RIO - Nomeado para o Ministério do Esporte em abril de 2006, Orlando Silva viu a pasta ganhar importância a partir do ano seguinte, quando o Brasil foi confirmado como sede da Copa do Mundo de 2014. Dois anos depois, o Rio de Janeiro ganhou a disputa para sediar os Jogos Olímpicos de 2016, o que elevou ainda mais o status do ministério. Agora, sua saída do cargo está longe de desagradar a Fifa, que o vê como pivô dos problemas entre a entidade e o governo federal por conta da redação da Lei Geral da Copa. A entidade, inclusive, vê Orlando como uma persona non grata. Antes mesmo da demissão do comunista do ministério, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, falou na substituição de Orlando como interlocutor do governo brasileiro para a Copa 2014.
Orlando Silva já era Ministro do Esporte no governo Lula, quando o Brasil, em tese, aceitou as condições impostas pela Fifa para ser sede da Copa do Mundo. A situação piorou em fevereiro, quando o secretário-geral da entidade esteve no Brasil para discutir os termos da lei que criaria regras válidas durante o evento. No entanto, em setembro, o governo enviou ao Congresso um texto que, na visão da Fifa, era bem diferente do acordado.
A lei não se manifestava quanto à venda de ingressos de meia entrada para estudantes e idosos, prevista na legislação de várias cidades sede. A Fifa, por sua vez, exige adminstrar totalmente a comercialização das entradas. A entidade via no texto, ainda, a falta de garantias na proteção às marcas da Copa do Mundo e seus patrocinadores, além de exigir a permissão da venda de bebidas alcoólicas em estádios. Orlando Silva, ao adotar um discurso alinhado com o da presidente Dilma Rousseff, de que o Brasil não modificaria suas leis para atender a exigências, passou a ser visto como um fator complicador nas negociações. Para a entidade, Orlando Silva "politizava" demais uma série de questões relativas à organização da Copa do Mundo.
A necessidade de cumprir prazos para a organização da Copa do Mundo e a polêmica quanto à Lei Geral colocaram a condução dos Jogos Olímpicos de 2016 temporariamente em segundo plano. A relação era, aparentemente mais amistosa, mas havia pontos de discordância com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Entre eles, a proposta do agora ex-ministro de condicionar o repasse de recursos federais a confederações esportivas que abolissem a permissão de mais de uma reeleição de seus dirigentes. Outro ponto de discordância foi a cobrança por parte do presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, quanto à criação da Agência Brasileira de Controle de Dopagem, uma responsabilidade do governo federal.


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