Rio de Janeiro, 28 jan (EFE).- O desmoronamento de três prédios no centro do Rio de Janeiro deixou até agora 17 mortos e cinco desaparecidos, mas também está gerando dúvidas sobre as causas e os responsáveis pela tragédia.
Três dias depois do acidente, as equipes de resgate continuam remexendo a montanha de concreto, ferros retorcidos e cabos em busca dos corpos, após ser descartada a possibilidade de sobreviventes sob as toneladas de escombros às quais foram reduzidos os três prédios na quarta-feira à noite.
Dos 17 corpos localizados, oito são de homens, seis de mulheres e três corpos ainda não foram identificados, informou à Agência Efe uma fonte da Defesa Civil.
O número de desaparecidos, que oscilou entre 15 e 22, foi agora revisado para cinco, afirmou o chefe da Defesa Civil do Rio de Janeiro, o coronel Sergio Simões.
"Hoje trabalhamos com a estimativa de 22 pessoas (desaparecidas), sendo que 17 (corpos) foram achados e cinco ainda estão desaparecidos", detalhou Simões neste sábado em entrevista à "Rede Globo".
O trabalho dos homens do Corpo de Bombeiros para resgatar os corpos e retirar as toneladas de escombros continua ininterrupto na Rua Treze de Maio, próxima à Cinelândia, onde o ambiente neste sábado era mais cinza pela chuva que caiu até o meio-dia.
A região, que de dia é agitada por ser passada de milhares de pessoas devido à grande concentração de comércios, escritórios e bancos, estava hoje praticamente deserta por ser sábado. O maior movimento era o de guindastes e caminhões das operações de resgate.
A poucos metros da Cinelândia, onde fica a Câmara Municipal, alguns poucos familiares e amigos dos desaparecidos acompanhavam hoje à distância o trabalho dos bombeiros com a esperança de que ao menos possam encontrar seus parentes para dar a eles um sepultamento digno.
Diante do ocorrido na madrugada de sexta-feira, quando um corpo que estava irreconhecível e coberto por terra foi despachado por engano em um caminhão com escombros para uma área na região portuária, as autoridades resolveram revisar o material já retirado da tragédia pelas escavadeiras com a ajuda de cães farejadores.
Não há uma previsão confirmada para o encerramento das operações, mas em vista da localização da maioria das vítimas, a Defesa Civil espera finalizar os trabalhos até domingo se as buscas evoluírem favoravelmente.
Com os trabalhos de resgate perto do fim, a atenção está concentrada na retirada total dos escombros e nas investigações para identificar o que gerou a catástrofe.
Pelos dados das autoridades, o primeiro a desmoronar na quarta-feira à noite foi o prédio Liberdade, de 20 andares, cujo impacto arrastou o vizinho Colombo, de 10 pavimentos, e os escombros de ambos sepultaram um pequeno imóvel comercial de cinco andares que ficava entre os dois.
Ao lado dos prédios envolvidos na tragédia - todos construídos há mais de 70 anos - fica o centenário Teatro Municipal e a poucos metros de distância outras construções históricas, como a Câmara Municipal, a Biblioteca Nacional e o Palácio de Belas Artes, que não sofreram danos.
A Polícia Civil abriu uma investigação para esclarecer as causas do desmoronamento e 11 pessoas já prestaram depoimento.
De acordo com os engenheiros, pela forma como o primeiro prédio desabou, na vertical, como castelo de cartas, a hipótese mais provável é que o acidente tenha sido causado pelas reformas que uma das empresas dona de escritórios no imóvel fazia no terceiro e nono andares, sem as respectivas licenças.
Algumas pessoas que trabalhavam no edifício Liberdade relataram que no terceiro andar a obra incluiu a retirada de praticamente todas as paredes, para deixar um espaço amplo, o que pode ter debilitado a estrutura do imóvel, cogitam os especialistas.
As autoridades investigam a possibilidade, mais remota, de que uma antiga infiltração de água no último andar tenha corroído as colunas de sustentação e abalado as estruturas.
Enquanto as autoridades investigam o que pode ter causado a catástrofe, um grupo de peritos começa a vistoriar os prédios vizinhos para avaliar o estado de conservação, pois temem que a queda de escombros possa ter causado danos às suas estruturas. EFE


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