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ATIVIDADES DE AMIGOS

    Um mar de problemas pela orla da Zona Sul

    DESTAQUES EM BRASIL

    Já se passam três verões desde o início das operações "Choque de Ordem" nas praias da Zona Sul. No entanto, as irregularidades nas areias ainda estão longe de serem combatidas. Basta uma caminhada pela orla, do Leme a São Conrado, para constatar que a fiscalização deixa muito a desejar: esportes praticados à beira d'água, animais na areia, queijos assados e camarões à venda por ambulantes são "proibições" facilmente encontradas.

    Em dezembro de 2009, uma das primeiras medidas do "Choque de Ordem" foi a padronização das barracas. A justificativa, na época, foi que a medida facilitaria a identificação e fiscalização dos vendedores autorizados a trabalhar nas praias cariocas. Só que sem manutenção, enferrujadas e cheias de remendo, as barracas acabaram sendo um tiro no pé.

    - Os barraqueiros exploram um ponto que é, além de cartão postal da cidade, um local nobre que atende ao turista e usuário de alto poder aquisitivo. A troca do material de trabalho deveria ser feita pelo menos uma vez ao ano. Este aspecto sujo e desleixado da praia leva os frequentadores a terem o mesmo padrão de comportamento. Tudo acaba sendo nivelado por baixo - opina Ignez Barreto, presidente do Projeto de Segurança de Ipanema (PSI).

    Quando questionados sobre a manutenção dos equipamentos, barraqueiros e autoridades não se entendem, num jogo de empurra-empurra de responsabilidades.

    Dilma Ana Abdia, proprietária da barraca "Dona Dilma", na altura da Rua Vinícius de Moraes, em Ipanema, diz que não tem condições de arcar com os custos de reparo.

    - Eles prometeram que iam ajudar com a manutenção, mas não fazem nada. Qualquer consertinho, nessa barraca, não sai a menos de R$ 600. Por isso é que estão todas ruins. Deveria ter manutenção de seis em seis meses, mas, sozinhos, não podemos bancar - afirma.

    A Secretaria Especial de Ordem Pública, por sua vez, disse que vai cobrar providências junto a associação de barraqueiros em relação a manutenção dos equipamentos.

    Banho nos cães e altinho a qualquer hora

    A falta de um maior ordenamento na praia, reflete-se também na qualidade dos serviços prestados a população. Em pleno verão, banhistas estão sem os banheiros do Posto 9, que está em obras.

    Durante uma visita à Praia de São Conrado, na semana passada, O GLOBO-Zona Sul flagrou uma banhista passeando com dois labradores à beira d'água. O presidente da Associação de Moradores e Amigos de São Conrado, José Britz, diz que frequentemente organiza campanhas para desestimular a prática e acusa a Guarda Municipal de não fazer a sua parte. Ele frisa que, diferentemente do que acontece em outros pontos, agentes da prefeitura não têm tendas na praia.

    Britz também reclama da má conservação do jardim da Praia de São Conrado, onde, de coqueiros doentes, só restaram os troncos.

    Outro problema comum na orla da Zona Sul é o jogo de altinho perto do mar fora do horário permitido - só está liberado depois das 17h. Na última semana, quando os termômetros marcaram 39 graus e as praias estavam lotadas, O GLOBO-Zona Sul flagrou várias rodas de altinho em Ipanema e Copacabana.

    Segundo a Secretaria Especial de Ordem Pública, a fiscalização foi intensificada desde o início da Operação Verão, no dia 9 de dezembro, com 481 guardas atuando no controle urbano da orla. O órgão afirma que, nos finais de semana, há um reforço de cem agentes.

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