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ATIVIDADES DE AMIGOS

    História guardada no fundo do oceano

    DESTAQUES EM BRASIL

    Acostumado a desbravar os mistérios dos oceanos, o professor de mergulho Sebastião Mariani, mais conhecido como Mineiro, teve uma experiência ímpar no fim de novembro passado. Junto a um grupo de cinco amigos, ele finalmente encontrou os destroços de um navio afundado no litoral niteroiense, próximo às ilhas Maricás, em Itaipuaçu. A descoberta não veio por acaso: a informação de que havia uma embarcação afundada naquele local já era sabida há tempos. O difícil, conta ele, era acertar o ponto exato onde estavam os destroços.

    - Conversando com pescadores de Jurujuba, perguntei onde agarrava a rede, que no jargão deles significa os locais onde se joga a rede e ela fica presa. Normalmente, nesses locais há rochedos ou destroços de navios. Eles me contaram desse ponto em Itaipuaçu. Mas nem sempre as coordenadas dadas batem exatamente, por isso é tão complicado encontrar - explica.

    Mariani afirma que, por meio de pesquisas, descobriu que a embarcação encontrada era um navio a vapor de duas rodas d'água, construído entre 1830 e 1870.

    - O navio não está inteiro, está destroçado, mas o vilebrequim, que é o eixo do motor, e a caldeira estão bem conservados. É uma verdadeira raridade, pois esse maquinário normalmente se desmantela. Não temos notícia de outro no mundo que esteja bem conservado como esse - diz. - Batizamos o navio de "Vapor das crioulas", pois o encontramos perto das rochas homônimas. Acredito que tenhamos sido os primeiros a achá-lo, pois não vimos registro dessa embarcação em lugar algum.

    Integrante do grupo de Mineiro, o empresário Cristiano Vilela acrescenta que a boa luminosidade no dia da expedição e a profundidade em que estavam os destroços foram favoráveis.

    - Quanto mais fundo estiverem os destroços, mais difícil fica de achar, pois o tempo que teremos para ficar sob a água será menor. No caso desse vapor, ele estava a uma profundidade bastante razoável - afirma. - Quando chegamos ao ponto provável onde está a embarcação, jogamos uma boia para sinalizar e um primeiro mergulhador desce sozinho para verificar se encontra algo. Em caso afirmativo, o restante do grupo desce também.

    Mineiro adianta que já está buscando outra embarcação:

    - Há cinco anos estamos buscando um outro naufrágio aqui na costa de Niterói. Sabemos que ele existe, mas ainda não sabemos onde está.

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