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    Rick Santorum vence prévias de Missouri, Minnesota e Colorado

    AURORA, Colorado - Com o apoio do eleitorado conservador, o pré-candidato Rick Santorum conquistou nesta terça-feira vitórias nas prévias dos estados de Minnesota, Missouri e Colorado e ganhou novo fôlego na disputa para definir o republicano que enfrentará Barack Obama nas eleições de novembro.

    Com os resultados, Santorum acumula vitórias em quatro estados - ele já havia sido declarado vencedor na recontagem de votos do caucus de Iowa - e desponta como uma alternativa possível ao favorito Mitt Romney.

    - O conservadorismo está vivo. Eu não estou aqui para ser a alternativa conservadora a Mitt Romney. Eu estou aqui para ser a alternativa conservadora a Barack Obama - disse Santorum, no discurso de vitória no Missouri.

    No Missouri, Santorum venceu com mais de 55% dos votos, um apoio mais de duas vezes superior ao de Romney, que ficou com 25%. A vitória no estado é apenas simbólica, já que não há designação de delegados para a convenção republicana.

    Mas em Minnesota, onde havia 37 delegados em disputa, a vitória é importante e deve dar sobrevida à campanha de Santorum, que estava ofuscada pelo desempenho do ex-presidente da Câmara Newt Gingrich, até esta terça-feira a única sombra real a Romney.

    Com 91% das urnas apuradas, Santorum tinha 45% dos votos em Minnesota, bem à frente dos apenas 17% de Romney, que aparecia em terceiro lugar. O deputado texano Ron Paul era o segundo, com 27%.

    No Colorado, onde tem uma ampla base de apoio, até o início da votação Romney era considerado o favorito, mas a disputa foi acirrada. Santorum venceu com 40% dos votos, enquanto ele ficou em segundo com 35%.

    No Colorado, foco no apoio de imigrantes

    Localidades como o município de Aurora, nos arredores de Denver, capital do Colorado, com forte presença de imigrantes receberam atenção especial dos pré-candidatos republicanos. A cidade está integrada na região de Arapahoe, onde os eleitores registrados estão divididos em fatias similares: 121 mil democratas, 113,6 mil republicanos e 119 mil independentes. Na eleição presidencial de 2004, a maioria dos votos locais foi destinada ao candidato republicano George W. Bush, diferentemente do pleito de 2008, no qual Obama levou a melhor.

    No Aurora Mall, considerado o principal programa de lazer e apontado pelos moradores como o "shopping dos pobres", acompanhada do marido e dos filhos, a enfermeira mexicana Daina Díaz, de 31 anos, há 15 anos nos EUA, revela que votou em Obama em 2008, mas gostaria de ver uma troca na Casa Branca:

    - Pensamos que Obama faria mais pelos hispânicos. Até agora, não foi um presidente para o bem nem para o mal, mas espero que venha outra pessoa para o seu lugar, para dar uma outra esperança. Mas acredito que ele se reelegerá.

    Entre os republicanos, sua aposta vai para o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney.

    - No final, acho que ele ganhará a briga no partido. Mas, para mim, ele está muito contrário aos imigrantes.

    Ali Khazi, 30 anos, veio para os EUA há 20 anos como refugiado do Afeganistão. Seu candidato da vez na política americana é o deputado republicano Ron Paul:

    - Cometi um erro em votar em Obama em 2008. Por que Ron Paul? Porque ele acredita que é melhor mais gastos para o povo do que para guerras. A política belicista acabou com este país. Ron Paul quer acabar com o Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano), é o mais liberal.

    Na sua opinião, as eleições presidenciais deste ano não terão o mesmo apelo do pleito de 2008.

    - As pessoas estão cansadas, muitas não vão sair de casa para votar. Já não se confia no governo como antes.

    Para paquistanês, Obama merece segunda chance

    Mariano Lamas, 17 anos, se mudou do México com os pais com um ano e meio de idade. Mesmo sem poder votar, acompanha com atenção a política e a campanha presidencial.

    - Muita gente diz que Obama não fez nada, mas ele levantou este país. Ele não tem toda a culpa, pois quando assumiu herdou problemas graves. Não fez muito pelos imigrantes, mas havia coisas mais importantes a resolver. Se pudesse votar, votaria nele.

    Para o imigrante paquistanês Ashfaq Ahmed, de 40 anos, há 15 anos nos EUA, Obama era a melhor opção em 2008, e continua sendo. Ele não vê alternativa republicana, e na hora do voto "será Obama ou ninguém", diz.

    - Por tradição, quando os republicanos chegam ao poder sempre começam uma nova guerra, o que não é desejável - acrescenta.

    Para ele, Obama merece uma segunda chance:

    - Dizem que sua reforma da saúde vai custar caro ao país. Mas e os bilhões de dólares destinados para salvar os bancos, isso também não sai caro para o povo? Ser a primeira economia do mundo e não poder dar atendimento médico à população de nada serve - conclui.

    Já o americano aposentado Franck Smith, 56 anos, não quer saber de primárias, eleições, democratas ou republicanos. Desde 2001, conta, perdeu o interesse pela política.

    - Antes eu votava, mas agora estou farto de tudo isso. Duas guerras (Iraque e Afeganistão) acabaram com este país. A situação política se deteriora, a radicalização do bipartidarismo só piora, e isso não vai mudar tão cedo. Os políticos só pensam em seus próprios interesses e nos partidos, não no país. Republicanos, democratas, é tudo a mesma coisa - dispara.

    Para recuperar a confiança no governo, ele tem receita própria.

    - Precisamos de um Ronald Reagan para tomar conta de tudo - disse.

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