RIO - Todos os tatames do planeta se rendem ao talento da jovem gaúcha Mayra Aguiar, de 20 anos. Três dias após conquistar o título do Grand Slam de Paris, ela se transformou numa pioneira do judô feminino verde-amarelo. Pela primeira vez desde a criação do ranking mundial e olímpico, em 2009, uma mulher brasileira está no topo da lista. Ontem, a Federação Internacional de Judô (FIJ) divulgou o ranking atualizado e Mayra Aguiar aparece como número um do mundo na categoria até 78kg.
- Sempre sonhei chegar à primeira posição no ranking. Era um objetivo e acho que todas as meninas vão se motivar. É bom para todo mundo, pois prova que é possível. O judô feminino do Brasil cresceu bastante nos últimos anos, mas é preciso treinar duro para chegar à medalha olímpica - afirmou Mayra. - Essa posição não é por acaso. É fruto de muito trabalho e de gente cooperando comigo. Fico orgulhosa e satisfeita, mas a primeira posição no ranking não vai abalar a nossa forma de trabalhar, sempre com empenho, dedicação e seriedade.
Não se trata apenas de impor respeito perante os demais judocas. O ranking da FIJ é o principal critério de classificação para as Olimpíadas de Londres, que acontecem entre os dias 27 de julho e 12 de agosto. Estarão classificados para os Jogos os 22 homens e 14 mulheres mais bem ranqueados, no limite de um atleta por país em cada categoria. Pelo ranking divulgado ontem, Mayra tem agora 1.730 pontos na meio-pesado feminino, contra 1.610 da japonesa Akari Ogata. Os números refletem uma temporada até agora impecável da gaúcha, invicta em 2012, com nove vitórias em nove lutas e duas medalhas de ouro conquistadas nos dois principais eventos antes das Olimpíadas: o Masters Top 16 do Cazaquistão e, em seguida, o Grand Slam de Paris.
Há sete anos no cargo e uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento do judô feminino do Brasil, a técnica da seleção, Rosicleia Campos, reforça a tese de que o feito de Mayra Aguiar serve para motivar todas as demais judocas.
- Quando entrei na seleção, em 2005, ninguém imaginava que o judô feminino poderia ter resultados expressivos, muito menos vislumbrar uma brasileira como número 1 do mundo. Hoje temos várias atletas no Top 10 do ranking. Isso é combustível de motivação para toda a equipe. Além de refletir em moral e respeito dentro do tatame - diz ela.
O presidente da Confederação Brasileira de Judô, Paulo Wanderley, ressalta que a ascensão de Mayra é fruto de um trabalho coletivo, que começa com o incentivo familiar.
- Essa conquista é resultado do empenho e dedicação aos treinamentos, da orientação dos treinadores, do apoio do clube, dos familiares e da Federação Gaúcha.
Além de Mayra Aguiar, outros brasileiros também são destaques na lista. Sarah Menezes, prata no Grand Slam de Paris, aparece em terceiro na categoria até 48kg. No masculino, Leandro Guilheiro não assumiu o posto de número 1 por apenas 6 pontos. O brasileiro tem 1.390 pontos, contra 1.396 do coreano Jae-Bum Kim.
Os pontos adquiridos em competições naquele ano perdem 75% do valor até o fechamento da lista Olímpica em 30 de abril de 2012. Os pontos de 2010-2011 valerão 50% do total e, a partir de maio de 2011 até abril de 2012, os pontos serão 100% computados. Valem pontos no ranking os Mundiais, Masters (Top 16), Grand Slam, Grand Prix e Copa do Mundo.
21 judocas no critério
Estão dentro do critério de classificação para Londres 2012: Felipe Kitadai (60kg/14 lugar), Breno Alves (60kg/25), Leandro Cunha (66kg/6), Luiz Revite (66kg/31), Bruno Mendonça (73kg/13), Leandro Guilheiro (81kg/2), Hugo Pessanha (90kg/7), Tiago Camilo (90kg/8), Luciano Corrêa (100kg/19), Leonardo Leite (100kg/22), Rafael Silva (+100kg/4), Daniel Hernandes (+100kg/9), João Gabriel Schlittler (+100kg/22), Sarah Menezes (48kg/3), Taciana Lima (48kg/18), Erika Miranda (52kg/6), Rafaela Silva (57kg/4), Mariana Silva (63kg/19), Maria Portela (70kg/21), Mayra Aguiar (78kg/1) e Maria Suelen Altheman (+78kg/10).


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