BERLIM - Uma rainha vai dar as boas vindas aos súditos do cinema, hoje, na abertura do Festival de Berlim, a Berlinale. Com direito a roupas de gala e tapete vermelho, o primeiro filme a ser exibido na mostra alemã será "Farewell, my queen", do francês Benoît Jacquot, uma produção de época sobre os últimos dias da corte de Luis XVI, com foco nas relações sociais de Maria Antonieta (interpretada pela alemã Diane Kruger). Daí em diante, até 19 de fevereiro, serão exibidos cerca de 300 filmes, sendo que 18 deles em competição pelo Urso de Ouro de melhor longa-metragem. Só que com pouquíssimos brasileiros, e nenhum na mostra principal.
Figurões em várias mostras
Berlim costuma selecionar filmes com temas políticos e sociais, e este ano não será diferente. Pela competição, à Maria Antonieta de Jacquot se juntarão, por exemplo, o Júlio César dos irmãos italianos Paolo e Vittorio Taviani ("Caesar must die", com première neste sábado), narrado a partir de uma encenação de peça de Shakespeare; guerrilheiros de um grupo muçulmano que, na visão do filipino Brillante Mendoza ("Captive", com exibição no domingo), sequestram funcionários de um banco internacional; uma província cujas famílias brigam por terra durante o Império Chinês, pelo olhar do chinês Wang Quan'an ("White deer plain", no dia 15); e uma médica que tenta deixar a Alemanha Oriental no início dos anos 1980, história narrada pelo alemão Christian Petzold ("Barbara", no sábado).
- Teremos uma programação com histórias de mudanças radicais e revoltas. Serão casos narrados tanto do ponto de vista político quanto do social - explicou ao GLOBO Dieter Kosslick, diretor da Berlinale.
O festival terá ainda figurões internacionais com filmes novos espalhados por suas mostras. Steven Soderbergh mostrará "Haywire"; Álex de la Iglesia exibirá "La chispa de la vida"; Angelina Jolie trará sua estreia na direção, "In the land of blood and honey"; e Stephen Daldry já apresenta, amanhã, "Tão forte e tão perto", indicado ao Oscar de melhor filme.
A presença brasileira na seleção oficial se resume a dois longas e dois curtas (e participação numa coprodução). Para Kosslick, trata-se apenas de coincidência, mas de 2009 para cá nenhum diretor brasileiro foi selecionado para a competição de longas do festival, um dos mais importantes do mundo. A última vez foi em 2008, quando "Tropa de elite", de José Padilha, venceu o Urso de Ouro.
Desta vez, entre os 18 que concorrem aos prêmios da mostra principal, a participação brasileira se limita à empresa paulistana Gullane, coprodutora do longa "Tabu", do português Miguel Gomes.
Em 2012, os diretores brasileiros surgem apenas em outras seções da Berlinale: a ficção "Xingu", de Cao Hamburger, e o documentário "Olhe para mim de novo", de Kiko Goifman e Cláudia Priscilla, estão na Panorama; "Licuri surf", de Guile Martins, na Competição de Curtas; e outro curta, "L", de Thais Fujinaga, na mostra Geração.
- Não considero isso um problema. Os festivais têm critérios bastante subjetivos, são um pouco de loteria, depende do conceito que o festival vai adotar. Neste ano, o line up da competição em Berlim tem muito a ver com o estilo do presidente do júri, o inglês Mike Leigh - diz Cao Hamburger, que concorreu ao Urso de Ouro em 2007, com "O ano em que meus pais saíram de férias".


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