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ATIVIDADES DE AMIGOS

    Mudança no perfil de despesas captado pelo IBGE reflete desejos globais

    DESTAQUES EM ECONOMIA

    RIO - A nova fórmula de cálculo da inflação, que começou a ser aplicada no mês passado, mostrou que a estrutura de consumo das famílias brasileiras passa por uma revolução. Com a ascensão de 48,7 milhões à classe média na última década, a população gasta agora fatia maior da renda com bens de consumo e transportes e menos com alimentação e educação. No bojo dessa inclusão econômica, o Brasil estaria vivendo, segundo analistas, um processo bem mais profundo do que a ida da nova classe C às compras. Segundo o antropólogo Everardo Rocha, da PUC-Rio, há sinais do que ele chama de globalização do consumo.

    Se a sardinha perdeu seu posto para o salmão na dieta nacional, não é só porque este peixe representa um status social mais elevado, mas, sobretudo, porque o salmão é um prato global. O hábito de comê-lo é retratado em filmes dos mais variados países:

    - Isso vem desde o surgimento da TV, mas chegamos ao auge da influência com a internet.

    Mas a mudança não abarca apenas o que comemos. Segundo Rocha, o aumento do peso das passagens aéreas é prova disso, já que o costume de voar é um dos hábitos mais representativos dessa nova era global.

    - A verdade é que o Brasil se tornou um país moderno, e isso acarreta mudanças. Estamos cada vez mais globalizados e deixamos de ser indivíduos para nos tornarmos integrantes de uma rede - corrobora Marcelo Angeletti, professor da ESPM.

    Angeletti ressalta que os indícios dessa globalização estão presentes em países onde está havendo ascensão social e onde não há isso. Um exemplo é o consumo de eletrônicos, cujo peso subiu de 1,38% para 2,01% no IPCA, e que também cresce em nações onde a pobreza resiste. São esses produtos que mantêm as pessoas conectadas à rede.

    A reponderação do IPCA, medido pelo IBGE, levou em conta a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2008/2009. Até então, refletia a POF de 2002/2003.

    A grande surpresa foi a redução do peso da educação nas famílias. Marcelo Medeiros, pesquisador da UnB, diz que os colégios particulares não vão resolver o problema de educação no Brasil, já que 90% dos jovens estudam em colégios públicos:

    - Em qualquer avaliação séria, é preciso olhar o ensino público.

    Medeiros afirma que não se pode tutelar o consumo:

    - Eu acho ótimo que tenha celular, televisão em casa, é culturalmente bom. É positivo.

    Mas o investimento em educação da nova classe média existe. Amanda Miranda, de 16 anos, é a primeira da sua casa, que tem renda de cerca de R$ 2.000, a sair do país. Em julho, Amanda passou duas semanas estudando inglês em Bournemouth, a 160 quilômetros de Londres.

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