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    Nevada reforça Romney para disputas no Colorado e em Minnesota

    DENVER- A incontestável vitória obtida por Mitt Romney em Nevada no sábado, a segunda consecutiva, reforçou seu favoritismo para as disputas republicanas de amanhã no Colorado e em Minnesota - em forma de caucus (assembleia de eleitores).

    Em 2008, o ex-governador de Massachusetts venceu com facilidade as prévias presidenciais nos dois estados. Mas chegou em terceiro no Missouri, onde a consulta popular desta semana não designará delegados, e da qual o ex-presidente da Câmara Newt Gingrich, que desponta como seu principal adversário pela indicação, não participará.

    No Colorado, a tempestade de neve que atingiu o estado nos últimos dias, a maior em 103 anos na capital Denver, pode ter varrido o caminho para a ascendente campanha de Romney. John Geer, do departamento de Ciências Políticas da Universidade Vanderbilt, acredita que o atual momento vitorioso do candidato deverá se estender.

    - Será uma surpresa se ele não vencer no Colorado e em Minnesota. No Colorado, a população de mórmons (a religião de Romney), menor do que a de Utah, mas superior a de muitos outros estados, poderá ainda impulsionar sua votação - prevê.

    Geer acredita que em Minnesota o ex-governador da Pensilvânia Rick Santorum poderá dar trabalho a Romney, mas não o suficiente para lhe tirar o primeiro lugar, embora uma recente pesquisa de opinião aponte um empate técnico entre os dois candidatos.

    - Santorum, que divide com Gingrich os votos da ala republicana mais conservadora, não pode ser descartado. Ele está tentando focar em estados como o Missouri, ignorado por Gingrich, onde um eventual sucesso lhe daria um fôlego suplementar. Mas sua candidatura não deverá resistir até o mês que vem - pondera.

    O analista político conservador Michael Barone também prenuncia novas vitórias do atual líder da corrida presidencial republicana na próxima terça-feira:

    - Santorum deverá chegar à frente em Missouri, o que poderá lhe dar um impulso adicional. Ron Paul (deputado texano libertário) não deve fazer feio no Colorado e em Minnesota, mas os dois estados são para Romney.

    Barone não vê nenhum candidato capaz de impedir Mitt Romney de obter a nomeação do Partido Republicano para disputar a eleição presidencial contra Barack Obama:

    - Republicanos ainda não o consideram suficientemente conservador. Alguns desconfiam de seus comentários. Mas ele se mostra como o melhor candidato contra Obama nas pesquisas.

    Em Minneapolis, capital de Minnesota, o analista Ed Lottermann aponta as origens de Newt Gingrich como desvantagem para suas ambições no estado.

    - Ele é da Geórgia, e no norte há um certo preconceito em relação aos sulistas. Temos um conservadorismo religioso republicano aqui. Michele Bachmann (líder do movimento radical Tea Party que se retirou da disputa presidencial) é de Minnesota. O poder do Tea Party declinou bastante no estado, e muitas pessoas culpam os deputados eleitos pelo movimento pelo bloqueio das ações no Congresso - diz.

    Há republicanos moderados, não necessariamente da direita religiosa, assinala, que irão votar em Romney em vez de Gingrich. Conhecedor da política brasileira, Lottermann traça uma comparação singular:

    - Gingrich é o nosso Jânio Quadros. Ele possui um certo apelo carismático, mas também é muito volátil, impulsivo, e Minnesota é um estado tipo escandinavo, de cultura reservada. Sua personalidade não tem apelo aqui como em outros lugares. As pessoas são bastante desconfiadas em relação a ele.

    O analista cita ainda um auxílio extra para um desempenho favorável de Romney no estado: o apoio declarado de Tim Pawlenty, considerado " um governador de Minnesota popular entre os republicanos".

    Abdirizak Bihi, um dos líderes na comunidade somali de Minneapolis, de cerca de 10 mil imigrantes, diz que os dois partidos têm disputado a atenção local.

    - Hoje, a tendência aqui é mais republicana. Nos últimos 15 anos os democratas nos prometeram muita coisa, mas só retornavam aqui em época de eleição, então começamos a trabalhar com os republicanos. Agora os democratas estão com ciúmes e voltaram com força - explica.

    Sobre o caucus republicano, o líder comunitário prefere não abrir seu voto, mas revela que sua mulher é fã de Ron Paul:

    - Eu conheço muitas pessoas que gostam de Ron Paul aqui, principalmente pela sua política internacional de não intervenção.

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