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    Com país abalado por violência, sírios votam em referendo constitucional

    Damasco, 26 fev (EFE).- Em meio a um clima de violência e a um boicote organizado pela oposição ao presidente Bashar al Assad, cidadãos da Síria foram às urnas neste domingo votar em um referendo sobre uma reforma constitucional que pode abrir o país ao pluripartidarismo.

    O Ministério do Interior sírio informou que 11.185 centros de votação começaram a funcionar às 7h locais (2h de Brasília) e têm horário de fechamento previsto para as 19h (14h de Brasília), embora o prazo possa ser estendido por mais três horas se houver um grande número de eleitores.

    Cerca de 14,4 milhões de sírios maiores de 18 anos foram convocados para votar "sim" ou "não" sobre as emendas constitucionais, apresentadas pelo regime como fruto do processo de reformas empreendido por Assad.

    As autoridades abriram mesas eleitorais dentro até dos edifícios governamentais para que seus funcionários participem, assim como em locais como aeroportos e postos de fronteira.

    O próprio Assad foi junto com sua esposa, Asma, depositar sua cédula na sede da rede de televisão estatal, que fica perto da praça dos Omíadas, no centro da capital Damasco, onde uma multidão o recebeu com cânticos e saudações de apoio.

    Fontes oficiais disseram à Agência Efe que os resultados podem ser anunciados já nesta segunda-feira. A nova Carta Magna inclui como principal mudança a supressão do artigo 8, que estipula que o partido Baath, no poder desde 1963, é "o líder do Estado e da sociedade".

    Com o novo texto, redigido por uma comissão constitucional de 29 membros, outros partidos terão o direito de designar seus candidatos à Presidência, que por sua vez pode ser ocupada no máximo por dois mandatos, cada um de sete anos.

    Esta emenda entrará em vigor a partir das próximas eleições, previstas para 2014. Com isso, Assad - que está há 12 anos à frente do país, após três décadas de governo de seu pai, Hafez - poderia seguir no cargo por mais 16 anos, até 2028.

    A comissão constitucional manteve também o artigo que estipula que o presidente deve ter pelo menos 40 anos de idade e ser muçulmano, o que gera contestações tanto da grande comunidade cristã como de muçulmanos laicos.

    Milhares de pessoas se reuniram em uma das principais praças de Damasco com bandeiras sírias e fotos do presidente para saudar a convocação do referendo.

    "Vim para dizer 'sim' às reformas que o presidente Assad está realizando. Acho que a minuta de constituição é única, moderna e um exemplo que deveria ser seguido pelos países do Oriente Médio", afirmou Ahmar, um engenheiro de 29 anos, à Agência Efe.

    "Hoje é um dia de celebração nacional. Todo mundo deveria ver o que o presidente está fazendo. É o único entre os líderes árabes que se preocupa com seu povo", acrescentou Samira, uma jovem que estava cercada por amigas que bradavam lealdade a Assad.

    O referendo ocorre dois dias depois que a conferência dos chamados "Amigos da Síria" reuniu na Tunísia representantes de 70 países que condenaram o regime, mas não adotaram nenhuma medida concreta.

    A Frente Nacional Progressista, uma coalizão de dez partidos liderada pelo Baath, reivindicou a seus membros o voto afirmativo no referendo, da mesma forma que outras legendas de criação recente.

    Por sua vez, a oposição interna tolerada pelo regime criticou a votação. Hassan Abdulazim, coordenador do Conselho de Coordenação Nacional (CCN), que reúne grupos socialistas, marxistas, liberais e curdos, declarou em comunicado que seu bloco não participará do referendo por considerar que antes é preciso "acabar com o derramamento de sangue".

    "A prioridade é agora pôr fim à violência, acima de uma constituição redigida pelas autoridades", disse.

    A realização do referendo não impediu que, por mais um dia, a violência custasse as vidas de dezenas de pessoas em diferentes partes do país, principalmente na cidade de Homs, segundo os grupos de oposição.

    De acordo com os Comitês de Coordenação Local, pelo menos 29 pessoas foram assassinadas neste domingo em todo o país: 17 delas em Homs, oito em Halfaya (província de Hama), e uma, cada, em Maaret Numan (província de Idlib), Elma, Om Walad e Nawa (província de Deraa).

    Já a agência de notícias estatal "Sana" informou a morte de sete militares das Forças Armadas sírias em Homs, Deraa e Rif Damasco. Todos teriam sido assassinados por "grupos terroristas armados". EFE

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