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    Mãe de vítima: corpo mutilado durante resgate

    DESTAQUES EM BRASIL

    RIO - Com a voz embargada e ainda sem acreditar por que somente parte do corpo do único filho foi achado nos escombros do Edifício Liberdade, a dona de casa Vera Lúcia Gitahy, de 59 anos, vai nesta segunda-feira ao Instituto Médico Legal (IML) tentar reconhecer os restos mortais de Bruno Charles Gitahy, de 25 anos. Mesmo com a confirmação do exame de DNA, de que parte do corpo encontrado é mesmo do filho, Vera Lúcia conta que pretende procurar a Defensoria Pública para ajudá-la a fazer um exame de DNA particular. Ela ficou conhecida após o desabamento do Edifício Liberdade por ter permanecido durante uma semana nos arredores dos escombros na esperança de encontrar Bruno vivo. O rapaz trabalhava como analista de sistemas na empresa TO.

    - Eu sei que vai ser muito difícil, mas eu queria ver o corpo do meu filho no IML. Conheço cada parte dele. Eles não podem me entregar parte de um corpo lacrado sem que eu tenha certeza de que é meu filho - disse ela.

    Corpos ainda à espera de identificação no IML

    Abalada com o resultado do DNA, a dona de casa acredita que as máquinas e retroescavadeiras que trabalharam na retirada dos escombros podem ter mutilado o corpo do filho único e de outras vítimas. Para Vera Lúcia, a pressa de retirar o entulho pode ter feito com que corpos tenham desaparecido, sido mutilados e encontrados somente dias depois no lixão para onde todo o material retirado da área de desabamento foi enviado:

    - Tento entender por que os corpos e partes de corpos que estão no IML foram encontrados somente no lixão. Parece que tudo foi feito muito rápido. Será que o corpo do meu filho não estava inteiro? Tenho um sentimento de angústia dentro de mim. Acho que ali foi tudo feito de qualquer jeito. Por isso, foram encontrados só pedaços de corpos.

    A mãe que perambulou durante uma semana nos arredores da Avenida Treze de Maio, em busca de informações sobre o filho desaparecido, disse ainda que Bruno levava com ele uma mochila, dois celulares e cartões de crédito.

    - Acho que deveria haver uma perícia ali detalhada. Por que só encontraram a carteira de identidade do meu filho? E o resto? - reclama ela, acrescentando que ainda não sabe quando vai enterrar o corpo de Bruno.

    Durante o período em que passou junto aos escombros dos três prédios que desabaram, Vera Lúcia ficou conhecida porque, diariamente, conversava com bombeiros, policiais e equipes da Defesa Civil. Ela acreditava que Bruno poderia estar vivo, desacordado sob os escombros.

    De acordo com informações da assessoria de imprensa da Polícia Civil há mais de 20 parte de corpos aguardando identificação por meio de exames de DNA, no Instituto Médico Legal (IML). Esta semana, o delegado titular da 5ª DP (Lapa), Alcides Alves Pereira, continuará ouvindo depoimentos de pessoas que presenciaram a tragédia e possam colaborar com as investigações sobre o desabamento dos três prédios. O delegado aguarda também os laudos da perícia feita no prédio pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) para que sejam anexados ao inquérito.

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    1 comentário

    • monica  •  3 meses atrás
      Entendo, pra uma mãe nunca é fácil. Faria o mesmo!
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