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    Modelos substituem tradicionais books por tablets

    RIO - Em meio a quilos de produtos de maquiagem, secadores e araras repletas de roupas, os tablets ainda aparecem timidamente, mas já se consolidam como o mais novo instrumento de trabalho dos profissionais do mundo da moda. Em Nova York, há quase um ano modelos exibem suas fotos através do dispositivo, deixando de lado os tradicionais e pesados books.

    No Brasil, ainda são poucas as que fazem uso do equipamento, mas é uma questão de tempo para que ele vire tendência, aposta Liane Kohlrausch, proprietária da agência L'Equipe:

    - As modelos que passam uma temporada lá fora trazem seus aparelhos e começam a usar nos testes daqui. As que ainda não viajaram veem e querem também. Já temos pelo menos cinco profissionais que trabalham conosco que só carregam seus iPads para as seleções.

    No Fashion Rio, a top Marcelia Freesz, de 21 anos, era uma das poucas modelos que desfilava com um tablet pelos camarins e corredores do Píer Mauá. Enquanto aguardava para ser maquiada, usava o equipamento para navegar na internet.

    - Sempre estou com o meu na bolsa. É como um celular, mas, ainda não uso como book. Em Nova York, sei de agência que já criou até aplicativo de books digitais para iPads - conta ela.

    Torquatto também usa

    Mesmo sem ter um software específico, o booker Gelbh Costa, da agência Mega de São Paulo, criou uma pasta em seu tablet com os composites digitalizados de todos os seus modelos. A vantagem, segundo ele, é a possibilidade de mostrar um vasto material para um possível cliente a qualquer momento.

    Foi assim, através de um iPad, que o fotógrafo e maquiador Fernando Torquatto exibiu para o diretor criativo do Fashion Rio, Paulo Borges, algumas imagens de personalidades que ele registrou ao longo de sua carreira. O fruto do encontro foi a mostra que reuniu 34 retratos suspensos em um dos armazéns do Píer Mauá durante a semana de desfiles.

    - Eu gosto bastante de usar o tablet porque nele você consegue ver com mais detalhamento as fotos. A luminosidade do aparelho também valoriza as imagens, além de ser prático de carregar.

    Mas, há quem tenha dúvidas se a moda vai pegar facilmente entre os profissionais que atuam no Brasil. Para a booker Bruna Bianchi, da agência Elo, a falta de segurança e o alto custo são alguns dos entraves para a disseminação do gadget no cotidiano das modelos, principalmente as novatas que precisam se locomover muito e de ônibus.

    - Minhas modelos que estão trabalhando no Japão contam que as russas e canadenses só usam iPads para mostrar suas fotos. Mas aqui é diferente. Se roubarem o tablet, a modelo não vai ter o que apresentar ao cliente. Já o book tradicional, ninguém quer roubar.

    Sérgio Mattos, diretor da agência 40 Graus Models, engrossa o coro em prol do velho álbum:

    - Eu gosto de manusear, de pegar as fotos. Se precisar, posso tirar uma do book para ver melhor. Acho que vou demorar pra me acostumar ao tablet. Mas, na moda é assim: tem peça que a gente acha estranha quando o estilista lança na passarela, e, de repente, está todo mundo usando.

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