Desde o dia 3 de janeiro a região da Cracolândia, localizada no centro de São Paulo, é palco da Operação Integrada Centro Legal. O objetivo, de acordo com a prefeitura da capital paulista, é combater o tráfico de drogas na região, diminuir a criminalidade e recuperar as áreas degradadas da Nova Luz. Em contrapartida, organizações sociais e especialistas alegam que a ação é uma “higienização” social que favorece a especulação imobiliária com o Projeto Urbanístico para a Nova Luz, que pretende “requalificar” a região com empreendimentos imobiliários.
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O arquiteto urbanista Kazuo Nakano, do Instituto Pólis, critica o
projeto atual da Nova Luz. “Ele [o projeto urbanístico da Nova Luz]
visa, única e exclusivamente, abrir um espaço urbano na frente de
viabilização de negócios imobiliários dentro de um espaço urbano
consolidado. E tudo isso está sendo alavancado pelo poder público, com
investimento público e legislação urbanística, a fim de criar condições
para que o mercado se aproprie de trechos e terras urbanas estruturadas
para realizar empreendimentos imobiliários que serão colocados
posteriormente no mercado”, afirma. “A lógica é parecida com a que
conduziu as desapropriações na Faria Lima e Água Espraiada”.
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano afirma que a Concessão Urbanística da Nova Luz “procura uma transformação urbana na área, aproveitando-se da grande infraestrutura instalada no local, especialmente com relação à sua acessibilidade”. Segundo a secretaria, a Concessão vai permitir a “geração de 19 mil novos empregos, com cerca de 373 mil m² a mais de área dedicados ao estímulo da atividade econômica”. “Também serão instaladas habitações de interesse social (mais de 4.600 novas moradias, sendo mais de 2 mil unidades de habitação popular, trazendo 12 mil moradores para a região), escola (infantil e fundamental), creches, ciclovias, calçadas mais largas construídas com materiais permeáveis, áreas verdes, parques lineares, novo sistema de iluminação pública, implantadas melhorias dos acessos ao transporte metro-ferroviário, além de se buscar a preservação do patrimônio histórico da região e a requalificação de edificações A ideia é que a Nova Luz torne-se um espaço que seja ocupado e aproveitado 24 horas por dia, 7 dias por semana”.
Participação da sociedade
Kazuo aponta outro problema na concepção do projeto: a falta da participação da sociedade. “A medida básica que deveria orientar qualquer projeto urbano que quer ter uma base social ampla, heterogênea, é o processo de discussão e a consulta pública ampla. É necessário incorporar os grupos de interesse como agentes decisórios, responsáveis pelo processo e pelo produto. A falta dessa interlocução gerou desconfiança por partes dos moradores, comerciantes, usuários e proprietários de imóveis”.
A SMDU informou que foram realizadas nove reuniões com representantes ligados ao setor de comércio e 15 reuniões com representantes ligados ao setor de habitação, mais audiências públicas, reuniões semanais com o Conselho Gestor da ZEIS (Zona Especial de Interesse Social) para “aprimoramento do plano habitacional na área específica da intervenção”, atendimento em posto situado na rua General Couto de Magalhães, além do site www.novaluzsp.com.br/projeto.asp, que disponibiliza o projeto.
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Urbanistas veem processo de 'higienização' no projeto Nova Luz
Por Bárbara Nascimento | Yahoo! Notícias – qua, 1 de fev de 2012Como você se sente ao ler este artigo?
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