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A guitarra baiana, a guitarra do Brasil.

Sex, 02 Out, 02h28

Por Andreas Kisser, colunista do Yahoo! Brasil


O Brasil é reconhecido no mundo todo como um país musical. Nosso povo é naturalmente musical e o Carnaval é uma das maiores festas populares do mundo. Esta festa grandiosa inspirou a criação de um instrumento genuinamente brasileiro, a guitarra baiana.

Conta a história que os baianos Dodo e Osmar, os inventores do Trio Elétrico, foram também os inventores da guitarra baiana. Em meados da década de 40, depois de assistir ao show do guitarrista carioca Benedito Chaves - que usava um violão tradicional com um captador adaptado para amplificar o som - Dodo e Osmar começaram a fazer testes com um braço de cavaquinho, em cima de um pedaço comprido de Jacarandá, um captador caseiro e quarto cordas afinadas ao modo do bandolin, ou seja, em quintas (Sol, Ré, Lá, Mi). Este primeiro protótipo foi chamado de pau-elétrico ou cavaquinho elétrico.

O interessante é que nesta mesma época, nos Estados Unidos, outros músicos estavam fazendo experiências similares, como o "Log Guitar", do Les Paul - criador da grande Les Paul da Gibson e o violão com captador que originou a guitarra Fender Stratocaster, de Leo Fender, em 1944. Os irmãos baianos não registraram o seu invento, deixando o crédito somente aos pioneiros da América do Norte e hoje são pouco lembrados como um dos responsáveis pela invenção e evolução da guitarra elétrica.

Depois do pau elétrico, o instrumento evoluiu para o formato da guitarra que conhecemos hoje, mais precisamente o formato da Fender Telecaster. Na década de 50, a guitarra elétrica já se difundia pelo mundo através do novo estilo de música chamdo rock'n'roll. No Brasil, ela começou a ser utilizada no Trio Elétrico, em temas instrumentais carnavalescos, principalmente nos frevos e choros.

O músico baiano e virtuoso da guitarra e do bandolim, Armandinho, filho de Osmar, sentindo necessidade de obter um som mais grave, adicionou ao instrumento uma quinta corda, com afinação em Dó. Aramndinho nasceu em berço musical e já dominava o instrumeto com 10 anos de idade. Ele foi o responsável pela evolução técnica da guitarra baiana e por trazer elementos do rock e do jazz à música carnavalesca. A ascensão da chamada axé-music fica impensável sem a influência da guitarras baiana.

Outro grande guitarrista que ajudou a popularizar a guitarra baiana pelo Brasil foi Pepeu Gomes, principalmente depois dos Novos Baianos, com suas misturas, experimentos com sons, ritmos e uma atitude bem brasileira. A versão de Pepeu para a música "Brasileirinho" na guitarra baiana é considerada uma das melhores, é excepcional e é uma referência para qualquer guitarrista.

Mais recentemente, influenciados pelos guitarristas modernos que vieram do hard rock norte-americano, como Steve Vai e Joe Satriani, vários luthiers, fabricantes da guitarra, introduziram a whammy-bar, que é uma alavanca que tira a tensão das cordas dando ao músico várias opções de efeitos tortos na guitarra. É uma evolução que não para.
Hoje, quem fabrica as guitarras do mestre Armandinho é o luthier Elifas Santana (www.myspace.com/elifassantana). Ele faz uma guitarra baiana bem moderna, com uma escala um pouco maior do que a original de Dodo e Osmar, whammy-bar e potentes captadores. Eu tenho o privilégio de ter uma guitarra baiana sendo feita pelo Elifas a pedido do grande músico e um dos pilares do axé music: Luiz Caldas. O Luiz entrou em contato comigo e me presenteou com esta guitarra única, que só pode ser encontrada aqui no Brasil. O Elifas está trabalhando nela e quando ficar pronta, pode ter certeza que vou me dedicar a ela e criar novos caminhos para este instrumento tão difente e tão brasileiro. Abaixo vai um vídeo do Armandinho destruindo a sua guitarra baiana no fim da década de 70.

Abraço a todos!
Andreas Kisser

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