahmadinejad usou as redes sociais para organizar enormes protestos depois da polêmica reeleição dele, em junho de 2009.
O governo negou que tenha havido fraudes na votação que provocou protestos em massa nas ruas do país - forte e violentamente reprimidos pelas forças de segurança.


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