Sex, 03 Jul, 03h52
Modificação criada por Andrew Tridgell evita violação de patentes relacionadas ao sistema de arquivos FAT
Por Antonio Blanc
Em fevereiro deste ano a TomTom, fabricante de dispositivos GPS para navegação automotiva, foi processada pela Microsoft por violação de duas de suas patentes, relacionadas à criação e manipulação de arquivos em discos formatados com o sistema de arquivos FAT , usado no MS- DOS e todas as versões do Windows. Microsoft e TomTom eventualmente chegaram a um acordo, mas o episódio preocupou os desenvolvedores do Linux.
O modo como o sistema lida com discos formatados em FAT é o mesmo usado pela TomTom, e poderia gerar processos contra desenvolvedores e distribuições Linux. A solução mais simples, eliminar o suporte a este sistema de arquivos, é inviável já que implicaria em eliminar também o suporte a milhares de aparelhos já nas mãos dos usuários.
Apesar de ser atualmente considerado obsoleto, o sistema criado pela própria Microsoft na década de 80 foi usado durante décadas em todos os PCs com o MS- DOS e, mais tarde, em todas as versões do Windows até hoje. Devido a essa popularidade é usado em praticamente qualquer aparelho que precise ler e gravar dados em um “disco”, seja um disco rígido ou memória flash, de pendrives a MP3 players, câmeras digitais e, claro, unidades GPS .
Andrew Tridgell , autor do Samba , software que permite que máquinas Linux participem de redes Microsoft, pode ter encontrado uma solução. As patentes em questão são relacionadas à forma como o sistema operacional lida com os nomes dos arquivos: sistemas FAT16 limitam os nomes a 11 caracteres, 8 para o nome, um ponto e mais 3 para a extensão (ex: arquivos.txt).
Sistemas FAT 32, mais modernos, permitem até 256 caracteres no nome do arquivo, mas ao mesmo tempo geram um nome no antigo formato 8.3 para garantir a compatibilidade dos discos com sistemas operacionais que só compreendam o antigo formato FAT16. É nesse processo que está o problema: a patente da Microsoft lida com a geração de um nome para um arquivo em ambos os formatos.
A solução proposta por Tridgell, na forma de um patch para o kernel Linux, é engenhosa: ao criar um arquivo, o nome é verificado. Se ele “couber” no espaço de 11 caracteres, a convenção antiga (8.3) é usada, e um nome longo para o arquivo não é gerado. Caso contrário, um nome longo é gerado, e o que seria o nome “curto” é preenchido com caracteres inválidos, fazendo com que seja ignorado pelo sistema. Ou seja, na prática o arquivo fica tendo só um nome longo ou só um nome curto, mas não os dois, evitando a patente.
Segundo o site Ars Technica , código está sendo analisado por uma equipe de advogados da Linux Foundation , que acredita que ele evita todas as questões legais possíveis, além de não alterar, na maioria dos casos, o comportamento esperado pelo usuário quando este lida com discos formatados em FAT . Se o código for aprovado, será incluído na distribuição oficial do kernel Linux.
A Linux Foundation lembra que acredita que a patente da Microsoft é inválida. O patch funciona como uma “medida de segurança”, permitindo que empresas continuem usando o suporte ao sistema de arquivos FAT se necessário, ao mesmo tempo em que evitam o risco de uma batalha legal que pode ser dispendiosa, cansativa e, para pequenas empresas, até mesmo letal.
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