RIO - A nova base brasileira na Antártica terá uma arquitetura nova, mais "completa e orgânica". A afirmação foi feita pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, neste domingo, um dia após o acidente que destruiu a Estação Comandante Ferraz e matou duas pessoas. De acordo com o ministro, o planejamento da nova estação Antártica, na Ilha Rei George, deve começar na segunda-feira.
- A nossa ideia é imediatamente, já, chamar arquitetos para fazer desenhos, inclusive um desenho mais novo. Não estou dizendo que é por isso que aconteceu o incêndio, mas, obviamente, a base começou há 30 anos, então, ali ela foi agregando um pedaço ou outro. Agora já podemos pensar numa coisa para o futuro, digamos, de maneira mais completa, mais orgânica - disse Amorim.
O ministro ressaltou, no entanto, que ainda não é possível avaliar os danos na estação incendiada, nem precisar quando a nova base estará pronta.
O acidente ameaça o futuro de um dos mais bem-sucedidos e estratégicos programas de pesquisa do Brasil. Longe de ser apenas um lugar inóspito, a Antártica ocupa hoje lugar de destaque em discussões sobre o clima e as riquezas naturais do mundo. Antes colocado de lado nessas discussões, o Brasil ganhou voz no Tratado Antártico por conta da estação e havia se firmado nos últimos anos na primeira linha das pesquisas sobre a região. Especialistas estimam que os estudos na estação ficarão suspensos por pelo menos um ano.
Além da perda de equipamentos importantes e caros (um único aparelho perdido está avaliado em US$ 120 mil) e de todos os dados coletados na temporada de pesquisa de 2012 - que começou em dezembro e terminaria em março -, o incêndio deixa sem base fixa todas as dezenas de grupos de estudo com trabalhos na Antártica. Até a reconstrução da estação, as pesquisas estão, em sua maioria, paralisadas ou dependerão da colaboração de parceiros estrangeiros.
O continente é fundamental para a regulação do clima e da circulação oceânica na América do Sul. É o grande refrigerador do mundo, que controla ciclos de vida e morte nos mares do mundo. A estação tinha uma importante linha de estudos de meteorologia. De lá, saiam dados importantes para a previsão de frentes frias no país, por exemplo.
No sábado, dia do acidente, o Palácio do Planalto divulgou nota em que a presidenta Dilma Rousseff manifestou "grande consternação" com o acidente e afirmou sua intenção de reconstruir a Estação Antártica Comandante Ferraz. A presidente elogiou o heroismo dos militares que tentaram apagar o incêndio. E determinou ainda ao ministro da Defesa, Celso Amorim, a adoção das medidas necessárias para salvaguardar a segurança dos cientistas, militares e visitantes que se encontravam na Base. Dilma também agradeceu o apoio dado por outros países no resgate dos brasileiros, principalmente Polônia, Chile e Argentina.


2 comentários