Apesar de ter sido uma das primeiras comunidades do Rio de Janeiro a receber uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) - a primeira base foi implantada no início de 2009 -, o conjunto habitacional de apartamentos da Cidade de Deus exibe fiações de ligações clandestinas por todos os lados. Sejam colados aos edifícios, riscando o céu de um poste a outro ou formando um emaranhado ao redor dos tambores dos transformadores dos postes, os fios mostram uma incompatibilidade da política de pacificação do governo, que havia prometido trabalhar para a regularização dos serviços básicos nas comunidades.
O capitão Marlow Rodrigo da Silva Rocha, comandante da 2 UPP, unidade responsável pela área dos apartamentos, diz que, à época da ocupação, todos os gatos foram retirados para, em seguida, os recursos formais das concessionárias chegarem à região. Sobre o excesso de fios no local, o comandante argumenta que, até o momento, a Polícia Civil não foi notificada por nenhum morador ou pelas concessionárias:
- Nós não somos especialistas. Apenas a Polícia Civil pode fazer perícia técnica.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Light diz que a empresa tem trabalhado para reduzir o número de gatos em todas as áreas pacificadas, incluindo a Cidade de Deus.
Comparando-se dados do período pré-ocupação com informações de dezembro de 2011, a quantidade de clientes subiu de 2.851 para 3.807 (mais 34%); a arrecadação pulou de R$ 76.913,95 para R$ 192.493,38 (aumento de 150%). A taxa de perdas foi de 61% para quase 7%.
Para as áreas pacificadas, a concessionária adotou a política de, no primeiro mês, cobrar apenas pela metade do consumo da família. A cada mês, é acrescido ao valor 2%, até que se atinja os 100% da conta. A medida vale para todos os moradores, incluindo os beneficiados pela tarifa social, prevista por lei.
O furto de energia é caracterizado como crime pelo artigo 155 do Código Penal - a pena prevista é de um a quatro anos de prisão. E ainda oferece riscos aos moradores. Sobre a possibilidade de parte dos fios serem de ligações clandestinas da NET, a assessoria de imprensa da empresa diz que não há dados sobre o trabalhos de combate a gatos realizados na Cidade de Deus.


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