Nairóbi, 30 jan (EFE).- A milícia radical islâmica Al Shabab proibiu o Comitê Internacional da Cruz Vermelha de continuar suas operações na Somália, informou nesta segunda-feira o serviço de imprensa dos fundamentalistas por meio de sua conta no Twitter.
"Após a contínua distribuição de alimentos velhos e falsas acusações contra a Al Shabab se decidiu terminar, permanentemente, o contrato com a Cruz Vermelha", afirmou a primeira das mensagens emitidas pela imprensa da organização.
Numa série de quatro tweets os radicais islâmicos afirmam que uma "meticulosa inspeção nos armazéns da Cruz Vermelha revelou que 70% da comida armazenada para distribuição era supostamente inadequada para o consumo humano".
A Al Shabab afirmou também que os alimentos fora do prazo de validade "supõe um risco considerável para a saúde e expõem os vulneráveis receptores a doenças agudas".
Além disso, os fundamentalistas acusam à Cruz Vermelha de "trair a confiança depositada pela população local", apesar de "contar com acesso sem restrições às regiões do centro e do sul da Somália governadas pela Al Shabab".
A ONU declarou estado de crise de fome em seis regiões do país no ano passado. Na atualidade, segundo dados do Programa Mundial de Alimentos, ainda existem duas grandes zonas na Somália nessa situação.
Embora outros países da África sofram com esse problema, o problema é especialmente delicado na Somália, por causa da falta de chuvas, as péssimas colheitas e um conflito armado que já dura mais de duas décadas.
Al Shabab, que controla boa parte do centro e sul da Somália, luta contra as tropas do governo de transição do país e da Missão da União Africana para instaurar um estado muçulmano wahhabista na região.
A Somália vive em permanente estado de guerra civil e não tem um governo efetivo desde 1991, quando o ditador Mohammed Siad Barre foi destituído, o que deixou o país nas mãos de chefes tribais, grupos armados e milícias islâmicas. EFE


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