Redação Central, 20 jul (EFE).- A situação de crise de fome extrema que foi decretada nesta quarta-feira pela ONU no sul da Somália não era registrada no país há 13 anos.
Uma situação de crise de fome é decretada em um país ou região geográfica quando não há alimentos suficientes, nem assistência, nem recursos para fornecer comida à população, afetada por elevados índices de mortalidade devido à fome e à desnutrição.
A desnutrição, que afeta especialmente mulheres e crianças, dificulta o desenvolvimento físico e intelectual, enfraquece o sistema imunológico e o torna mais vulnerável a doenças e infecções.
Os grupos mais ameaçados pela inanição são as populações de baixa renda, que habitam tanto o meio rural quanto o urbano, e as vítimas das catástrofes, como inundações, secas, terremotos e os demais desastres naturais, assim como os conflitos armados.
Segundo o Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), no mundo há cerca de 925 milhões de pessoas que passam fome, um número superior à soma das populações dos Estados Unidos, Canadá e União Europeia.
Ao todo, 65% dos famintos no mundo vivem em apenas sete países: Etiópia, Índia, China, República Democrática do Congo, Bangladesh, Indonésia e Paquistão.
Segundo dados da ONU, em 2010 aproximadamente 11 milhões de pessoas que vivem na região do chamado Chifre da África (Somália, Etiópia, Djibuti e Eritreia) careciam de alimentos, devido às secas registradas ao longo dos anos.
Os países mais prejudicados são Quênia, com 3,2 milhões de afetados pela seca, o mesmo número que a Etiópia; Somália, com 2,6 milhões, e Djibuti, com outros 117 mil.
Na Cúpula da Alimentação, realizada pela FAO em 1996, foi adotada a Declaração de Roma, que compromete a comunidade internacional a reduzir o número de famintos no mundo de 800 milhões para 400 milhões até 2015.
Segundo a FAO, após alguns êxitos na redução da fome no mundo, a desnutrição aumentou de forma contínua entre 1995-1997 e em 2009 houve uma alta significativa, registrada após a crise econômica.
Entre as grandes crises de fome que afetaram a população mundial ao longo da história, destacam-se as registradas na Índia colonial, entre 1769 e 1770, que causou a morte de cerca de 10 milhões de pessoas (um terço da população).
Na Irlanda, na década de 1840, a fome decorrente de uma praga que reduziu a produção de batata, alimento básico do país, fez com que mais de 1,6 milhão de irlandeses deixassem o país, sobretudo com destino aos Estados Unidos.
Em 1943, outra grave crise de fome em Bengala (Índia) matou mais de 1 milhão de pessoas e afetou outras 60 milhões.
Entre 1958 e 1961, mais de 15 milhões de pessoas perderam a vida na China por conta da falta de alimentos resultante de secas e inundações, agravadas pelo caos econômico e político.
Em 1966 e 1967, houve uma grave crise de fome em Bihar (Índia), enquanto a guerra de Biafra (Nigéria), registrada entre 1968 e 1970, afundou o país na fome e na miséria.
Entre 1968 e 1973, a crise de fome afetou a região do Sahel, especialmente Chade, Mali, Mauritânia, Nigéria e Senegal.
Na Etiópia, a seca de 1984 agravou a situação de uma região afetada pela fome, causando a morte de 1 milhão de pessoas.
Na década de 1990, em Angola, Libéria, Moçambique e no sul do Sudão, os conflitos civis agravaram a desnutrição e as mortes por crise de fome.
A guerra civil na ex-Iugoslávia provocou graves carências de alimentos entre a população, especialmente na Bósnia.
Já na Somália, os conflitos e a seca de 1992-93 provocaram uma crise de fome que tirou 300 mil vidas e anos mais tarde, em 1999, uma forte seca provocou a morte de quase de um milhão de pessoas.
Em 1995, a ONU advertiu para a falta de alimentos no Níger. Posteriormente, em agosto de 2005, alertou que 1,2 milhão de pessoas estavam ameaçadas pela fome no Mali.
Em 2009 o número de pessoas que padeciam de fome no sul do Sudão quadruplicou, passando de 1 milhão, no início do ano, para 4,3 milhões no começo de 2010, devido à seca e aos conflitos que o país registrava.
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