Fungo virtual é a nova ameaça aos computadores

Qua, 01 Abr, 09h41

Cientistas confirmaram a existência de um novo tipo de praga virtual,
que não é vírus nem cavalo de Troia. Pesquisadores de ciência da
computação dos EUA estão chamando a descoberta de “fungo de
computador”. O descobridor foi Antonio de Marco, professor adjunto da
Universidade da Califórnia do Oeste.

De uma maneira análoga aos fungos, mofos e bolores que atacam as fotos
em filme e fitas cassete do século passado, o fungo virtual degrada os
arquivos de imagem, som e vídeo armazenados nos computadores. “O
problema acontece até com arquivos de backup que nunca são acessados”,
alerta de Marco. Os cientistas apuraram uma perda média de qualidade
de 7% por ano para imagens JPEG , 15% para TIFF e 4% para MP3. Outros
arquivos atingidos são os vídeos QuickTime, com 14%, seguidos dos AVI ,
com 9%.

Arjun Radhakrishnan, doutor de Estudos Aplicados da Computação em
Stanford, explica que o fungo virtual não tinha sido detectado até
agora porque seus efeitos são graduais e insidiosos. “O usuário típico
de PC nunca pensa sobre isso, porque a perda de desempenho do próprio
sistema operacional é considerada trivial.” Segundo ele, as pessoas
acham compreensível que a música pirateada do Napster em 2000 soe mais
abafada com o tempo, assim como as imagens pornôs baixadas da Web
fiquem menores e mais sujas. Arquivos de Photoshop abrem com as cores
inexplicavelmente erradas, escurecem e desbotam. Vídeos abrem em
janelas minúsculas. Até textos podem se deteriorar, tendo os
caracteres acentuados trocados.

Tudo isso seria uma variedade de sintomas do fungo digital. Os efeitos
são visíveis ao se comparar uma foto digital com a cópia em papel de
quando ela era nova. “Houve uma degradação progressiva de quase todos
esses materiais, e muitos poderão não resistir em forma aproveitável
até a próxima década”, alerta Radhakrishnan.

A transmissão do mal não parece ser causada por hackers. Fatores
ambientais podem estar envolvidos. A chance é maior em casas com mais
de um computador pessoal por cômodo. O uso de telefones celulares ou a
presença de televisores de plasma e ar condicionado também podem ser
fatores de risco.

Enquanto não surge uma solução comercial em software, a recomendação
dos pesquisadores é fazer cópias diárias de seus arquivos e guardá-los
em mídias mais antigas e duráveis, como CD-R ou disquete; transcrever
os vídeos ripados de DVD para VHS ; enviar todas as fotografias para o
laboratório para serem copiadas em papel. “É a única maneira garantida
de assegurar maior longevidade para os seus dados digitais”, afirma de
Marco.