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    Itamar Franco, o fiador da estabilidade política e econômica do Brasil

    São Paulo, 2 jul (EFE).- O ex-presidente Itamar Franco, que morreu neste sábado aos 81 anos em São Paulo, onde fazia tratamento contra leucemia, era um nacionalista em quem poucos apostavam e que terminou convertendo-se no governante fiador da estabilidade política e econômica do Brasil.

    Nos pouco mais de dois anos em que foi presidente, entre outubro de 1992 e janeiro de 1995, Itamar não apenas garantiu a transição constitucional do poder após uma das maiores crises políticas da história do país, mas também implantou o plano de ajuste econômico que pôs fim ao fantasma da hiperinflação fora de controle na maior economia da América Latina.

    Itamar Franco, eleito vice-presidente em 1989 na chapa de Fernando Collor de Mello, terminou assumindo a chefia do Estado em outubro de 1992 após a renúncia do titular, acuado por um escândalo de corrupção e pelas vozes de protesto dos caras-pintadas.

    Seu Governo rapidamente recebeu o apoio de uma ampla aliança partidária para poder garantir a governabilidade e uma transição constitucional sem traumas do primeiro presidente eleito pelo voto popular e direto após o fim do regime militar (1964-1985).

    Esse apoio permitiu ao Brasil recuperar a tranquilidade política e espantar os temores de ruptura constitucional após os vários meses de crise em que Collor, abandonado por todos os aliados e isolado na Presidência, tentou até o último momento evitar que o Congresso o privasse do mandato.

    Collor só renunciou poucas horas antes de a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) concluir uma histórica e inédita votação política que concluiu que o líder sabia da corrupção e do esquema de lavagem de dinheiro. Apesar da renúncia, a Câmara dos Deputados aprovou o impeachment, por 441 votos a 38.

    Entre os que deram respaldo ao sucessor Itamar, destacou-se o PSDB, partido do então senador Fernando Henrique Cardoso, que assumiu a chefia do Ministério das Relações Exteriores e depois a pasta da Fazenda do novo Governo.

    Itamar Franco, como chefe de Estado, e FHC, como seu ministro da Fazenda, foram os responsáveis pela implantação do Plano Real, um programa de ajuste econômico que, em 1994, garantiu a estabilidade da economia brasileira após décadas de inflação fora de controle.

    O êxito do plano econômico seria suficiente como plataforma política de FHC - com o apoio de Itamar - para a candidatura presidencial em outubro de 1994, sem necessidade de disputar segundo turno.

    Igualmente, durante o Governo Itamar, foi realizado um plebiscito em que os brasileiros definiram o regime político que desejavam, ao optar pela República em lugar da Monarquia e pelo presidencialismo em vez do parlamentarismo.

    Itamar chegou ao cargo máximo da hierarquia política do país pouco conhecido entre o povo brasileiro, já que foi a intenção de Collor buscar um senador de perfil discreto como candidato à Vice-Presidência em sua chapa.

    O então ex-prefeito de Juiz de Fora manteve seu perfil discreto e sua prudência durante todo o processo político contra Collor no Congresso e quase não expressou seus ideias nacionalistas e sua forte personalidade quando assumiu a Presidência.

    Após deixar o cargo para FHC, o político mineiro revelou divergências com o sucessor, trocou de partidos e elegeu-se governador de Minas Gerais para o mandato 1998-2002. Chegou a exercer funções diplomáticas, como embaixador em Portugal, na Itália e junto à Organização dos Estados Americanos (OEA).

    Apesar de seus vínculos políticos com Minas Gerais, o ex-presidente não nasceu neste estado. O engenheiro civil Itamar Augusto Cautiero Franco nasceu em 28 de junho de 1930 a bordo de um navio que ia do Rio de Janeiro a Salvador, onde seria registrado.

    Ele começou sua carreira política no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que surgiu para agrupar os opositores ao regime militar.

    Antes de chegar à Presidência, foi eleito duas vezes como prefeito de Juiz de Fora - sua base política em Minas - e duas vezes como senador pelo mesmo estado.

    Em outubro de 2010, um ano após filiar-se ao PPS, legenda de oposição ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Itamar foi eleito novamente senador pelo estado de Minas Gerais.

    O ex-governante assumiu seu mandato em janeiro, mas cinco meses depois pediu licença do cargo para tratar da leucemia que teve diagnosticada. Desde o dia 21 de maio, permaneceu internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

    Sua saúde se agravou em 27 de junho, quando foi diagnosticada uma pneumonia aguda que obrigou seus médicos a conduzi-lo à Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Nesta sexta-feira, o hospital informou que seu estado de saúde se tinha agravado ainda mais e que o ex-presidente respirava com a ajuda de aparelhos.

    Neste sábado, em consequência dos problemas de saúde, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), que culminou em sua morte, às 10h15 (horário de Brasília). EFE

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