Johanesburgo, 8 fev (EFE).- O turismo homossexual representa entre 10% e 12% do total de turistas que viajam para a Cidade do Cabo, único destino africano com atrações específicas para esse público, indica um estudo divulgado pela Organização Mundial do Turismo (OMT) da ONU.
Segundo a fonte, a Cidade do Cabo é uma das que se anuncia como uma "cidade orgulhosa" do turismo homossexual, ao lado de Madri, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Montreal, Nova York, entre outras.
Enquanto isso, o site turístico Tripadvisor coloca a cidade entre os dez destinos mais populares entre a comunidade homossexual, enquanto o Capetown.tv acrescenta que entre as atrações estão pelo menos 50 hotéis e 12 clubes destinados a este setor, oito restaurantes e bares e 14 clubes sociais.
"O departamento de Turismo da Cidade do Cabo está apoiando este setor, e nos últimos seis anos o número de visitantes aumentou, graças ao ambiente de tolerância na cidade", afirmou nesta quarta-feira à Agência Efe Michael de Beer, proprietário do site Capetown.tv, que recebe 20 mil visitas mensais.
"Mais e mais empresas estão vendo que o mercado rosa está rendendo muito dinheiro", acrescentou o empresário.
Os últimos dados divulgados pelo Departamento de Turismo da cidade anunciam que 1,5 milhões de pessoas visitaram a Cidade do Cabo durante 2010, o que supõe que cerca de 150 mil homossexuais foram atraídos pelo "turismo rosa" no ano.
Porém, a recepção dos habitantes e as campanhas do Governo municipal, que vendem a cidade como a "Capital Gay" da África, contrastam com os ataques a homossexuais nos bairros negros do subúrbio.
Na semana passada, uma juíza sul-africana condenou quatro jovens a 18 anos de prisão por estuprar e linchar até a morte uma lésbica em Khayelitsha, um desses bairros.
Mesmo assim, a cidade é uma exceção no continente africano, onde muitos países ainda consideram o homossexualismo como crime.
Apenas Egito, Marrocos e Quênia se juntam à África do Sul como destinos para homossexuais, embora apenas 2% dos turistas desses países sejam desse público, segundo uma enquete realizada nos Estados Unidos pela empresa Comunity Marketing.
"Acho que o modelo da Cidade do Cabo vai se expandir pelo continente. A internet está ajudando muito a mudar a mentalidade na África e favoreceu a união dos grupos na reivindicação de seus direitos. Estamos começando a ver mudanças na sociedade e na legislação de muitos países africanos", afirmou De Beer.
Os homossexuais africanos, no entanto, preferem viajar para fora do continente. Segundo o proprietário do Capetown.tv, a maioria viaja à Europa e poucos visitam a Cidade do Cabo, destino preferido principalmente de europeus, americanos e asiáticos. EFE


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