RIO - Do alto, uma grande mancha verde escorre pelo Canal da Joatinga. A imagem feita na segunda-feira durante um sobrevoo de repórteres do GLOBO sobre as lagoas de Jacarepaguá revela que a poluição continua a ameaçar as praias da Barra. As características e a coloração da água levantam a recorrente preocupação de uma eventual contaminação da região por algas potencialmente tóxicas, como a Microcystis aeruginosa. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) analisou as fotografias feitas pelo jornal e informou que vai analisar amostras de água para saber se a mancha é causada por alguma substância que ofereça riscos para os banhistas.
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O biólogo Mário Moscatelli acompanhou o fotógrafo Custódio Coimbra na visita à região, na manhã de segunda-feira. Ele disse que há um risco concreto de a mancha ser provocada pelas Microcystis, que se reproduzem nas Lagoas de Jacarepaguá há mais de 15 anos.
Mas, de acordo com a Gerência de Qualidade da Água do Inea, o fenômeno foi causado pela mudança da maré, que provoca o deslocamento das algas da lagoa até o mar. Essas algas, segundo o órgão, são comuns na lagoa e, sem a coleta de amostras, não é possível precisar qual a espécie delas.
A gerente de Qualidade da Água do Inea, Fátima Soares, garantiu que as praias e as lagoas da Barra são regularmente monitoradas. Apesar disso, ela afirmou que, se não houver análises recentes do trecho, novas amostras serão coletadas ainda hoje.
"A fotografia retrata uma condição de maré da hora em que foi feita. Naquele horário, a maré era de um metro e meio, vazava muita água da lagoa em direção ao mar", afirmou a diretora do Inea, acrescentando que há outro tipo de alga que cresce nas lagoas e não é tóxica. "A possibilidade de algas potencialmente tóxicas existe. Mas há outra que confere à água exatamente o mesmo aspecto e que nunca se mostrou tóxica em nosso ambiente aquático. Além disso, o mar tem uma hidrodinâmica monstra, que dispersa o material, bem diferente do que acontece na lagoa".
A Praia do Pepê, há alguns anos, já chegou a ser considerada imprópria devido à presença de algas tóxicas, que podem contaminar o pescado e causar câncer. Moscatelli criticou a postura do Inea.
"A atitude correta seria a prevenção. Se você sabe que há uma bactéria dispersa por todas as lagoas, que se reproduz com esgoto e calor, deve adotar ações preventivas. Não se pode brincar com a saúde das pessoas. Uma coisa é o banhista ter uma diarreia ou micose, outra é ter contato com uma substância que pode causar câncer de fígado", afirmou o biólogo, acrescentando que, no primeiro sobrevoo, às 10h, avistou a mancha entre o Quebra-mar e o posto de Grupamento Marítimo dos Bombeiros e, no segundo, por volta de meio-dia, já chegava à Praia do Pepê.
O trecho entre o Quebra-mar e a Praia do Pepê é normalmente considerado impróprio para o banho pelo próprio Inea, depois de uma análise dos níveis de coliformes fecais que chegam com as águas da lagoa ao mar.



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