RIO - Às 6h deste domingo, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) alterou para o estágio de alerta máximo a situação do Norte-Noroeste do estado. A região é cortada pelo Rio Muriaé, que apresenta risco de novas cheias. De acordo com o Inea, estão em alerta máximo os municípios de Laje do Muriaé, Itaperuna, Cardoso Moreira e Italva. Está chovendo pouco na região desde o início da manhã, mas o nível do rio está subindo. De acordo com o Inea, já existem pontos com grave transbordamento. A Região Serrana e a Baixada Fluminense, por sua vez, estão em estado de vigilância.
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Três municípios onde o volume de água chegou a 100 milímetros na madrugada - Itaperuna, Italva e Laje do Muriaé - entraram em estado de alerta para deslizamentos, segundo o coordenador regional de Defesa Civil do Noroeste, coronel Douglas Paulich. O deslizamento de duas barreiras devido à chuva interrompeu o tráfego em duas estradas que ligam os municípios de Campos dos Goytacazes e Cardoso Moreira, na madrugada deste domingo. Desde quinta-feira, quando o rompimento de um dique interditou a BR-356, as duas vias eram as principais ligações entre as cidades, segundo o subsecretário de Defesa Civil de Cardoso Moreira, Edgar Alves da Rocha.
Equipes da Defesa Civil foram enviadas para desobstruir as pistas, mas não há previsão de liberação. As barreiras caíram nas estradas do Baú e de Valão do Pires. Há outras estradas vicinais que ligam os dois municípios, mas essas duas eram as principais depois da BR-356, segundo explicou o subsecretário.
Enquanto isso, moradores de Itaperuna que vivem próximo a encostas estão sendo avisados para deixar suas casas neste domingo, conforme informou ao G1 o coordenador da Defesa Civil município, capitão Joelson Oliveira.
- O maior risco agora são as pessoas que vivem próximas a encostas. A gente pede para que procurem um abrigo ou casa de parentes, porque vem mais chuva - alertou Oliveira.
Segundo ele, um deslizamento no bairro de São Mateus atingiu uma casa, e agentes interditaram três imóveis. Não houve feridos. Ele disse ainda que o Rio Muriaé continua subindo neste domingo, apesar de não chover mais no local. Entretanto, a previsão é de mais chuvas na região neste domingo e na segunda-feira. A cidade tem três mil desalojados e 106 desabrigados, de acordo com a Defesa Civil.
- Em Itaperuna, transbordaram o córrego da Cehab (Companhia Estadual de Habitação) e o de Raposo, por exemplo. E a previsão é de mais chuva - acrescentou Paulich, informando, ainda, que o acumulado de água impede que o Rio Muriaé baixe, retardando o processo para entrar na calha.
A cidade de Italva pode decretar estado de calamidade pública, de acordo com o prefeito Joelson Gomes Soares.
- Nós estamos praticamente perdendo o controle da situação, porque choveu além do previsto. A previsão era 30 milímetros e choveu mais de 70. Todas as questões se agravaram muito mais, estamos muito preocupados. Se não houver ajuda imediata do governo federal ou estadual a gente vai decretar estado de calamidade pública - informou Soares, acrescentando que mais de sete mil pessoas foram afetadas pela enchente. - O número de desalojados passou de 700, e são 230 desabrigados
Segundo o prefeito, faltam recursos para dar conta das atuais demandas do município após o temporal, como, por exemplo, a área da saúde. Na manhã deste domingo, 12 pessoas ficaram levemente feridas após deslizamentos nos bairros São Caetano, Morro Grande e Caixa D'água. O município, de acordo com ele, também sofre com o abastecimento de água, que estaria funcionando com cerca de metade da capacidade.
A chuva voltou a castigar os municípios do Noroeste do estado desde a noite deste sábado, até a manhã deste domingo. Um caminhão foi enviado neste domingo pela manhã pelo Departamento Geral de Defesa Civil com mil cestas básicas para Itaperuna. De lá, serão distribuídas para a população das cinco cidades, as mais atingidos pela chuva no noroeste, segundo o o coordenador.
A previsão de chuva forte para domingo, tanto no Rio quanto em Minas Gerais, faz com que os moradores das cidades mais atingidas pelas chuvas continuem numa espécie de vigília. O caso mais grave é o da localidade de Três Vendas, em Campos, um distrito que foi praticamente evacuado, mas onde ainda há moradores que não querem deixar suas casas. A energia foi cortada para evitar curtos-circuitos, e toda a área é patrulhada pela Guarda Municipal para evitar saques. Por volta das 19h deste sábado, começou a chover bastante em São Fidélis e em Santo Antônio de Pádua. As duas cidades estão entre as localidades em estado de alerta.
Até sábado, quando fez tempo bom e as águas dos rios Pomba, Muriaé e Paraíba do Sul estavam recuando para o seu leito normal, sete cidades do Norte e do Noroeste Fluminense atingidas por enchentes ainda permaneciam em estado de emergência. A prefeitura de Santo Antônio de Pádua foi a primeira a contabilizar os prejuízos com as chuvas: cerca de R$ 20 milhões.
A situação em Três Vendas só deve se normalizar em quatro meses. O nível do Rio Paraíba do Sul, que alcançou na quarta-feira 11,5 metros, baixou para a 9 metros neste sábado. Em Campos, o prejuízo no setor rural é enorme. O secretário estadual de Agricultura e Pesca, Christino Áureo, disse que ainda é cedo para calcular os prejuízos, mas adiantou que a produção leiteira de região deve ter uma queda de, no mínimo, 10%. Acrescentou que 300 máquinas serão usadas para recuperar estradas vicinais. Segundo o secretário de Saúde de Campos, Paulo Hirano, a preocupação agora é com as doenças que surgem após as enchentes:
- Os moradores das áreas atingidas foram vacinados contra a hepatite A e tétano. Os idosos receberam vacinas contra a gripe. Mobilizamos nossa estrutura, porque existem doenças como a leptospirose, transmitida pela urina do rato. A direção da Firjan Noroeste doou 250 galões de água para as vítimas das chuvas. Da remessa, 150 galões foram enviados a Itaperuna e cem a Laje do Muriaé, onde a Secretaria de Promoção Social vai entregá-las à população.
Campos: sexto município a receber kits calamidade
O sexto município a receber os kits calamidade é Campos dos Goytacazes. O equipamento é enviado pela Secretaria de Estado de Saúde às cidades atingidas pelas enchentes e alagamentos no Norte e Noroeste Fluminense. Os outros locais que já receberam o kit foram Laje do Muriaé, Santo Antônio de Pádua, Italva, Cardoso Moreira, Itaperuna e Aperibé.
O equipamento vai armazenado em seis grandes caixas, com estoque para atender até 500 pessoas. Cada kit contém 45 itens, como medicamentos para a atenção básica, frascos de cloreto de sódio, frascos de dipropionato de dexometasona de 250 mg, esparadrapo impermeável, frascos de permetrina, salbutamol e unidades de dexometasona, luvas, seringas, paracetamol, penicilina, ataduras, água, glicose e catéter.
De acordo com informações da Secretaria estadual de Saúde, os municípios também recebem frascos de hipoclorito de sódio, usado para desinfecção de feridas e água, e material informativo à população. Neste sábado, Campos e Italva receberam 2.000 e 300 doses de vacina antitetânica, respectivamente.


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