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    Presidente da Odebrecht Infraestrutura acredita em 'nova era' após leilão de aeroportos

    SÃO PAULO - Benedicto Junior, presidente da Odebrecht Infraestrutura - braço da construtora que integra, com a operadora de aeroportos de Cingapura Changi e o banco Safra, um dos 11 consórcios que disputarão hoje os acirrados leilões de privatização dos terminais de Guarulhos, Viracopos e Brasília - acredita que o modelo de parceria público-privada, no qual a Infraero fica com 49% das novas empresas, é temporário. Para ele, o governo perceberá, gradualmente, que não faz sentido gastar dinheiro com aeroportos, quando há tanto a fazer nas áreas de educação e saneamento. "É um modelo transitório, mas importante para romper com um paradigma, o dos aeroportos estatais", diz. A Odebrecht ainda quer participar dos futuros leilões dos aeroportos do Rio de Janeiro e de Salvador.

    O GLOBO: Quão estratégico é o setor de aeroportos para a Odebrecht?BENEDICTO JUNIOR: No mundo são raros os aeroportos nas mãos do poder público. O setor privado tem a tecnologia, os recursos e as ferramentas para gerenciar essas empresas. Estamos entrando hoje em uma nova era de desenvolvimento.

    Mas os aeroportos serão transformados em uma parceria público-privada, com a Infraero ainda com 49% da empresa controladora privatizada...

    JUNIOR: É uma evolução do modelo estatal antigo. Nos últimos 16 anos, vivemos um amadurecimento do nosso processo democrático, e é compreensível que o governo ainda queira participar de decisões em setores que considera estratégicos. Mas acredito que esse é um modelo transitório.

    Como assim?

    JUNIOR: É um modelo transitório, mas importante para romper com um paradigma, o dos aeroportos estatais. Por outro lado, não podemos ser tão severos com a Infraero, porque as decisões estratégicas no setor público são tomadas com muita lentidão e de forma complexa. Há dez anos, tínhamos aeroportos excelentes, que não acompanharam a evolução rápida da economia. Mas até que ponto o governo vai acompanhar as necessidades de aporte de recursos para investimentos que os aeroportos exigem? E os aeroportos são empresas que precisam de aporte de dinheiro contínuo. Gradualmente, o governo vai perceber que não há necessidade de permanecer no capital dessas empresas, que tendem a se tornar 100% privadas. E vai perceber que precisa direcionar esses recursos para áreas onde o Estado precisa estar mais presente, que são educação e saneamento.

    E como será a convivência com o governo, não apenas com o sócio estatal, mas também com os reguladores em um setor como o da aviação civil, ainda tão militarizado?

    JUNIOR: O setor privado terá enorme dificuldade de conversar com essas autarquias, mas tenho certeza de que a administração pública será pragmática. Percebe-se que o governo da presidente Dilma Rousseff está empenhado em liberar as amarras que ainda impedem o setor de infraestrutura de fluir.

    Como vocês se prepararam para o leilão?

    JUNIOR: Com muito cuidado e atenção, tanto que nossa participação no consórcio foi aprovada pelo Conselho de Administração da Odebrecht somente na semana passada. Mas estudamos o setor de aeroportos há dois anos e meio, tanto do ponto de vista do investimento em si, quanto do das obras de engenharia.

    Estamos interessados em cinco aeroportos: esses três (Guarulhos, Viracopos e Brasília) mais o do Rio de Janeiro e o de Salvador (onde fica a principal operação da Braskem, do grupo Odebrecht, a maior petroquímica do Brasil). O Changi Airport, de Cingapura, tem experiência tanto na administração de um dos mais movimentados aeroportos do mundo quanto na área de engenharia.

    Facilitou ainda o fato de o Temasek, o fundo soberano de Cingapura, que é dono do aeroporto, ser nosso sócio na Odebrecht Óleo e Gás desde 2010. A ideia de governança do Temasek é conhecida. E o banco Safra compartilha conosco uma visão de Brasil grande.

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